PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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Mensagem para o Dia da Mãe - 2024

Mae2024No primeiro Domingo deste mês de maio celebramos o Dia da Mãe. A todas as Mães levamos o nosso apreço e a nossa gratidão.

Para nós cristãos católicos, o Dom da Maternidade surge do coração de Deus, Ele que é Pai e Mãe, e modelou na Virgem Maria de Nazaré toda a beleza e ternura da Maternidade Divina. Através d’Ela, Deus tornou-se próximo de cada um de nós, fez-se um de nós. Por isso, na maternidade de cada mulher podemo-nos encontrar com a nascente da vida e com o autor da Vida. No Amor de cada Mãe aproximamo-nos de modo eloquente do Amor de Deus por cada um de nós. Não duvidamos que o Amor de Mãe é a mais perfeita metáfora do Amor de Deus.

Celebrar o Dia da Mãe, no mês de maio, mês das flores e do coração, é lembrar Maria, aquela que acolheu sempre as preces de todas as Mães sofridas pelos desgostos da vida – dias de sal – ou exultantes pelas alegrias que ao longo do caminho surgem como flores de Esperança – dias de sol! Todas as Mães têm direito ao apoio de todos. Se tivéssemos que sublinhar o acréscimo de apoio a algumas Mães, evidenciaríamos as mais pobres, as mais sós, aquelas que têm de ser mãe e pai.

Como não admirar as Mães que tiveram de enfrentar todas as dificuldades sem a presença responsável e comprometida dos Pais? Como não valorizar a Mães que por adoção deram vida por filhos não biológicos mas de coração? Como não exaltar a heroicidade das Mães que pela morte de seu cônjuge ou companheiro, enfrentaram na solidão a criação e educação dos seus filhos? Em tempos de Paz frágil ou mesmo de países em guerra, lembramos com intensa solidariedade, todas as Mães em territórios exacerbados de violência, em campos de refugiados, em fugas de emergência, em migração forçada e, pior ainda, em luto por filhos perdidos neste contexto desumano.

Ao celebrarmos os cinquenta anos da “Revolução dos Cravos”, com todas a Mães crentes, agradecemos a Deus, por meio da Mãe de Jesus, pelo Dom da Paz que continuamos a experimentar no nosso País. Que as Mães renovem nos corações valores de respeito, tolerância e Paz, e que nos demonstrem pelo seu exemplo e afeto que todos somos filhos, portanto, irmãos. Que prossigam na defesa da dignidade de cada Ser Humano na riqueza das suas diferenças e na diversidade das suas raças, culturas, credos e talentos.

A todas as Mães a nossa renovada gratidão. Pedimos à Mãe das Mães a sua intercessão a fim de as auxiliar na grandeza da sua Missão e para que em todos os filhos desperte a correspondência do reconhecimento e do compromisso no Bem das suas extremosas Mães.

Comissão Episcopal do Laicado e Família, Mensagem para o Dia da Mãe. [26-04-2024]

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2024

Francisco quaresmaAtravés do deserto, Deus guia-nos para a liberdade

Queridos irmãos e irmãs!
Quando o nosso Deus Se revela, comunica liberdade: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). Assim inicia o Decálogo dado a Moisés no Monte Sinai. O povo sabe bem de que êxodo Deus está a falar: traz ainda gravada na sua carne a experiência da escravidão. Recebe as «dez palavras» no deserto como caminho de liberdade. Nós chamamos-lhes «mandamentos», fazendo ressaltar a força amorosa com que Deus educa o seu povo; mas, de facto, a chamada para a liberdade constitui um vigoroso apelo. Não se reduz a um mero acontecimento, mas amadurece ao longo dum caminho. Como Israel no deserto tinha ainda dentro de si o Egito (vemo-lo muitas vezes lamentar a falta do passado e murmurar contra o céu e contra Moisés), também hoje o povo de Deus traz dentro de si vínculos opressivos que deve optar por abandonar. Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperança e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos. A Quaresma é o tempo de graça em que o deserto volta a ser – como anuncia o profeta Oseias – o lugar do primeiro amor (cf. Os 2, 16-17). Deus educa o seu povo, para que saia das suas escravidões e experimente a passagem da morte à vida. Como um esposo, atrai-nos novamente a Si e sussurra ao nosso coração palavras de amor.

O êxodo da escravidão para a liberdade não é um caminho abstrato. A fim de ser concreta também a nossa Quaresma, o primeiro passo é querer ver a realidade. Quando o Senhor, da sarça ardente, atraiu Moisés e lhe falou, revelou-Se logo como um Deus que vê e sobretudo escuta: «Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egito, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspetores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar das mãos dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel» (Ex 3, 7-8). Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu. Perguntemo-nos: E chega também a nós? Mexe connosco? Comove-nos? Há muitos fatores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une.

Na minha viagem a Lampedusa, à globalização da indiferença contrapus duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: «Onde estás?» (Gn 3, 9) e «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9). O caminho quaresmal será concreto, se, voltando a ouvir tais perguntas, confessarmos que hoje ainda estamos sob o domínio do Faraó. É um domínio que nos deixa exaustos e insensíveis. É um modelo de crescimento que nos divide e nos rouba o futuro. A terra, o ar e a água estão poluídos por ele, mas as próprias almas acabam contaminadas por tal domínio. De facto, embora a nossa libertação tenha começado com o Batismo, permanece em nós uma inexplicável nostalgia da escravatura. É como uma atração para a segurança das coisas já vistas, em detrimento da liberdade.

Quero apontar-vos, na narração do Êxodo, um detalhe de não pequena importância: é Deus que vê, que Se comove e que liberta, não é Israel que o pede. Com efeito, o Faraó extingue também os sonhos, rouba o céu, faz parecer imutável um mundo onde a dignidade é espezinhada e os vínculos autênticos são negados. Por outras palavras, o Faraó consegue vincular-nos a ele. Perguntemo-nos: Desejo um mundo novo? E estou disposto a desligar-me dos compromissos com o velho? O testemunho de muitos irmãos bispos e dum grande número de agentes de paz e justiça convence-me cada vez mais de que aquilo que é preciso denunciar é um défice de esperança. Trata-se de um impedimento a sonhar, um grito mudo que chega ao céu e comove o coração de Deus. Assemelha-se àquela nostalgia da escravidão que paralisa Israel no deserto, impedindo-o de avançar. O êxodo pode ser interrompido: não se explicaria doutro modo porque é que tendo uma humanidade chegado ao limiar da fraternidade universal e a níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade, tateie ainda na escuridão das desigualdades e dos conflitos.

Deus não Se cansou de nós. Acolhamos a Quaresma como o tempo forte em que a sua Palavra nos é novamente dirigida: «Eu sou o Senhor, teu Deus, que te fiz sair da terra do Egipto, da casa da servidão» (Ex 20, 2). É tempo de conversão, tempo de liberdade. O próprio Jesus, como recordamos anualmente no primeiro domingo da Quaresma, foi impelido pelo Espírito para o deserto a fim de ser posto à prova na sua liberdade. Durante quarenta dias, tê-Lo-emos diante dos nossos olhos e connosco: é o Filho encarnado. Ao contrário do Faraó, Deus não quer súbditos, mas filhos. O deserto é o espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decisão pessoal de não voltar a cair na escravidão. Na Quaresma, encontramos novos critérios de juízo e uma comunidade com a qual avançar por um caminho nunca percorrido.

Isto comporta uma luta: assim no-lo dizem claramente o livro do Êxodo e as tentações de Jesus no deserto. Com efeito, à voz de Deus, que diz «Tu és o meu Filho amado» (Mc 1, 11) e «não haverá para ti outros deuses na minha presença» (Ex 20, 3), contrapõem-se as mentiras do inimigo. Mais temíveis que o Faraó são os ídolos: poderíamos considerá-los como a voz do inimigo dentro de nós. Poder tudo, ser louvado por todos, levar a melhor sobre todos: todo o ser humano sente dentro de si a sedução desta mentira. É uma velha estrada. Assim podemos apegar-nos ao dinheiro, a certos projetos, ideias, objetivos, à nossa posição, a uma tradição, até mesmo a algumas pessoas. Em vez de nos pôr em movimento, paralisar-nos-ão. Em vez de nos fazer encontrar, contrapor-nos-ão. Mas existe uma nova humanidade, o povo dos pequeninos e humildes que não cedeu ao fascínio da mentira. Enquanto os ídolos tornam mudos, cegos, surdos, imóveis aqueles que os servem (cf. Sal 115, 4-8), os pobres em espírito estão imediatamente disponíveis e prontos: uma força silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo.

É tempo de agir e, na Quaresma, agir é também parar: parar em oração, para acolher a Palavra de Deus, e parar como o Samaritano em presença do irmão ferido. O amor de Deus e o do próximo formam um único amor. Não ter outros deuses é parar na presença de Deus, junto da carne do próximo. Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam. Então o coração atrofiado e isolado despertará. Para isso há que diminuir a velocidade e parar. Assim a dimensão contemplativa da vida, que a Quaresma nos fará reencontrar, mobilizará novas energias. Na presença de Deus, tornamo-nos irmãs e irmãos, sentimos os outros com nova intensidade: em vez de ameaças e de inimigos encontramos companheiras e companheiros de viagem. Tal é o sonho de Deus, a terra prometida para a qual tendemos, quando saímos da escravidão.

A forma sinodal da Igreja, que estamos a redescobrir e cultivar nestes anos, sugere que a Quaresma seja também tempo de decisões comunitárias, de pequenas e grandes opções contracorrente, capazes de modificar a vida quotidiana das pessoas e a vida de toda uma coletividade: os hábitos nas compras, o cuidado com a criação, a inclusão de quem não é visto ou é desprezado. Convido toda a comunidade cristã a fazer isto: oferecer aos seus fiéis momentos para repensarem os estilos de vida; reservar um tempo para verificarem a sua presença no território e o contributo que oferecem para o tornar melhor. Ai se a penitência cristã fosse como aquela que deixou Jesus triste! Também a nós diz Ele: «Não mostreis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto para que os outros vejam que eles jejuam» (Mt 6, 16). Pelo contrário, veja-se a alegria nos rostos, sinta-se o perfume da liberdade, irradie aquele amor que faz novas todas as coisas, a começar das mais pequenas e próximas. Isto pode acontecer em toda a comunidade cristã.

Na medida em que esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um estremeção de criatividade: o lampejar duma nova esperança. Quero dizer-vos, como aos jovens que encontrei em Lisboa no verão passado: «Procurai e arriscai; sim, procurai e arriscai. Neste momento histórico, os desafios são enormes, os gemidos dolorosos: estamos a viver uma terceira guerra mundial feita aos pedaços. Mas abracemos o risco de pensar que não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início dum grande espetáculo. E é preciso coragem para pensar assim» ( Discurso aos estudantes universitários, 03/VIII/2023). É a coragem da conversão, da saída da escravidão. A fé e a caridade guiam pela mão esta esperança menina. Ensinam-na a caminhar e, ao mesmo tempo, ela puxa-as para a frente. (Cf. Charles Péguy, Il portico del mistero della seconda virtù, Milão 1978, 17-19)
Abençoo-vos a todos vós e ao vosso caminho quaresmal.

Roma, 3 de dezembro de 2023.
Papa FRANCISCO

Mensagem do Patriarca para a Quaresma 2024

RuiValerio3“Vou conduzir-vos ao deserto,
para vos falar ao coração.”
(Os 2,16)

1. A vida de comunhão com Cristo caminha ao ritmo de etapas vividas na mais profunda intimidade com Ele. Encontrar, na travessia espiritual, momentos de solidão, passar pelo desassossego do silêncio, sentir o impacto da aridez da existência, tanto pode arrastar para o drama do abatimento, como conduzir à beleza do arrebatamento. Contudo, conduz-nos sempre para a radicalidade do tudo ou nada ou, mais precisamente, para os extremos. Talvez seja por esta razão que, segundo a sabedoria bíblica, as mais significativas experiências de Deus e da sua presença, como as vividas por Abraão, Moisés, Job, Elias, não esquecendo Paulo e a Virgem Maria, e até pelo próprio Jesus de Nazaré… aconteceram em contextos-limite, fora do ramerrame quotidiano. A um foi pedido que saísse da sua terra e abandonasse tudo; outro foi conduzido a um monte fumegante; houve quem passasse pela atroz experiência do sofrimento, da morte cruel, da perseguição, e mesmo do aniquilamento de todo o seu projeto de vida[1].
Neste sentido, venho propor à Diocese de Lisboa que, neste tempo quaresmal, percorrendo o caminho da conversão, se deixe levar pelo turbilhão da radicalidade a nível da vida espiritual; se deixe arrastar pela medida alta da santidade, que é ir até aos limites do amor, da esperança e da fé. Movidos pelo sopro de Deus, desejemos afastar-nos não tanto do ritmo das coisas, mas da mentalidade do repetitivo, do rotineiro, em suma, da trivialidade, para sermos investidos e agraciados pela força do Espírito que nos coloca em Cristo e transforma radicalmente o nosso coração.

2. Reconheço no convite do Senhor reportado por Oseias — “vou conduzir-te ao deserto e falar-te ao coração” (Os 2, 16) — a razão para fazer da Quaresma um itinerário de deserto no encontro com Cristo. Como a brisa da tarde reconforta e fortalece das fadigas do caminho, assim também o estar com Ele permite saborear a doçura da sua presença e faz com que, em nós, irrompa toda a força da Vida que, pelo Espírito, nos fora comunicada. “E a Vida era a Luz dos homens. A Luz brilhou nas trevas” (Jo 1, 4-5) — diz São João — assinalando como é pela Vida de Deus em nós que nos tornamos “sal da terra e luz do mundo” (Mt 5, 13-14) para manifestar a glória de Deus e vencer as trevas do pecado, do mal e do egoísmo. Não são os nossos esforços ascéticos, nem as nossas obras, mas a preponderância da Vida enquanto Luz que vence os abismos da escuridão. Por isso, em Cristo encontra-se a permanência do Dom por Ele conferido, em Cristo temos acesso à intimidade do Pai.
O deserto oferece-nos o silêncio que nos abre à escuta do essencial, como a oração no Espírito[2] permite que apenas a Palavra de Deus comunique com o nosso coração e se sintonize com ele; eleva-nos à contemplação de Deus e ao contacto direto e imediato do Céu com a Terra. É aí que apreendemos o valor do outro, enquanto irmão, e da sua indispensável presença na nossa vida, pois só sobreviveremos se assumirmos a nossa condição de pessoas que vivem em comunidade.

3. A Quaresma é o tempo favorável de aproximação e preparação para a Páscoa, o verdadeiro âmago do mistério da fé. Por inerência, um tempo de deserto que, no entanto, é tempo que se faz espaço, torna-se também lugar, fonte configuradora de novas atitudes. Molda-nos, como o barro nas mãos do oleiro! Ninguém regressa do deserto indiferente; o antes transforma-se num presente com esperança renovada num futuro salvífico. É plasmado por meio da graça que lhe dá um novo sentido à luz da plenitude divina.
O nosso deserto será profícuo se for o lugar e o tempo do encontro com Cristo, o qual nos torna dóceis à vontade do Pai. Um provérbio berbere diz o seguinte: “No deserto luta-se com tudo, menos com o próprio deserto… para lhe sobreviver”. Neste tempo, colocamo-nos nas mãos de Deus, sem resistência, rendidos ao seu amor e à graça da Vida que quer irromper em nós porque, de facto, foi-nos dada e transborda tanto para o plano das nossas ações como dos nossos discursos. Não se contraria a movimentação das dunas, como não queremos oferecer resistência à força da Vida nova que quer jorrar nas obras de paz, de proximidade aos pobres e sofredores, nas ações de caridade e partilha. Os outros, os irmãos, são essenciais para a realização da vida divina, que é vida de comunhão, na qual se mostra a glória de Deus, o brilho luminoso da nossa condição redimida pela morte e ressurreição de Cristo, a realização em nós da declaração do evangelista João “e… contemplámos a Sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14).
Evocamos aqui o caminho de partilha e solidariedade que a Renúncia Quaresmal do Patriarcado de Lisboa percorreu no ano de 2023: totalizou €161.420,08 destinados à construção de uma Casa de Acolhimento para as adolescentes e jovens que vêm da montanha para estudar, em Laleia, Diocese de Baucau, em Timor-Leste. Foi um pedido das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora.
Propomos que, neste ano de 2024, o fruto da nossa Renúncia tenha um duplo fim: apoiar as obras na Casa Sacerdotal do Patriarcado de Lisboa para construir alojamentos para jovens; e apoiar obras na Escola-Orfanato das Irmãs de São José de Chambery, na Diocese de Pemba, na cidade de Mocímba da Praia e Cabo Delgado, em Moçambique, para acolher crianças e jovens vulneráveis, vítimas da guerra, e abrir furos para captação de água e, dessa forma, resolver o consumo de águas envenenadas.

4. Permanecer no Senhor é como que uma dádiva de solidão. A exemplo do deserto, pede-nos que deixemos muitas outras companhias: das coisas, dos afazeres, das preocupações, das agendas… até de pessoas, para delinear, nesse encontro, nesse tu a Tu, os traços de intimidade com Ele, gravados no nosso coração, no nosso ser.
Uma tríplice face caracteriza o rosto da nossa caminhada quaresmal: recordação, cordialidade e serviço.

a) Recordar[3], significa fazer voltar ao coração, regressar com o coração. A Quaresma faz-nos retornar aquilo que o Senhor fez por nós: a sua oferta de amor na Cruz constitui o compêndio da misericórdia para connosco. Quando contemplamos o seu rosto, recordando os seus gestos, fazemos memória viva da sua bondade, que é gratuita e incondicional. E comove-nos! Na força desta memória, que traz de volta ao coração a ação do Senhor, reencontramos também a multidão imensa por quem o Senhor deu a sua vida.
Cultivemos esta memória, que se fortalece quando estamos face a face com o Senhor, especialmente quando nos deixamos olhar e amar por Ele em adoração. Mas, também podemos cultivar entre nós a arte de recordar, valorizando os rostos que encontramos no dia a dia das nossas vidas.

b) A cordialidade exprime a ação que é realizada a partir do coração. O Papa Francisco tem apresentado um vasto programa da “cultura do coração”[4]. A Sagrada Escritura refere-se ao coração como sendo o terreno preferido do Senhor: aí, Ele pode lançar a semente da sua Palavra para que frutifique em sentimentos, projetos e ações de santidade (cf. Mt 13, 1-23); e, em nossos corações, “Deus derrama o seu amor, pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5, 5).

Eis o decálogo da cordialidade:
1. Ser compassivo e não julgar ninguém.
2. Indignar-se com os sofrimentos das vítimas da guerra e da injustiça e comprometer-se com a transformação social.
3. Amar e respeitar o outro integralmente.
4. Exercitar a paciência como caminho de amabilidade.
5. Ser responsável e comprometido com a verdade.
6. Cultivar a mansidão, a humanidade e a abertura ao diálogo com todos.
7. Colocar o amor como único e inegociável critério da ação pastoral.
8. Nutrir intimidade com Deus e viver segundo o Seu estilo.
9. Garantir o protagonismo do Espírito.
10. Promover a paz.

c) Servir. A Mensagem Quaresmal do Santo Padre para este ano tem por tema “Através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade”[5]. Servir ao Senhor e aos outros tem a sua raiz no coração convertido pela graça do Espírito. Estamos convocados para fazer da libertação de todas as escravidões um verdadeiro projeto de vida, amadurecido na Quaresma e concretizado em plenitude na vitória pascal de Cristo sobre a morte. Equivale a referir que todo o desígnio libertador contempla o amor pela verdade, porque “só a verdade vos tornará livres”; mas habilita-nos também à esperança, porque “na medida em que esta Quaresma for de conversão, a humanidade extraviada sentirá um estremeção de criatividade: o lampejar duma nova esperança”.

Deus vos abençoe! Deus abençoe o vosso caminho quaresmal!
Sempre em comunhão convosco e com Cristo Ressuscitado!

Lisboa, 07 de fevereiro de 2024, Festa das Cinco Chagas do Senhor
† RUI, Patriarca de Lisboa

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[1] Cf. Gn 12, 1-9; Ex 19, 1-25; Job 1, 1.22; Mc 14-16; 1Rs 19-22; Lc 1, 26-37.
[2] No caminho de preparação para o Jubileu do 2025 «Peregrinos da Esperança», este ano é dedicado ao “Ano de Oração».
[3] Cf. Papa Francisco, Homilia no 60° Aniversário da Faculdade de medicina e cirurgia da Universidade Católica do Sagrado Coração, 05 de novembro de 2021
[4] Papa Francisco, Mensagem para o LVII Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de janeiro de 2023
[5] Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2024, 03 de dezembro de 2023

D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa

Uma feliz quarentena!

Quaresma2024Quaresma e quarentena são palavras quase sinónimas, porque ambas significam um período de quarenta dias. Mas enquanto a Quaresma tem uma particular conotação religiosa, porque remete para o tempo que vai da quarta-feira de cinzas até ao tríduo pascal, a quarentena aplica-se sobretudo aos passageiros que, encontrando-se infectados, ficam durante quarenta dias impedidos de desembarcar, para evitar a propagação da sua doença.

A abstinência da carne é prescrita, a partir dos 14 anos, a todos os cristãos que se encontrem bem de saúde. Esta exigência deve ser especialmente observada durante a Quaresma, mas a abstinência é obrigatória todas as sextas-feiras do ano, com excepção de aquelas que coincidam com alguma solenidade, como o Natal. A razão de ser desta obrigação penitencial, que não se limita ao tempo quaresmal, decorre do facto de, tendo Jesus morrido num tal dia da semana, todas as sextas-feiras são, desde então, dias penitenciais.

Inicialmente, a abstinência cumpria-se pela privação da carne, mas basta que, nesse dia, se coma uma refeição mais simples e pobre, mesmo que não seja carne, até porque um peixe especialmente requintado, ou caro, poderia servir a letra da lei penitencial, mas contradizendo o seu espírito. A Conferência Episcopal Portuguesa também permite que se cumpra este preceito oferecendo algum sacrifício, participando na Missa, fazendo uma leitura da Sagrada Escritura, ou rezando o terço de Nossa Senhora. Também se pode substituir a abstinência pelo contributo penitencial, cujo destino é decidido cada ano pelo Bispo diocesano.

Se a abstinência é obrigatória umas 52 vezes por ano, tantas quantas as sextas-feiras, o jejum só é obrigatório, para os fiéis com mais de 18 anos e menos de 60, duas vezes ao ano: na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa.
Se a abstinência tem mais que ver com a qualidade da comida, o jejum refere-se à quantidade. Geralmente, cumpre-se omitindo uma das principais refeições do dia, ou seja, o almoço ou o jantar. No entanto, pode-se tomar um alimento ligeiro; também se pode reduzir para metade essas duas refeições, sem necessidade de suprimir radicalmente nenhuma delas. Mas, se o fizer, não vou passar fome? Sim, talvez, mas é isso mesmo que se pretende, porque esse sacrifício, que não prejudica a saúde, fortalece a vontade, sobretudo na luta contra a tentações.

Aproveitemos esta Quaresma para pôr de quarentena os nosso vícios e principais defeitos, não apenas pelo jejum e abstinência prescritos pela Igreja, mas também pela prática da caridade, sem a qual nenhum sacrifício é válido aos olhos de Deus. Uma pequena mortificação, feita por amor a Deus e ao próximo, não só fortalece a nossa alma na prática da virtude, como também dá glória a Deus e, pela comunhão dos santos, beneficia toda a Igreja. Que a presença de Nossa Senhora, junto à Cruz de Jesus, nos anime a viver com generosidade este tempo de quaresma, para depois podermos participar na alegria da ressurreição de Nosso Senhor.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada

Oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos

«Amarás ao Senhor teu Deus... Unidade24
e ao teu póximo como a ti mesmo.» (Lc 10, 27)

«Naquele tempo, levantou-se um doutor da lei e perguntou a Jesus para O experimentar:
«Mestre, que hei-de fazer para receber como herança a vida eterna?».
Jesus disse-lhe:
«Que está escrito na Lei? Como lês tu?».
Ele respondeu:
«Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento; e ao próximo como a ti mesmo».
Disse-lhe Jesus:
«Respondeste bem. Faz isso e viverás».
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus:
«E quem é o meu próximo?».
Jesus, tomando a palavra, disse:
«Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores.
Roubaram-lhe tudo o que levava, espancaram-no
e foram-se embora, deixando-o meio-morto.
Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote;
viu-o e passou adiante.
Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar,
viu-o e passou também adiante.
Mas um samaritano, que ia de viagem,
passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão.
Aproximou-se, ligou-lhe as feridas deitando azeite e vinho,
colocou-o sobre a sua própria montada,
levou-o para uma estalagem e cuidou dele.
No dia seguinte, tirou duas moedas, deu-as ao estalajadeiro e disse:
‘Trata bem dele; e o que gastares a mais eu to pagarei quando voltar’.
Qual destes três te parece ter sido o próximo
daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?».
O doutor da lei respondeu:
«O que teve compaixão dele».
Disse-lhe Jesus:
Então vai e faz o mesmo.»   (Lc 27, 25-37)


REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA O OITAVÁRIO


PRIMEIRO DIA
Um doutor da Lei se levantou e, querendo experimentar Jesus, perguntou:
“Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna?” (Lc 10, 25)

Ajudai-nos, Senhor, a ter uma vida voltada para Vós.
Passagens adicionais da Escritura: Rm 14, 8-9; Sal 103, 13-18

Reflexão
“Que devo fazer para herdar a vida eterna?” Esta pergunta crucial feita a Jesus por um doutor da lei desafia todo aquele que acredita em Deus. Ela afeta o significado de nossa vida na Terra e na eternidade. Em outra parte da Bíblia, Jesus dá-nos a definição suprema de vida eterna: “... que conheçam a ti, o Deus único e verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que enviaste” (Jo 17, 3). Conhecer a Deus significa descobrir e fazer a Sua vontade na nossa vida. Toda pessoa deseja uma vida de plenitude e verdade, e Deus também deseja isso para nós (cf. Jo 10, 10). Santo Irineu disse: "A glória de Deus é o homem vivo”.

As realidades existenciais da vida, com divisões, egoísmo e sofrimento, muitas vezes nos distanciam da busca por Deus. Jesus viveu o mistério da comunhão íntima com o Pai, que deseja preencher todos os seus filhos com a plenitude de sua vida eterna. Jesus é “o Caminho” que nos leva ao Pai, nosso destino final.
Assim, nossa busca pela vida eterna nos aproxima de Jesus e, ao fazê-lo, nos aproxima uns dos outros, fortalecendo a nossa proximidade no caminho para a unidade dos cristãos. Estejamos abertos à amizade e à colaboração como os cristãos de todas as igrejas, orando pelo dia em que todos nós poderemos nos sentar juntos à Mesa do Senhor.

Oração
Deus da vida,
Vós nos criastes para termos vida, e vida em toda a sua plenitude.
Que possamos reconhecer nos nossos irmãos e irmãs o seu desejo de vida eterna.
Ao seguirmos o caminho de Jesus com determinação, que possamos levar outras pessoas a Vós.
Nós vos pedimos em nome de Cristo, nosso Senhor. Amém


SEGUNDO DIA
Jesus respondeu: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10, 27)

Ajudai-me Senhor a amar a Vós, ao meu próximo e a mim mesmo com todas as minhas forças.
Passagens adicionais da Escritura: Dt 10, 12-13; Sal 133

Reflexão
A resposta que Jesus dá ao doutor da lei pode parecer simples, extraída dos conhecidos mandamentos de Deus. Entretanto, amar a Deus dessa forma e ao próximo como a nós mesmos pode ser difícil.

O mandamento de Deus de amá-l'O exige um compromisso profundo e significa abandonar-nos totalmente, oferecendo o nosso coração e a nossa mente para servir à vontade de Deus. Podemos pedir a graça de seguir o exemplo de Cristo, que se ofereceu totalmente e disse: “Não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22, 42). Ele também manifestou seu grande amor por todos, inclusive pelos seus inimigos. Não podemos escolher os nossos próximos. Amá-los significa estar atento às suas necessidades, aceitar as suas imperfeições e animar as suas esperanças e aspirações. A mesma atitude é necessária no caminho da unidade dos cristãos, com relação às diferentes tradições de cada um.

O chamado para amar o próximo “como a si mesmo” nos lembra da necessidade de nos aceitarmos como somos, conscientes do olhar compassivo de Deus sobre nós, sempre pronto a nos perdoar. Considere que somos a criação amada de Deus. Respeite a si mesmo. Busque a paz consigo mesmo. Da mesma forma, cada um de nós pode pedir a graça de amar e aceitar nossa própria igreja ou comunidade, com suas falhas, confiando todas as coisas ao Pai, que nos restaura por meio do Espírito Santo.

Oração
Senhor, dai-nos a graça de vos conhecer mais profundamente,
para vos amar com todo o nosso ser.
Concedei-nos um coração puro, para amarmos o próximo como a nós mesmos.
Que o dom do vosso Espírito Santo
nos permita ver a vossa presença em nossos irmãos e irmãs,
para que possamos amar uns aos outros com o mesmo amor incondicional com que Vós nos amais.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


TERCEIRO DIA
“Quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29)

Senhor, abri os nosso corações para aqueles que não vemos
Passagens adicionais da Escritura: Rm 13, 8-10; Sal 119, 57-63

Reflexão
O doutor da lei queria se justificar, esperando que o próximo a quem ele é chamado a amar fosse alguém de sua própria fé e de seu próprio povo. Esse é um instinto humano natural. Quando convidamos pessoas para nossa casa, geralmente são pessoas que compartilham nosso status social, nossa visão da vida e nossos valores. Há um instinto humano de preferir lugares de familiaridade. Isso também se aplica às nossas comunidades eclesiásticas. Mas Jesus conduz o doutor da lei, e o seu público mais amplo, para além da sua própria tradição, lembrando-os da obrigação de acolher e amar a todos, independentemente da religião, da cultura ou do status social.

O Evangelho ensina que amar aqueles que são como nós não é algo extraordinário. Jesus nos orienta para uma visão radical do que significa ser humano. A parábola ilustra de maneira muito visível o que Cristo espera de nós -que abramos nossos corações e caminhemos no seu caminho, amando os outros como ele nos ama. De fato, Jesus responde ao doutor da lei com outra pergunta: não é “quem é meu próximo”, mas “quem provou ser um próximo para o homem necessitado?”
Nossos tempos de insegurança e de medo nos confrontam com uma realidade na qual a desconfiança e a incerteza estão em primeiro plano nos relacionamentos. Esse é o desafio da parábola de hoje: para quem eu sou um próximo?

Oração
Deus de amor,
que infundis o amor em nossos corações,
dai-nos a coragem de olhar além de nós mesmos
e ver o próximo naqueles que são diferentes de nós,
para que possamos realmente seguir a Jesus Cristo,
nosso irmão e nosso amigo,
que é Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.


QUARTO DIA
Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado (Lc 10, 31)

Que nunca nos desviemos daqueles que passam necessidades.
Passagens adicionais da Escritura: Is 58, 6-9; Sal 34, 15-22

Reflexão
O sacerdote e o levita que passavam do outro lado podem ter tido boas razões religiosas para não ajudar: talvez estivessem prontos para realizar certos rituais religiosos e poderiam ter se arriscado a se contaminar se o homem estivesse morto. No entanto, em muitas ocasiões, Jesus critica a liderança religiosa por colocar as regras da religião acima da obrigação de sempre fazer o bem.

O início do texto da Semana de Oração nos mostra como o doutor da lei queria se justificar. O sacerdote e o levita da parábola teriam se sentido justificados pelo que haviam feito. Como cristãos, até que ponto estamos preparados para ir além das convenções? Às vezes, nossa miopia eclesial e culturalmente condicionada pode nos impedir de ver o que está sendo revelado pela vida e pelo testemunho de irmãs e irmãos de outras tradições cristãs. Quando abrimos os nossos olhos para ver como o amor de Deus é revelado através dos nossos condiscípulos cristãos, somos atraídos para mais perto deles e, portanto, para uma união mais profunda com eles.

Essa parábola de Jesus não apenas nos desafia a fazer o bem, mas também a ampliar a nossa visão. Não aprendemos o que é bom e santo apenas com aqueles que compartilham nossa visão de mundo confessional ou religiosa, mas muitas vezes com aqueles que são diferentes de nós. O Bom Samaritano geralmente é aquele que não esperamos.

Oração
Senhor Jesus Cristo,
Enquanto caminhamos convosco rumo à unidade,
que nossos olhos não desviem o olhar,
mas estejam bem abertos para o mundo.
Ao viajarmos pela vida,
que possamos parar e estender a mão, curar os feridos
e, ao fazê-lo, experimentemos a vossa presença neles:
Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.


QUINTO DIA
Aproximou-se dele e tratou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho (Lc 10, 34)

Senhor, ajudai-nos a perceber as feridas e encontrar esperança
Passagens adicionais da Escritura: Jl 2, 23-27; Sal 104, 14-15; 27-30

Reflexão
O bom samaritano fez o que pôde com seus próprios recursos: derramou vinho e óleo, enfaixou as feridas do homem e o colocou sobre seu próprio animal. Ele foi ainda mais longe, prometendo pagar por seus cuidados. Quando vemos o mundo com os olhos do samaritano, toda situação pode ser uma oportunidade para ajudar aos necessitados. É aí que o amor se manifesta. O exemplo do Bom Samaritano nos motiva a nos perguntarmos como responder ao nosso próximo. Ele deu vinho e óleo, restaurando o homem e dando-lhe esperança. O que podemos doar, para que possamos fazer parte da obra de Deus de curar um mundo despedaçado?

Esse despedaçamentos e manifesta no nosso mundo por meio da insegurança, do medo, da desconfiança e da divisão. Tristemente, essas divisões também existem entre os cristãos. Embora celebremos sacramentos ou outros rituais de cura, reconciliação e consolo, muitas vezes usando óleo e vinho, persistimos em divisões que ferem o Corpo de Cristo. A cura das nossas divisões cristãs promoverá a cura das nações.

Oração
Deus de toda graça,
Vós que sois a fonte de todo amor e bondade:
permiti-nos ver as necessidades de nosso próximo.
Mostrai-nos o que podemos fazer para promover a cura.
Transformai-nos para que possamos amar a todos os nossos irmãos e irmãs.
Ajudai-nos a superar os obstáculos da divisão,
para que possamos construir um mundo de paz para o bem comum.
Nós vos agradecemos por renovar a vossa Criação
e por nos conduzir a um futuro cheio de esperança:
Vós sois o Senhor de todas as coisas, ontem, hoje e para sempre. Amém.


SEXTO DIA
Colocou-o em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele (Lc 10, 34)

Senhor, transformai as nossas igrejas em pensões, para acolher os necessitados.
Passagens adicionais da escritura: Gn 18, 4-5; Sal 5, 11-12

Reflexão
O homem que caiu nas mãos dos ladrões foi atendido por um samaritano. O samaritano enxergou além do preconceito ou da parcialidade. Ele viu alguém em necessidade e o levou a uma estalagem. “No dia seguinte, pegou dois denários e entregou-os ao dono da pensão, recomendando: ‘Toma conta dele! Quando eu voltar, pagarei o que tiveres gasto a mais” (Lc 10, 35).

Em qualquer sociedade humana, a hospitalidade e a solidariedade são essenciais. Elas exigem o acolhimento de estranhos, estrangeiros, migrantes e pessoas sem-teto. Entretanto, quando nos deparamos com a insegurança, a suspeita e a violência, tendemos a desconfiar dos nossos próximos. A hospitalidade é um importante testemunho do Evangelho, especialmente em contextos de pluralismo religioso e cultural. Acolher “o outro” e ser acolhido, por sua vez, está no centro do diálogo ecuménico. Os cristãos são desafiados a transformar as nossas igrejas em pousadas onde nossos próximos possam encontrar a Cristo. Essa hospitalidade é um sinal do amor que as nossas igrejas têm umas pelas outras e por todos.

Quando nós, como seguidores de Cristo, vamos mais além de nossas tradições confessionais e escolhemos praticar a hospitalidade ecuménica, deixamos de ser estranhos e passamos a ser próximos.

Oração
Pai de amor,
Em Jesus, Vós nos mostrastes o significado da hospitalidade,
cuidando da nossa frágil humanidade.
Ajudai-nos a nos tornar uma comunidade
que acolhe aqueles que se sentem abandonados e perdidos,
construindo uma morada onde todos sejam bem-vindos.
Que possamos nos aproximar uns dos outros ao oferecermos ao mundo o vosso amor incondicional.
Nós vos pedimos na unidade do Espírito Santo. Amém.


SÉTIMO DIA
Disse Jesus: “Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?” (Lc 10,36)

Senhor, mostrai-nos como socorrer o nosso próximo.
Passagens adicionais da Escritura: Fil 2,1-5; Sal 10, 17-18

Reflexão
No final da parábola, Jesus perguntou ao doutor da lei: quem era o próximo do homem atacado pelos ladrões? O doutor da lei respondeu: “aquele que usou de misericórdia para com ele”. Ele não disse “o samaritano” e podemos imaginar que a hostilidade entre samaritanos e judeus tornou essa resposta difícil de admitir. Muitas vezes, descobrimos o próximo nas pessoas mais inesperadas, até mesmo naquelas cujo nome ou origem achamos difícil de pronunciar. No mundo de hoje, onde a política polarizada muitas vezes coloca aqueles de diferentes identidades religiosas uns contra os outros, Jesus nos desafia por meio dessa parábola a ver a importância da nossa vocação para poder cruzar as fronteiras e os muros de separação.

Assim como aconteceu com o doutor da lei, somos desafiados a refletir sobre como vivemos as nossas vidas, não apenas em termos de fazer o bem ou não, mas se, assim como o sacerdote e o levita da parábola, estamos deixando de agir com misericórdia.

Oração
Deus Santo,
O vosso Filho Jesus Cristo veio habitar entre nós
para nos mostrar o caminho da compaixão.
Ajudai-nos, por meio do vosso Espírito, a seguir o seu exemplo,
para atender às necessidades de todos os vossos filhos,
e assim dar um unido testemunho cristão dos seus caminhos de amor e de misericórdia.
Nós vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. Amém.


OITAVO DIA
Jesus lhe disse: “Vai e faze tu a mesma coisa” (Lc 10, 37)

Senhor, que o nosso seguimento seja sinal do vosso Reino
Passagens adicionais da Escritura: Rm 12, 9-13; Sal 41, 1-2

Reflexão
Por meio dessas palavras – “Vai e faze tu a mesma coisa” – Jesus envia cada um de nós, e cada uma de nossas igrejas, a viver os eu mandamento de amar. Inspirados pelo Espírito Santo, somos enviados para sermos “outros Cristos”, alcançando a humanidade sofredora com compaixão e misericórdia. Como o Bom Samaritano em relação ao homem ferido, podemos escolher não rejeitar aqueles que são diferentes, mas, em vez disso, cultivar uma cultura de proximidade e de boa vontade.
Como é que o convite de Jesus para “ir e fazer o mesmo” aplica-se à minha vida? O que é que esse chamamento de Cristo implica no meu relacionamento com os membros das outras igrejas? Como podemos dar juntos o testemunho caridoso do amor de Deus? Como embaixadores de Cristo (cf. 2 Cor 5:20), somos chamados a nos reconciliar com Deus e uns com os outros, para que a comunhão crie raízes e cresça em nossas igrejas e nas áreas afetadas por conflitos intercomunitários, como a região do Sahel.

À medida que a confiança mútua aumentar, estaremos mais dispostos a revelar nossas feridas, inclusive as eclesiais, para que o amor de Cristo possa nos visitar e nos curar por meio do amor e do cuidado uns dos outros. Empenhar-se juntos pela unidade dos cristãos ajuda a reconstruir laços mútuos, de modo que a violência possa dar lugar à solidariedade e à paz.

Oração
Pai Celeste,
nós vos agradecemos pelo dom do Espírito Santo, o doador da vida,
que nos torna mais abertos uns aos outros, resolve os conflitos
e fortalece os nossos laços de comunhão.
Que possamos crescer em estima recíproca
e no desejo de anunciar a mensagem do Evangelho com mais fidelidade,
para que o mundo possa recompor-se em unidade
e acolher o Príncipe da Paz.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Subsídio preparado pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristã os e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas.

 

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