PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

igreja1 vitral1 igreja2 Auditorio vitral2 vitral4 igreja3 vitral3 Slide Cspq1 Slide cspq7 Slide igreja4 Slide cspq3 Slide cspq5 Slide pinturas Slide cspq8 Slide vitral5 Slide cspq6 Slide cspq2 Slide cspq4
catequese

Consagração ao Imaculado Coração de Maria

Francisco consagracaoÓ Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna. Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:

Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;
Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;
Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;
Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;
Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;
Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;
Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;
Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amen.

S. João de Latrão, 21-03-2022
Papa Francisco


Carta do Papa Francisco aos Bispos do mundo inteiro
sobre o Ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria

Querido Irmão!
Já passou quase um mês do início da guerra na Ucrânia, que está a causar sofrimentos cada dia mais terríveis àquela atormentada população, ameaçando mesmo a paz mundial. Nesta hora escura, a Igreja é fortemente chamada a interceder junto do Príncipe da Paz e a fazer-se próxima a quantos pagam na própria pele as consequências do conflito. Nesta linha, sinto-me agradecido a todas as pessoas que estão a responder, com grande generosidade, aos meus apelos à oração, ao jejum e à caridade.

Agora, acolhendo também numerosos pedidos do Povo de Deus, desejo confiar de modo especial a Nossa Senhora as nações em conflito. Como disse domingo no final da oração do Angelus, no dia 25 de março, Solenidade da Anunciação, pretendo realizar um Ato solene de Consagração da humanidade, particularmente da Rússia e da Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria. Uma vez que é bom predispor-se para invocar a paz renovados pelo perdão de Deus, tal Ato acontecerá no contexto duma Celebração da Penitência, que terá lugar na Basílica de São Pedro às 17h00, hora de Roma. O Ato de Consagração está previsto para as 18h30.

Quer ser um gesto da Igreja universal, que neste momento dramático leva a Deus, através da Mãe d’Ele e nossa, o grito de dor de quantos sofrem e imploram o fim da violência, e confia o futuro da humanidade à Rainha da Paz. Por isso convido-o, querido Irmão, a unir-se ao referido Ato, convocando os sacerdotes, os religiosos e os outros fiéis para a oração comunitária nos lugares sagrados, no dia de sexta-feira 25 de março, de modo que o santo Povo de Deus faça, de modo unânime e veemente, subir a súplica à sua Mãe. A propósito, transmito-lhe o texto da própria oração de consagração para poderem recitá-la, ao longo desse dia, em união fraterna.

Agradeço-lhe pela disponibilidade e a colaboração. De coração abençoo o querido Irmão e os fiéis confiados aos seus cuidados pastorais. Que Jesus vos proteja e a Virgem Santa vos guarde. Rezai por mim.

Fraternamente,

Roma – São João de Latrão, 21 de março de 2022
Papa Francisco

Senhor, perdoai-nos a guerra!

Francisco audienciaNo final da Audiência de 16 de Março de 2022, o Papa Francisco saudou os vários grupos de fiéis presentes na sala Paulo VI, dirigindo um apelo à paz na Ucrânia e recitando uma oração composta pelo arcebispo de Nápoles, Domenico Battaglia.
https://www.youtube.com/watch?v=ivrytaDyI6Q


Senhor Jesus Cristo,
Filho de Deus, tende piedade de nós, pecadores!

Senhor Jesus,
nascido sob as bombas de Kiev, tende piedade de nós!

Senhor Jesus,
que morrestes nos braços da vossa mãe, num bunker em Kharkiv, tende piedade de nós!

Senhor Jesus,
enviado com vinte anos para a frente de combate, tende piedade de nós!

Senhor Jesus,
que vedes ainda as mãos armadas à sombra da vossa cruz, tende piedade de nós!

Perdoai-nos, Senhor!
Perdoai-nos se, não contentes com os pregos com que perfuramos as vossas mãos, continuamos a beber do sangue dos mortos dilacerados pelas armas.

Perdoai-nos se estas mãos, que criastes para proteger, se transformaram em instrumentos de morte.

Perdoai-nos, Senhor, se continuamos a matar o nosso irmão; perdoai-nos se continuamos, como Caim, a remover as pedras do nosso campo para matar Abel.

Perdoai-nos, Senhor, se continuamos a justificar a crueldade com a nossa fadiga, se com a nossa dor legitimamos a crueldade das nossas acções.

Perdoai-nos a guerra, Senhor!
Perdoai-nos a guerra, Senhor!

Jesus Cristo, Filho de Deus, imploramos-vos, parai a mão de Caim!
Iluminai a nossa consciência, que não se faça a nossa vontade; não nos abandoneis às nossas acções!

Parai-nos, Senhor, parai-nos!
E quando tiverdes parado a mão de Caim, tomai conta dele também. É nosso irmão.

Ó Senhor, parai a violência!
Parai-nos, Senhor! Amen!

Papa Francisco, Audiência de16-03-2022

24 horas para o Senhor

24horas22Consagração da Ucrânia e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria

A Conferência Episcopal Portuguesa está em plena sintonia com o Santo Padre, que vai consagrar a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria a 25 de março, durante a Celebração da Penitência às 16h00 na Basílica de São Pedro. O Papa Francisco enviará a Fátima, como Legado Pontifício, o Cardeal Konrad Krajewski, Esmoler Apostólico, o qual fará o ato de consagração na Capelinha das Aparições, também às 16h00, durante a oração do Rosário. Em profunda comunhão com o Santo Padre, os Bispos portugueses procurarão estar presentes nesta celebração em Fátima.

Pede-se que todas as paróquias, comunidades, institutos de vida consagrada e outras instituições eclesiais assumam esta intenção de consagração nas celebrações desse dia, nomeadamente nas Vias-Sacras, nas Eucaristias, na Oração do Rosário e no itinerário “24 horas para o Senhor” que se inicia na tarde desse dia.

Por intercessão do Imaculado Coração de Maria, Rainha da Paz, continuemos a rezar pelo povo ucraniano, perseguido na sua terra e disperso pelo mundo, para que o Senhor atenda as nossas preces e os esforços das pessoas de boa vontade, e lhe conceda a paz e o regresso a suas casas.

Lisboa, 18 de março de 2022
Secretariado Geral da CEP

Mensagem do Cardeal-Patriarca para a Quaresma de 2022

ManuelClemente12Como filhos diante de Deus, como irmãos diante de todos

Caríssimos diocesanos
Iniciamos esta Quaresma com grande proximidade a todos os que sofrem os efeitos da guerra e muito especialmente na Ucrânia. A nossa proximidade traduz-se na disposição para socorrer e acolher quanto e como for preciso. Além disso e, como crentes, acreditamos no poder da oração e do jejum que a intensifica, pois rezar é querer com Deus e “quem quer o que Deus quer tem tudo quanto quer”.

Querer com Deus significa acolher a sua paternidade, solícita do bem de todos os filhos e geradora da nossa fraternidade, começando pelos que mais a requeiram.

Temos bem presente a vida de Jesus, que a partir da filiação divina nos ofereceu a convivência perfeita entre nós. A sua oração foi inteiramente filial, o seu jejum foi alimentar-se da vontade do Pai e a esmola que nos deu foi a sua própria vida, plenamente entregue. E foi assim mesmo, com motivação tão íntima e desprendida de si próprio, que há dois mil anos tudo renovou e continua a renovar, com os que partilham do seu Espírito.

Nós acreditamos que há sempre futuro a partir do coração divino e de quem se mantém filialmente nele e fraternalmente com todos. A Quaresma que iniciamos leva-nos à Páscoa de Cristo, mas exatamente na medida em que para lá caminharmos com Ele e a seu modo.

O modo de Jesus manifesta-se em todo o Evangelho, como estritamente filial. Não tem outra motivação senão a de cumprir a vontade de Deus Pai; nada o move senão isso mesmo, a realizar-se em si e nos outros, sem qualquer ostentação do que faça.

A frase evangélica é claríssima nesse sentido: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus».

Reparemos que todos os conflitos nascem da autoimposição, tanto pessoal como mais alargada. Alega-se um bem que redunda em mal, quando confiscado em proveito próprio. Deus não se impõe no ato constante de nos dar a vida e os filhos de Deus, que verdadeiramente o sejam, vivem em ação de graças e assim partilham o que só de Deus recebem.

Olhemos para Jesus e aprendamos com Ele a ser filhos de Deus. São muitas as passagens evangélicas que nos mostram como há de ser. Quando era bem aceite no que dizia e fazia, logo lhe brotava a ação de graças: «Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado!» (Mt 11, 25-26).

Quando Simão o confessa como Messias e Filho de Deus vivo, logo remete a Deus Pai a origem dessa fé: «És feliz Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que to revelou, mas o meu Pai que está no Céu» (Mt 16, 17). Assim também em relação a todos nós, pois somente o Pai nos conduz a Ele: «Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não atrair» (Jo 6, 44). E a própria bondade que manifestava não a referia si, mas só e sempre a Deus Pai, como respondeu ao homem rico: «Porque me chamas bom? Ninguém é bom senão um só: Deus» (Mc 10, 18).

É unicamente a vontade do Pai que o sustenta e impele: «O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra» (Jo 4, 34). Nada faz sem o Pai, única fonte da sua ação: «O Filho, por si mesmo, não pode fazer nada, senão o que vir fazer ao Pai, pois aquilo que este faz também o faz igualmente o Filho» (Jo 5, 19). E assim quanto a tudo o que faz e ajuíza: «Por mim mesmo, eu não posso fazer nada: conforme ouço, assim é que julgo; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade mas a daquele que me enviou» (Jo 5, 30).

E assim continuaríamos, quase página a página dos quatro Evangelhos, tão conformes sobre a vida filial de Jesus. Vida filial em relação a Deus Pai, que é também a fonte da sua vida fraternal em relação a todos, transbordando o amor que d’Ele recebe: «Assim como o Pai me tem amor, assim eu vos amo a vós» (Jo 15, 9).

É este o “segredo” de Jesus e a explicação de tudo o que realiza. Os seus longos tempos de oração traduzem bem o que intimamente o segura. Pois é nesse “segredo” que Deus Pai o vê e também a nós: «Quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

Como exercício quaresmal, comunitária e pessoalmente, brote a oração de Cristo em nós, intensamente filial e consequentemente solidária, como no Pai Nosso se enuncia. Aliás, a oração comunitária ganha sempre com a intensidade da oração pessoal de cada um. Só assim conseguiremos amar a todos a partir de Deus, diferentes que sejam e adversários até, como Jesus exorta: «Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. Fazendo assim tornar-vos-eis filhos do vosso Pai que está no Céu, pois Ele faz com que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5, 44-45).

Não se trata de desculpar o indesculpável ou de não corrigir o que merece correção. Trata-se de em tudo isso não nos mover o rancor, mas aquela misericórdia com que Deus nos mantém vivos e sempre aguarda o regresso dos seus pródigos.

Todos precisamos de crescer muito mais nesse sentido, de ver as coisas em Deus e a partir de Deus, no íntimo dos propósitos e na gratuidade das ações, sem outro intuito que não seja a glória divina, que é o bem de todos. Bem total, a respeitar e proteger em cada um, do princípio ao fim do seu percurso terreno. Porque «a glória de Deus é o homem vivo e a vida do homem é a visão de Deus» (Santo Ireneu).

Jejuamos das coisas, porque só Deus realmente sacia; repartimos o que temos, pois de Deus provém e a Deus retorna em quem nos pede; oramos filialmente, porque é este o único modo de estarmos diante da paternidade divina: como quem recebe, agradece e partilha.

São tempos difíceis, os desta Quaresma. Com a pandemia ainda por extinguir, com a guerra na Ucrânia que urge terminar, com a Igreja a renovar, com tanta pobreza a pedir resposta.

Também não eram fáceis os que tocaram ao próprio Jesus, dois milénios atrás. Ensinou-nos a enfrentá-los com um coração filial, correspondendo assim ao coração de Deus Pai, que no segredo nos vê e recompensa, fazendo-nos inteiramente seus e de Si para todos.

Assim mesmo, no mais íntimo e determinante de cada um, para o futuro que importa. Não para darmos nas vistas alheias, mas para nos refazermos sob o olhar de Deus. Para refletirmos aos outros o olhar divino, amando e servindo como Jesus o fez.

É o que nos pede o tempo que vivemos, é o exercício quaresmal perfeito. Não adiemos a resposta, «pois até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). - É connosco agora!

Sé de Lisboa, 2 de março de 2022
+ Manuel, Cardeal-Patriarca


A renúncia quaresmal de 2021 juntou 117.614,32 €, destinados à Cáritas Diocesana de Lisboa, para continuar a responder a necessidades geradas pela pandemia. A renúncia deste ano será destinada em parte à Diocese de Palai (Índia) a favor do seu hospital, que atende especialmente a população mais pobre; e em parte à Cáritas Diocesana de Lisboa, para apoiar as necessidades do povo ucraniano, duramente atingido pela guerra.

Mensagem do Papa para a Quaresma 2022

Quaresma2022«Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).

Queridos irmãos e irmãs!
A Quaresma é um tempo favorável de renovação pessoal e comunitária que nos conduz à Páscoa de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Aproveitemos o caminho quaresmal de 2022 para refletir sobre a exortação de São Paulo aos Gálatas: «Não nos cansemos de fazer o bem; porque, a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido. Portanto, enquanto temos tempo (kairós), pratiquemos o bem para com todos» (Gal 6, 9-10a).

1. Sementeira e colheita
Neste trecho, o Apóstolo evoca a sementeira e a colheita, uma imagem que Jesus muito prezava (cf. Mt 13). São Paulo fala-nos dum kairós: um tempo propício para semear o bem tendo em vista uma colheita. Qual poderá ser para nós este tempo favorável? Certamente é a Quaresma, mas é-o também a nossa inteira existência terrena, de que a Quaresma constitui de certa forma uma imagem (1). Muitas vezes, na nossa vida, prevalecem a ganância e a soberba, o anseio de possuir, acumular e consumir, como se vê no homem insensato da parábola evangélica, que considerava assegurada e feliz a sua vida pela grande colheita acumulada nos seus celeiros (cf. Lc 12, 16-21). A Quaresma convida-nos à conversão, a mudar mentalidade, de tal modo que a vida encontre a sua verdade e beleza menos no possuir do que no doar, menos no acumular do que no semear o bem e partilhá-lo.

O primeiro agricultor é o próprio Deus, que generosamente «continua a espalhar sementes de bem na humanidade» (Fratelli tutti, 54). Durante a Quaresma, somos chamados a responder ao dom de Deus, acolhendo a sua Palavra «viva e eficaz» (Heb 4, 12). A escuta assídua da Palavra de Deus faz maturar uma pronta docilidade à sua ação (cf. Tg 1, 19.21), que torna fecunda a nossa vida. E se isto já é motivo para nos alegrarmos, maior motivo ainda nos vem da chamada para sermos «cooperadores de Deus» (1 Cor 3, 9), aproveitando o tempo presente (cf. Ef 5, 16) para semearmos, também nós, praticando o bem. Esta chamada para semear o bem deve ser vista, não como um peso, mas como uma graça pela qual o Criador nos quer ativamente unidos à sua fecunda magnanimidade.

E a colheita? Porventura não se faz toda a sementeira a pensar na colheita? Certamente; o laço estreito entre a sementeira e a colheita é reafirmado pelo próprio São Paulo, quando escreve: «Quem pouco semeia, também pouco há de colher; mas quem semeia com generosidade, com generosidade também colherá» (2 Cor 9, 6). Mas de que colheita se trata? Um primeiro fruto do bem semeado, temo-lo em nós mesmos e nas nossas relações diárias, incluindo os gestos mais insignificantes de bondade. Em Deus, nenhum ato de amor, por mais pequeno que seja, e nenhuma das nossas «generosas fadigas» se perde (cf. Evangelii gaudium, 279). Tal como a árvore se reconhece pelos frutos (cf. Mt 7, 16.20), assim também a vida repleta de obras boas é luminosa (cf. Mt 5, 14-16) e difunde pelo mundo o perfume de Cristo (cf. 2 Cor 2, 15). Servir a Deus, livres do pecado, faz maturar frutos de santificação para a salvação de todos (cf. Rm 6, 22).

Na realidade, só nos é concedido ver uma pequena parte do fruto daquilo que semeamos, pois, segundo o dito evangélico, «um é o que semeia e outro o que ceifa» (Jo 4, 37). É precisamente semeando para o bem do próximo que participamos na magnanimidade de Deus: constitui «grande nobreza ser capaz de desencadear processos cujos frutos serão colhidos por outros, com a esperança colocada na força secreta do bem que se semeia» (Fratelli tutti, 196). Semear o bem para os outros liberta-nos das lógicas mesquinhas do lucro pessoal e confere à nossa atividade a respiração ampla da gratuidade, inserindo-nos no horizonte maravilhoso dos desígnios benfazejos de Deus.

A Palavra de Deus alarga e eleva ainda mais a nossa perspetiva, anunciando-nos que a colheita mais autêntica é a escatológica, a do último dia, do dia sem ocaso. O fruto perfeito da nossa vida e das nossas ações é o «fruto em ordem à vida eterna» (Jo 4, 36), que será o nosso «tesouro no céu» (Lc 18, 22; cf. 12, 33). O próprio Jesus, para exprimir o mistério da sua morte e ressurreição, usa a imagem da semente que morre na terra e frutifica (cf. Jo 12, 24); e São Paulo retoma-a para falar da ressurreição do nosso corpo: «semeado corrutível, o corpo é ressuscitado incorrutível; semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual» (1 Cor 15, 42-44). Esta esperança é a grande luz que Cristo ressuscitado traz ao mundo: «Se nós temos esperança em Cristo apenas para esta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (1 Cor 15, 19-20), para que quantos estiverem intimamente unidos a Ele no amor, «por uma morte idêntica à Sua» (Rm 6, 5), também estejam unidos à sua ressurreição para a vida eterna (cf. Jo 5, 29): «então os justos resplandecerão como o sol, no reino do seu Pai» (Mt 13, 43).

2. «Não nos cansemos de fazer o bem»
A ressurreição de Cristo anima as esperanças terrenas com a «grande esperança» da vida eterna e introduz, já no tempo presente, o germe da salvação (cf. Bento XVI, Spe salvi, 3; 7). Perante a amarga desilusão por tantos sonhos desfeitos, a inquietação com os desafios a enfrentar, o desconsolo pela pobreza de meios à disposição, a tentação é fechar-se num egoísmo individualista e, à vista dos sofrimentos alheios, refugiar-se na indiferença. Com efeito, mesmo os recursos melhores conhecem limitações: «Até os adolescentes se cansam, se fatigam, e os jovens tropeçam e vacilam» (Is 40, 30). Deus, porém, «dá forças ao cansado e enche de vigor o fraco. (…) Aqueles que confiam no Senhor, renovam as suas forças. Têm asas como a águia, correm sem se cansar, marcham sem desfalecer» (Is 40, 29.31). A Quaresma chama-nos a repor a nossa fé e esperança no Senhor (cf. 1 Ped 1, 21), pois só com o olhar fixo em Jesus Cristo ressuscitado (cf. Heb 12, 2) é que podemos acolher a exortação do Apóstolo: «Não nos cansemos de fazer o bem» (Gal 6, 9).

Não nos cansemos de rezar. Jesus ensinou que é necessário «orar sempre, sem desfalecer» ( Lc 18, 1). Precisamos de rezar, porque necessitamos de Deus. A ilusão de nos bastar a nós mesmos é perigosa. Se a pandemia nos fez sentir de perto a nossa fragilidade pessoal e social, permita-nos esta Quaresma experimentar o conforto da fé em Deus, sem a qual não poderemos subsistir (cf. Is 7, 9). No meio das tempestades da história, encontramo-nos todos no mesmo barco, pelo que ninguém se salva sozinho (2); mas sobretudo ninguém se salva sem Deus, porque só o mistério pascal de Jesus Cristo nos dá a vitória sobre as vagas tenebrosas da morte. A fé não nos preserva das tribulações da vida, mas permite atravessá-las unidos a Deus em Cristo, com a grande esperança que não desilude e cujo penhor é o amor que Deus derramou nos nossos corações por meio do Espírito Santo (cf. Rm 5, 1-5).

Não nos cansemos de extirpar o mal da nossa vida. Possa o jejum corporal, a que nos chama a Quaresma, fortalecer o nosso espírito para o combate contra o pecado. Não nos cansemos de pedir perdão no sacramento da Penitência e Reconciliação, sabendo que Deus nunca Se cansa de perdoar (3). Não nos cansemos de combater a concupiscência, fragilidade esta que inclina para o egoísmo e todo o mal, encontrando no decurso dos séculos vias diferentes para fazer precipitar o homem no pecado (cf. Fratelli tutti, 166). Uma destas vias é a dependência dos meios de comunicação digitais, que empobrece as relações humanas. A Quaresma é tempo propício para contrastar estas ciladas, cultivando ao contrário uma comunicação humana mais integral (cf. ibid., 43), feita de «encontros reais» ( ibid., 50), face a face.

Não nos cansemos de fazer o bem, através duma operosa caridade para com o próximo. Durante esta Quaresma, exercitemo-nos na prática da esmola, dando com alegria (cf. 2 Cor 9, 7). Deus, «que dá a semente ao semeador e o pão em alimento» (2 Cor 9, 10), provê a cada um de nós os recursos necessários para nos nutrirmos e ainda para sermos generosos na prática do bem para com os outros. Se é verdade que toda a nossa vida é tempo para semear o bem, aproveitemos de modo particular esta Quaresma para cuidar de quem está próximo de nós, para nos aproximarmos dos irmãos e irmãs que se encontram feridos na margem da estrada da vida (cf. Lc 10, 25-37). A Quaresma é tempo propício para procurar, e não evitar, quem passa necessidade; para chamar, e não ignorar, quem deseja atenção e uma boa palavra; para visitar, e não abandonar, quem sofre a solidão. Acolhamos o apelo a praticar o bem para com todos, reservando tempo para amar os mais pequenos e indefesos, os abandonados e desprezados, os discriminados e marginalizados (cf. Fratelli tutti, 193).

3. «A seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido»
Cada ano, a Quaresma vem recordar-nos que «o bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam duma vez para sempre; hão de ser conquistados cada dia» (ibid., 11). Por conseguinte peçamos a Deus a constância paciente do agricultor (cf. Tg 5, 7), para não desistir na prática do bem, um passo de cada vez. Quem cai, estenda a mão ao Pai que nos levanta sempre. Quem se extraviou, enganado pelas seduções do maligno, não demore a voltar para Deus, que «é generoso em perdoar» (Is 55, 7). Neste tempo de conversão, buscando apoio na graça divina e na comunhão da Igreja, não nos cansemos de semear o bem. O jejum prepara o terreno, a oração rega, a caridade fecunda-o. Na fé, temos a certeza de que «a seu tempo colheremos, se não tivermos esmorecido», e obteremos, com o dom da perseverança, os bens prometidos (cf. Heb 10, 36) para salvação nossa e do próximo (cf. 1 Tm 4, 16). Praticando o amor fraterno para com todos, estamos unidos a Cristo, que deu a sua vida por nós (cf. 2 Cor 5, 14-15), e saboreamos desde já a alegria do Reino dos Céus, quando Deus for «tudo em todos» (1 Cor 15, 28).

A Virgem Maria, em cujo ventre germinou o Salvador e que guardava todas as coisas «ponderando-as no seu coração» (Lc 2, 19), obtenha-nos o dom da paciência e acompanhe-nos com a sua presença materna, para que este tempo de conversão dê frutos de salvação eterna.

Roma, 11 de novembro de 2021.
Papa Francisco


Notas
(1) Cf. Santo Agostinho, Sermones 243, 9,8; 270, 3; Enarratio in Psalmis 110, 1.
(2) Cf. Francisco, Momento extraordinário de oração em tempo de pandemia (27 de março de 2020).
(3) Cf. Idem, Angelus de 17 de março de 2013.

 

Cateq 2018

Calendario Cateq

horariomissas



Patriarcado