PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - datas importantes

Unidade23Datas fundamentais na história da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

1740 Na Escócia, surgiu um movimento pentecostal, ligado à América do Norte, cuja mensagem de reavivamento incluía preces por e com todas as Igrejas.

1820 O Rev. James Haldane Stewart publica “Orientações para a união geral dos cristãos para o derramamento do Espírito”.

1840 O Rev. Ignatus Spencer, convertido ao catolicismo romano, sugere uma “União de oração pela unidade”.

1867 A Primeira Conferência de Bispos Anglicanos em Lambeth destaca a oração pela unidade no Preâmbulo de suas Resoluções.

1894 O papa Leão XIII estimula a prática de Oitava de Oração pela Unidade, no contexto de Pentecostes.

1908 Primeira vivência da Oitava da Unidade dos Cristãos, iniciativa do Rev. Paul Wattson.

1926 O movimento Fé e Constituição começa a publicar “Sugestões para uma oitava de oração pela unidade dos cristãos”.

1935 O abade Paul Couturier defende uma “Semana Universal de Orações pela Unidade dos Cristãos”, baseada em preces inclusivas pela “unidade que Cristo quiser, pelos meios que ele quiser”.

1958 A Unidade Cristã (Lyon, França) e a Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas começam a preparar em cooperação os materiais para a Semana de Oração.

1964 Em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I rezam juntos a prece de Jesus para “que todos sejam um” (João 17)

1964 O decreto sobre Ecumenismo do Vaticano II enfatiza que a oração é a alma do movimento ecuménico e incentiva a observância da Semana de Oração.

1966 A Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas e o Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (desde 1989 Pontifício Conselho e a partir de 2022 Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos) começam a preparar oficialmente juntos o material da Semana de Oração.

1968 Primeiro uso oficial do material da Semana de Oração preparado em conjunto por Fé e Constituição e pelo Secretariado para a Promoção da Unidade dos Cristãos (desde 1989 Pontifício Conselho, e a partir de 2022 Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos).

1975 Primeiro uso de material da Semana de Oração baseado em uma versão inicial de texto preparada por um grupo ecuménico local. Um grupo australiano foi o primeiro a assumir esse projecto, na preparação do texto inicial de 1975.

1988 Os materiais da Semana de Oração foram usados na celebração de fundação da Federação Cristã da Malásia, que une os grupos cristãos maioritários do país.

1994 Um grupo internacional prepara o texto para 1996, incluindo representantes de YMCA e YWCA (Associação Cristã de Jovens).

2004 Formaliza-se um acordo pelo qual os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos serão publicados e produzidos no mesmo formato por Fé e Constituição (CMI) e pelo Pontifício Conselho [a partir de 2022 Dicastério] para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Igreja Católica).

2008 Comemoração do centésimo aniversário da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (sua predecessora, a Oitava da Unidade dos Cristãos, foi observada pela primeira vez em 1908).


Temas da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos – 1968 a 2023

Desde 1968 os subsídios são elaborados conjuntamente pela Comissão “Fé e Constituição” do Conselho Mundial de Igrejas e pelo Pontifício Conselho (hoje Dicastério) para a Promoção da Unidade dos Cristãos. A partir de 1975, o folheto é realizado tendo como base um texto preparado por um grupo ecuménico local de distintos países.

1968 Para o louvor de sua glória (Efésios 1,14)

1969 Chamados à liberdade (Gálatas 5,13) (Reunião preparatório em Roma, Itália)

1970 Somos colaboradores de Deus (1 Coríntios 3,9) (Reunião preparatório no monastério de Niederaltaich, na República Federal Alemã)

1971 ... e a comunhão do Espírito Santo (2 Coríntios 13.13)

1972 Eu vos dou um novo mandamento (João 13,34) (Reunião preparatório em Genebra, Suíça)

1973 Senhor, ensina-nos a orar (Lucas 11,1) (Reunião preparatório no mosteiro de Montserrat, Espanha)

1974 Que toda língua confesse: Jesus Cristo é o Senhor (Filipenses 2,1-13) (Reunião preparatório em Genebra, Suíça)

1975 Plano de Deus: todas as coisas em Cristo (Efésios 1,3-10) (Texto base da Austrália; Reunião preparatório em Genebra, Suíça)

1976 Seremos como Ele (João 3,2) ou Chamados a ser o que somos (Texto base da Conferência Caribenha de Igrejas; reunião preparatório em Roma, Itália)

1977 A esperança não nos decepciona (Romanos 5,15) (Texto base do Líbano, no meio de uma guerra civil; reunião preparatório em Genebra, Suíça)

1978 Não sois mais estrangeiros (Efésios 2,13-22) (Texto base de Manchester, Inglaterra)

1979 Servi uns aos outros para a glória de Deus (1 Pedro 4,7-11) (Texto base da Argentina; reunião preparatório em Genebra, Suíça)

1980 Que venha o teu Reino! (Mateus 6,10) (Texto base de Berlim, República Democrática Alemã; reunião preparatório em Milão)

1981 Um Espírito – muitos dons – um só corpo (1 Coríntios 12,3b-13) (Texto base de Graymoor Fathers, USA; reunião preparatório em Genebra, Suíça)

1982 Que todos estejam na tua casa, Senhor (Salmo 84) (Texto base do Quénia; reunião preparatório em Milão, Itália)

1983 Jesus Cristo- a Vida do mundo (1 João 1,1-4) (Texto base da Irlanda; reunião preparatório em Céligny, Suíça)

1984 Chamados a ser um pela cruz de nosso Senhor (2 Coríntios 2,2 e Colossenses 1,20) (Reunião preparatório em Veneza, Itália)

1985 Da morte à vida com Cristo (Efésios 2,4-7) (Texto base da Jamaica; reunião preparatório em Grandchamp, Suíça)

1986 Vós sereis minhas testemunhas (Atos 1,6-8) (Texto base da Iugoslávia- Eslovénia; reunião preparatório na Iugoslávia)

1987 Unidos em Cristo – uma nova criação (2 Coríntios 5,17 a 6,4a) (Texto base de Inglaterra; reunião preparatório em Taizé, França)

1988 O amor de Deus afasta o medo (1 João 4,18) (Texto base da Itália; reunião preparatório em Pinerolo, Itália)

1989 Construindo a comunidade: um só corpo em Cristo (Romanos 12,5-6a) (Texto base do Canadá; reunião preparatório em Whaley Bridge, Inglaterra)

1990 Que todos sejam um... para que o mundo creia (João 17) (Texto base da Espanha; reunião preparatório em Madrid, Espanha)

1991 Louvai ao Senhor, todas as nações (Salmo 117 e Romanos 15,5-13) (Texto base da Alemanha; reunião preparatório em Rotenberg an der Fulda, República Federal da Alemanha)

1992 Estou convosco sempre... Ide, portanto (Mateus 28,16-20) (Texto base da Bélgica; reunião preparatório em Bruges, Bélgica)

1993 Dando frutos no Espírito para a unidade cristã (Gálatas 5,22-23) (Texto base do Zaire; reunião preparatório em Zurich, Suíça)

1994 A casa de Deus: chamados a ser um no coração e na mente (At 4,23-37) (Texto base da Irlanda; reunião preparatório em Dublin, República da Irlanda)

1995 Koinonia: comunhão em Deus e uns com os outros (João 15,1-17) (Texto base de Fé e Constituição; reunião preparatório em Bristol, Inglaterra)

1996 Eis que estou à porta e bato (Apocalipse 3,4-22) (Texto base de Portugal; reunião preparatório em Lisboa, Portugal)

1997 Em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus (2 Coríntios 5,20) (Texto base do Conselho Ecuménico Nórdico; reunião preparatório em Estocolmo, Suécia)

1998 O Espírito socorre a nossa fraqueza (Romanos 8,14-27) (Texto base da França; reunião preparatório em Paris, França)

1999 Deus habitará com eles. Será seu Deus e eles serão seu povo (Apocalipse 21,1-7) (Texto base da Malásia; reunião preparatório no mosteiro de Bose, Itália)

2000 Louvado seja Deus, que nos abençoou em Cristo (Efésios 1,3-14) (Texto base do Conselho de Igrejas do Oriente Médio; reunião preparatório em La Verna, Itália)

2001 Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14,1-6) (Texto base da Roménia; reunião preparatório em Vulcan, Roménia)

2002 Em ti está a fonte da vida (Salmo 36,5-9) (Texto base do CEEC e CEC; reunião preparatório perto de Augsburg, Alemanha)

2003 Trazemos este tesouro em vasos de argila (2 Coríntios 4,4-18) (Texto base da Argentina; reunião preparatório em Los Rubios, Espanha)

2004 Eu vos dou a minha paz (João 14,23-31 e João 14,27) (Texto base de Aleppo, Síria; reunião preparatório em Palermo, Sicília)

2005 Cristo, o único fundamento da Igreja (1 Coríntios 3,1-23) (Texto base da Eslováquia; reunião preparatório em Piestany, Eslováquia)

2006 Quando dois ou três se reúnem em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18,18-20) (Texto base da Irlanda; reunião preparatório em Prosperous, Co. Kildare, Irlanda)

2007 Ele faz os mudos falarem e os surdos ouvirem (Marcos 7,31-37) (Texto base da África do Sul; reunião preparatório em Faverges, França)

2008 Orai sem cessar (1 Tessalonicenses 5,12a.13b-18) (Texto base dos USA; reunião preparatório em Graymoor, Garrison, USA)

2009 Unidos em tua mão (Ezequiel 37,15-28) (Texto base da Coreia; reunião preparatório em Marselha, França)

2010 Vós sois testemunhas disso (Lucas 24,48) (Texto base da Escócia; reunião preparatório em Glasgow, Escócia)

2011 Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fracção do pão e nas orações (cf. Atos 2,42) (Texto base de Jerusalém; reunião preparatório em Saydnaya, Síria)

2012 Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1 Coríntios 15,51-58) (Texto base da Polónia; reunião preparatório realizado em Varsóvia, Polónia)

2013 O que Deus exige de nós? (cf. Miqueias 6,6-8) (Texto base da Índia; encontro preparatório realizado em Bangalore, Índia)

2014 A caso o Cristo está dividido? (1 Coríntios 1,1-17) (Texto base do Canadá; encontro preparatório realizado em Montreal, Canadá)

2015 Jesus lhe disse: Dá-me de beber (João 4,7) (Texto base do Brasil; reunião preparatório realizado em São Paulo, Brasil)

2016 Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor (cf. 1 Pedro 2,9) (Texto base da Letónia; reunião preparatório realizado em Riga, Látvia)

2017 Reconciliação – É o amor de Cristo que nos impele (cf. 2 Coríntios 5,4-20) (Texto base da Alemanha; reunião preparatório realizado em Wittenberg, Alemanha)

2018 A tua destra, Senhor, esplendorosa de poder (Ex 15,6) (Texto base do Caribe; reunião preparatório realizado em Nassau, Bahamas)

2019 Procurarás a justiça, nada além da justiça (Deuteronómio 16,18-20) (Texto base da Indonésia; reunião preparatório realizado em Jakarta, Indonésia)

2020 Eles nos demonstraram uma benevolência fora do comum (Atos 28,2) (Texto base de Malta; reunião preparatório realizado em Rabat, Malta)

2021 Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos (cf. João 15,8-9) (Texto base da Comunidade de Grandchamp – Reunião preparatória realizada em Areuse, Suíça)

2022 Vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem (Mt 2,2) (Texto base do Conselho de Igrejas do Oriente Médio, Líbano– Reunião preparatória realizada online)

2023 Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça (Isaías 1,7) (Texto base do Conselho de Igrejas de Minnesota, USA – Reunião preparatória realizada em Bossey, Suíça)


Fonte: Dicastéro para a Promoção da Unidade dos Cristãos
e Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas.

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

UnidadeRecordemos as sábias palavras do papa Bento XVI que, por ocasião do 100º aniversário do oitavário de Oração pela Unidade dos Cristãos, proferia, na Assembleia Geral de 23 de Janeiro, aos peregrinos de Roma.


Estamos a celebrar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que se concluirá sexta-feira próxima, 25 de Janeiro, festa da Conversão do Apóstolo Paulo. Os cristãos das várias Igrejas e Comunidades eclesiais unem-se nestes dias numa invocação coral para pedir ao Senhor Jesus o restabelecimento da plena unidade entre todos os seus discípulos. Trata-se de uma imploração concorde, feita com uma só alma e com um só coração, respondendo ao próprio anseio do Redentor, que na última Ceia se dirigiu ao Pai com estas palavras: "Não rogo somente por eles, mas também por aqueles que hão-de crer em mim, por meio da sua palavra, para que todos sejam um só, como Tu ó Pai estás em mim e Eu em ti; para que assim eles estejam em Nós e o mundo creia que Tu me enviaste" (Jo 17, 20-21). Pedindo a graça da unidade, os cristãos unem-se à própria oração de Cristo e comprometem-se em agir activamente para que toda a humanidade O receba e reconheça como o único Pastor e Senhor, e assim possa experimentar a alegria do seu amor.

Este ano, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos adquire um valor e um significado particulares, porque recorda os cem anos desde o seu início. Quando foi começada, tratou-se na realidade de uma intuição verdadeiramente fecunda. Aconteceu em 1908: um anglicano norte-americano, que depois entrou na comunhão da Igreja católica, fundador da "Society of the Atonement" (Comunidade dos frades e das religiosas do Atonement), Padre Paul Wattson, juntamente com outro episcopaliano, Padre Spencer Jones, lançou a ideia profética de um Oitavário de orações pela unidade dos cristãos. Esta ideia foi acolhida favoravelmente pelo Arcebispo de New York e pelo Núncio Apostólico. Depois, a convocação para rezar pela unidade foi ampliada, em 1916, a toda a Igreja católica graças à intervenção do meu venerado Predecessor, o Papa Bento XV, com o Breve Romanorum Pontificum. Esta iniciativa, que entretanto tinha suscitado não pouco interesse, começou a consolidar-se progressivamente em toda a parte e, com o tempo, definiu cada vez mais a sua estrutura, evoluindo no seu desenvolvimento também graças à contribuição do Abade Couturier (1936). Além disso, quando soprou o vento profético do Concílio Vaticano II, sentiu-se ainda mais a urgência da unidade. Após a Assembleia conciliar, continuou o caminho paciente da busca da plena comunhão entre todos os cristãos, caminho ecuménico que de ano em ano encontrou, nomeadamente na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, um dos momentos mais qualificadores e profícuos. A cem anos da primeira convocação para rezar em conjunto pela unidade, esta Semana de Oração já se tornou uma tradição consolidada, conservando o espírito e as datas escolhidas no início pelo Padre Wattson. Com efeito, ele escolheu-as pela sua índole simbólica. O calendário do tempo previa para o dia 18 de Janeiro a festa da Cátedra de São Pedro, que é um sólido fundamento e uma segura garantia de unidade de todo o povo de Deus, enquanto no dia 25 de Janeiro, tanto outrora como hoje, a liturgia celebra a festa da Conversão de São Paulo. Enquanto damos graças ao Senhor por estes cem anos de oração e de compromisso conjunto entre numerosos discípulos de Cristo, recordemos com reconhecimento o autor desta providencial iniciativa espiritual, o Padre Wattson e, juntamente com ele, aqueles que a promoveram e enriqueceram com as suas contribuições, fazendo-a tornar-se património comum de todos os cristãos.

Acabei de recordar que o Concílio Vaticano II dedicou uma grande atenção ao tema da unidade dos cristãos, especialmente mediante o Decreto sobre o ecumenismo Unitatis redintegratio onde, entre outras coisas, são fortemente sublinhados o papel e a importância da oração pela unidade. O Concílio observa que a oração se encontra no próprio cerne de todo o caminho ecuménico. "Esta conversão do coração e esta santidade de vida, juntamente com as orações particulares e públicas pela unidade dos cristãos, devem considerar-se como a alma de todo o movimento ecuménico" (Unitatis redintegratio, 8). Precisamente graças a este ecumenismo espiritual santidade da vida, conversão do coração, orações particulares e públicas a busca comum da unidade alcançou nestas décadas um grande desenvolvimento, que se diversificou em múltiplas iniciativas: do conhecimento recíproco ao contacto fraterno entre os membros de diversas Igrejas e Comunidade eclesiais, de diálogos cada vez mais amistosos e colaborações em vários campos, do colóquio teológico à busca de formas concretas de comunhão e de colaboração. O que vivificou e continua a animar este caminho para a plena comunhão entre todos os cristãos é, sobretudo, a oração. "Orai sem cessar" (1 Ts 5, 17): este é o tema da Semana deste ano; ao mesmo tempo, é o convite que nunca cessa de ressoar nas nossas comunidades, para que a oração seja a luz, a força e a orientação dos nossos passos, em atitude de escuta humilde e dócil do nosso comum Senhor.

Em segundo lugar, o Concílio chama a atenção para a oração conjunta, que se eleva em comum por parte de católicos e de outros cristãos ao único Pai celeste. A este propósito, o Decreto sobre o ecumenismo afirma: "Estas orações em comum são, sem dúvida, um meio muito eficaz para pedir a graça da unidade" (UR, 8). E isto porque, na oração em comum, as comunidades cristãs se apresentam em conjunto diante do Senhor e, tomando consciência das contradições geradas pela divisão, manifestam o desejo de obedecer à sua vontade recorrendo com confiança ao seu auxílio omnipotente. Em seguida, o Decreto acrescenta que tais preces "são uma genuína manifestação dos vínculos com que os católicos ainda estão unidos aos irmãos separados (seiuncti)" (Ibidem). Portanto, a oração não constitui um gesto voluntarista ou puramente sociológico, mas é a expressão da fé que une entre si todos os discípulos de Cristo. Ao longo dos anos instaurou-se uma fecunda colaboração neste campo e, a partir de 1968, o então Secretariado para a Unidade dos Cristãos, que depois se tornou Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, e o Conselho Ecuménico das Igrejas preparam em conjunto os subsídios da Semana de Oração pela Unidade, que sucessivamente são divulgados em conjunto a nível mundial, atingindo regiões que nunca se poderiam alcançar, se a acção fosse individual.

O Decreto conciliar sobre o ecumenismo faz referência à oração pela unidade quando, precisamente na conclusão, afirma que o Concílio está consciente de que "este propósito de reconciliar os cristãos na unidade da Igreja de Cristo, una e única, excede as forças e os dotes humanos. Por isso, deposita toda a sua esperança na oração de Jesus Cristo" (UR, 24). É a consciência dos nossos limites humanos que nos impele ao abandono confiante nas mãos do Senhor. Analisando bem, o profundo sentido desta Semana de Oração consiste precisamente em assentar de maneira sólida na oração de Cristo, que na sua Igreja contínua a rezar a fim de que "todos sejam um só... para que o mundo creia" (Jo 17, 21). Hoje sentimos vigorosamente o realismo destas palavras. O mundo sofre pela ausência de Deus, pela inacessibilidade de Deus e sente o desejo de conhecer o rosto de Deus. Contudo, como poderiam e podem, os homens de hoje, conhecer este rosto de Deus no rosto de Jesus Cristo, se nós cristãos estivermos divididos, se uns ensinam contra os outros, se uns falam contra os outros? Somente na unidade podemos mostrar realmente a este mundo que tem necessidade dele o rosto de Deus, o rosto de Cristo. Evidentemente, também não é com as nossas próprias estratégias, com o diálogo e com tudo aquilo que conseguirmos realizar e que, contudo, é muito necessário que poderemos alcançar esta unidade. Aquilo que podemos obter é a nossa disponibilidade e capacidade de acolher esta unidade, quando o Senhor no-la conceder. Eis o sentido da oração: abrir os nossos corações, criar em nós esta disponibilidade que abre o caminho para Cristo. Na liturgia da Igreja antiga, depois da homilia, o Bispo ou o Presidente da celebração, o celebrante principal, rezava: "Conversi ad Dominum". Em seguida, ele mesmo e todos se erguiam, voltando-se para o Oriente. Todos queriam contemplar Cristo. Somente se nos convertermos, só nesta conversão a Cristo, neste olhar conjunto rumo a Cristo, podemos encontrar o dom da unidade.

Podemos dizer que foi a oração pela unidade que animou e acompanhou as várias etapas do movimento ecuménico, especialmente a partir do Concílio Vaticano II. Neste período, a Igreja católica entrou em contacto com as várias Igrejas e Comunidades eclesiais do Oriente e do Ocidente com diversas formas de diálogo, enfrentando com cada uma delas aqueles problemas teológicos e históricos que surgiram no decurso dos séculos e que se estabeleceram como elementos de divisão. O Senhor fez com que estes relacionamentos amistosos tenham melhorado o conhecimento recíproco e intensificado a comunhão tornando, ao mesmo tempo, mais evidente a percepção dos problemas que permanecem insolúveis e que fomentam a divisão. Hoje, nesta Semana, damos graças a Deus que sustentou e iluminou o caminho até agora percorrido, o fecundo caminho que o Decreto conciliar sobre o ecumenismo descrevia como que surgido "por graça do Espírito Santo" e "cada vez mais amplo" (UR, 1).

Estimados irmãos e irmãs, aceitemos o convite a "rezar sem nos cansarmos", que o Apóstolo Paulo dirigia aos primeiros cristãos de Tessalónica, comunidade que ele mesmo tinha fundado. E precisamente porque sabia que existiam algumas discórdias, quis recomendar que fossem pacientes para com todos e que evitassem pagar o mal com o mal, procurando ao contrário sempre o bem entre si e com todos, e permanecendo alegres em todas as circunstâncias, felizes porque o Senhor está próximo. Os conselhos que São Paulo dava aos Tessalonicenses podem inspirar também hoje o comportamento dos cristãos no âmbito das relações ecuménicas. Sobretudo, afirma: "Vivei em paz entre vós", e depois: "Orai sem cessar. Em tudo dai graças" (1 Ts 5, 13-18). Acolhamos, também nós, esta urgente exortação do Apóstolo, tanto para dar graças ao Senhor pelos progressos alcançados no movimento ecuménico, como para inpetrar a plena unidade. A Virgem Maria, Mãe da Igreja, obtenha para todos os discípulos do seu Filho divino a graça de poderem viver quanto antes em paz e na caridade recíproca, de maneira a darem um convincente testemunho de reconciliação diante do mundo inteiro, para tornar acessível o rosto de Deus no rosto de Cristo, que é o Deus connosco, o Deus da paz e da unidade.

Papa Bento XVI, Audiência Geral, 23 de Janeiro de 2008

D. Daniel Henriques partiu para Deus

Daniel2Homilia na Missa exequial de D. Daniel Batalha Henriques
"Aprendamos com D. Daniel a viver em ação de graças"

Irmãos caríssimos, entre todas as imagens que a tradição bíblica nos oferece, para entrevermos o rosto de Deus, a mais expressiva será precisamente a do Bom Pastor, que cuida do seu povo e de cada um dos seus crentes. Imagem que ganha total evidência na pessoa de Cristo, manifestada no Evangelho que ouvimos e com as caraterísticas que tem.
Bom Pastor que conhece as suas ovelhas, todas e cada uma, que cuida especialmente das mais frágeis e vai buscar a que se perde, chegando ao ponto absoluto de por elas dar a própria vida. A experiência cristã só acontece quando O sentimos assim em relação a nós, daí brotando confiança e ação de graças. Brota também algo mais, ou seja, que sejamos propriamente dos seus, quando com Ele nos tornamos também pastores para os outros, com idêntico cuidado e sentimento.

Di-lo claramente Cristo, em frases como estas, que conhecemos bem: «Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando … O que vos mando é que vos ameis uns aos outros … Amai-vos como Eu vos amei».

Neste momento em que agradecemos a Deus a vida e ministério de D. Daniel, tudo isto se torna ainda mais evidente, por ter sido maravilhosamente demonstrado em muito do que disse e do que fez. É por ter participado tanto e tão bem do Espírito de Cristo, que agora o sentimos presente e com ele continuaremos a contar no futuro. Porque a caridade – e a caridade pastoral, no seu caso – nunca acabará.

Poderia continuar assim, e muito mais haveria a dizer, partindo das Leituras que ouvimos e evocando a vida deste grande cristão que tivemos a graça de conhecer tão de perto. Acontece, porém, que ontem mesmo tive acesso a alguns escritos seus, que me deixou para ler após a sua morte. São de tal riqueza espiritual, de tanta verdade cristã por ele vivida, que não posso deixar de os partilhar convosco nesta homilia, que passa a ser propriamente sua.

Assim nos resume a sua vida em “O meu testamento”, texto que foi escrevendo de setembro de 2019 à Quaresma de 2020: «Do nada que sou, desta poeira ínfima na imensidão do tempo e do espaço, ouso elevar a Deus Pai todo o meu louvor e a minha adoração. […] Olho com profunda gratidão para aquele dia 6 de maio de 1966 em que, levado nos braços de meus queridos pais, fui iluminado pela graça batismal. […] Como um agricultor dedicado e providente, cuidastes desta semente através dos meus pais, destes-me catequistas que ajudaram a maturar a fé e o amor à Igreja, preparando-me para aquele dia maravilhoso em que vos recebi na minha primeira comunhão e onde pude exclamar com Santa Teresinha do Menino Jesus “Ah! Como foi doce o primeiro beijo de Jesus à minha alma!”. Agradeço-Vos a paciência nas minhas resistências à fé no tempo da adolescência e o modo como logo me envolvestes, de forma apaixonada, na Vossa Santa Igreja, através do grupo de jovens que integrei e da catequese que, ainda com quinze anos, comecei a dar a crianças pequeninas, no coro alto da capela de Ribamar. Louvo-Vos, Senhor, pelo dom dos sacerdotes na minha vida, pelos seus rostos e vidas concretas onde senti a Vossa presença carinhosa e solícita. […] Eu Vos louvo, Senhor, pela bênção incomensurável que foram os seminários que frequentei ao longo dos oito anos da minha juventude. O de São Paulo, em Almada (1982-1986) e o de Cristo-Rei, nos Olivais (1986-1990). Agradeço-vos os sacerdotes das suas equipas formadoras, que tanto me ajudaram a crescer como pessoa e como cristão, bem como a discernir os sinais vocacionais que me íeis enviando. […] Agradeço-Vos, Senhor, terdes-me chamado a uma mais íntima união convosco através do sacramento da Ordem. Ainda hoje me confunde ver como escolhestes um pobre jovem de apenas 24 anos para uma missão tão grandiosa: ser presença na terra do Vosso Coração ardente de amor e disposto a oferecer-se em oblação para que todos “tenhamos vida e a tenhamos em abundância”. […] Olho cheio de comoção e gratidão para estas três décadas de vida sacerdotal. Para as primícias, os sete anos em que integrei a equipa formadora do seminário de Almada. Em cada seminarista, um mistério de amor e de cuidado pelo vosso Povo, que me confiastes para ajudar a crescer e a amar-Vos sempre mais, na Vossa Igreja. Os vinte e um anos como pároco em Famões e Ramada, em Algés e Cruz Quebrada e em Torres Vedras e Matacães. Como Vos amei e fui amado, no meio e por meio do Vosso Povo Santo! Que dons incontáveis me concedestes! Como me fizestes crescer, também nas provações e nas incertezas!»

Finalmente, sobre o episcopado, como lhe surgiu e como o cumpriu: «E então, Senhor, fizestes-me chegar àquele dia dois de outubro de 2018, quando o Senhor Patriarca D. Manuel Clemente me deu a conhecer que, através do Santo Padre, me chamáveis ao episcopado. Confesso-Vos, Senhor, que demorou tempo a ter sobre tal um olhar verdadeiramente cristão. Uma profunda insegurança, medo, confusão e resistência interior, foram os primeiros sentimentos, demasiadamente humanos, que me assaltaram. Da minha doce e tranquila condição de pároco seria arrebatado para o mar encapelado de um futuro que verdadeiramente me apavorava. […] Mas depois, Senhor, a Vossa Graça me trouxe ao caminho certo, aos Vossos caminhos, não os meus. Lembrei-me como, desde o dia da ordenação sacerdotal, a nada me tinha negado de quanto a Igreja me pedira na pessoa do meu bispo, nada tinha escolhido e nada tinha preferido, Este “sim” constante, estou absolutamente certo, é obra Vossa e não fruto da minha carne e do meu sangue».

Um episcopado muito marcado pela doença que surgiu. Pela doença que viveu numa atitude inteiramente pascal. Oiçamos o que escreveu na Quaresma deste ano de 2022: «A Vós, Senhor, o meu canto de louvor. A Vós, toda a honra e toda a glória. Por puro dom da vossa liberalidade, destes-me a graça de ainda poder cantar os Vossos louvores nesta terra do meu peregrinar, mais de dois anos e meio depois de me saber doente de um cancro colonorretal particularmente agressivo. […] Muitos me falam em pedir um milagre, o milagre da minha cura. Mas para mim, Senhor, este milagre já se realizou. Melhor, é um milagre em progresso, que se renova com o passar dos dias e dos meses. […] Depois de alguns dias vividos em alguma perplexidade, logo a tempestade se acalmou e me fizestes navegar em águas tranquilas. […] Fizestes-me compreender que esta doença é uma nova missão que me convidais a abraçar, uma missão específica dentro do chamamento ao episcopado. Também isto me trouxe grande paz, Senhor: não encarar esta doença como uma limitação no ministério episcopal, mas antes uma forma de exercer o episcopado a que Vós, nos Vossos insondáveis desígnios, agora me chamais […]: a proximidade com quem mais sofre, o testemunho e confiança na adversidade, a experiência da alegria inefável que nasce da Esperança cristã, a certeza Pascal da vitória da Vida sobre a morte, a fecundidade da doença tornada dom salvífico, quando me uno a Vós. Tudo isto, vivido na carne macerada pela doença, para que se “complete na minha carne o que falta à Paixão de Cristo” (Col 1, 24)».

Daniel3Concordemos, irmãos e irmãs, que quem vive e fala assim, já conhece tudo o que Deus nos oferece em Cristo, seja a nossa vida o que for e como for. Por isso mesmo, a fecundidade do ministério do nosso querido D. Daniel foi tão grande. E assim continua a ser, irradiando a Páscoa de Cristo. - Aprendamos com D. Daniel a viver em ação de graças. Por nós e por todos, por nós e para todos!

Sé de Lisboa, 5 de novembro de 2022
+ Manuel, Cardeal-Patriarca

Os 13 patronos da JMJ Lisboa 2023

S.AntonioO Comité Organizador da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 escolheu 13 patronos que, para D. Manuel Clemente, são santos e santas que “demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre”: S. João Paulo II, S. João Bosco, S. Vicente, Santo António, S. Bartolomeu dos Mártires, S. João de Brito, a beata Joana Princesa de Portugal, o beato João Fernandes, a beata Maria Clara do Menino Jesus, o beato Pedro Jorge Frassati, o beato Marcel Callo, a beato Chiara Badano e o beato Carlo Acutis.

“Os Patronos da JMJ Lisboa 2023 demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre. Com eles contamos, com eles partimos”, o cardeal-patriarca no texto de apresentação dos patronos da jornada.

No comunicado de imprensa, a JMJ Lisboa 2023 lembra que “a preparação, a realização e o dinamismo de cada Jornada Mundial da Juventude, que se inaugura com o encontro de jovens de todo o mundo com o Papa, são confiados a patronos, santos e santas canonizados ou com esse processo em curso, referências para a comunidade jovem”.

A divulgação dos patronos da JMJ Lisboa 2023 acontece no dia em que se assinala o aniversário de nascimento de São João Paulo II, 18 de Maio, fundador da Jornada Mundial da Juventude.

Patronos JMJ2023


Apresentação dos Patronos da JMJ Lisboa 2023

Padroeira por excelência da próxima Jornada Mundial da Juventude é a Virgem Maria, a jovem que aceitou ser mãe do Filho de Deus incarnado. Ela que se levantou e foi apressadamente para a montanha, ao encontro de sua prima Isabel, levando-lhe Jesus que concebera. Assim ensina os jovens de todo o tempo e lugar a levaram Jesus aos outros que O esperam, agora como então!

Patrono é também S. João Paulo II, a quem se deve a iniciativa das Jornadas, que têm reunido e animado milhões de jovens dos cinco continentes.

Padroeiros e padroeiras são todos os santos e santas que se dedicaram ao serviço da juventude e em especial S. João Bosco, que São João Paulo II declarou “Pai e Mestre da Juventude”. Aos formadores propôs o seu “sistema preventivo”, de permanente atualidade: «Estai com os jovens, evitai o pecado pela razão, religião e amabilidade. Tornai-vos santos, educadores de santos. Os nossos jovens sintam que são amados».

Contamos também com a proteção de S. Vicente, diácono e mártir do século IV, que sendo padroeiro da diocese a todos acolherá e reforçará com a sua caridade e testemunho evangélico.

Realizando-se em Lisboa, a Jornada terá o apoio celestial de alguns santos lisboetas, que daqui partiram para anunciar a Cristo. Como Santo António, nascido por volta de 1190, que mais tarde seguiria, já franciscano, rumo a Marrocos primeiro e logo de seguida para a Itália, o Sul de França e de novo Itália, convertendo muita gente ao Evangelho que vivia e pregava. Faleceu em Pádua em 1231 e um ano depois já tinha sido canonizado, tanta era a certeza da sua santidade. O papa Leão XIII chamou-lhe “o santo do mundo inteiro”.

Também de Lisboa foi, séculos depois, S. Bartolomeu dos Mártires, dominicano e arcebispo de Braga. Partiu para Trento, tomando parte na última fase (1562-63) do Concílio que ali quis reformar a Igreja, tornando os pastores mais próximos das ovelhas, como o Evangelho requer e tanto insiste o Papa Francisco. São Bartolomeu, no Concílio e depois, foi determinante neste sentido e ainda hoje nos motiva a todos.

Um século depois, outro jovem lisboeta, S. João de Brito, jesuíta, partiu para a Índia, para anunciar Cristo. Imparável no anúncio e nas viagens difíceis, vestindo e falando de modo a chegar a todos os grupos e classes, foi martirizado em Oriur, em 1693.

Acompanham-nos também alguns bem-aventurados (beatificados), lisboetas também. A primeira, Joana de Portugal, filha do rei Afonso V, que podendo ter sido rainha em vários reinos da Europa preferiu unir-se a Cristo e à paixão de Cristo, partindo para o claustro aos dezanove anos. Faleceu em Aveiro, no convento das dominicanas, em 1490. Chamamos-lhe Santa Joana Princesa e impele-nos a escolhas radicais.

Em 1570, João Fernandes, jovem jesuíta, foi martirizado ao largo das Canárias, quando se dirigia para a missão do Brasil. Foi um dos quarenta mártires dessa altura, chefiados pelo Beato Inácio de Azevedo. Tinham partido em resposta ao seu apelo missionário e decerto contribuíram desse modo no Céu para a missão que não conseguiram realizar na terra.

Mais tarde, Maria Clara do Menino Jesus, jovem aristocrata nascida nos arredores da capital. Ficou órfã muito cedo, mas decidiu ser “mãe” dos desamparados. Numa altura em que tal era oficialmente proibido, conseguiu fundar uma congregação religiosa dedicada a essa causa (Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição). Até falecer, em 1899, ultrapassou todas as oposições, repetindo: «Onde é preciso fazer o bem, que se faça!»

A estes jovens lisboetas que “partiram” como a Mãe de Jesus, quer na geografia do mundo quer na geografia da alma, para levarem Cristo a muitos outros, juntam-se padroeiros de outras origens, mas do mesmo Reino. Como o bem-aventurado Pedro Jorge Frassati, que até falecer em Turim, em 1925, aos vinte e quatro anos, a todos tocou com o dinamismo, a alegria e a caridade com que vivia o Evangelho, tanto escalando os Alpes como servindo os pobres. S. João Paulo II chamou-lhe “o Homem das Oito Bem-Aventuranças”.

Com a mesma juventude e generosidade, contamos com o bem-aventurado Marcel Callo, nascido em Rennes e falecido no campo de concentração de Mauthausen em 1945. Foi escuteiro e depois jocista (Juventude Operária Católica) e, quando aos 22 anos foi chamado para o trabalho obrigatório na Alemanha, para lá partiu, com a firme intenção de continuar o apostolado nessa duríssima condição. Por isso o levaram depois para o campo de concentração onde viria a morrer.

Contamos ainda com a proteção de dois jovens bem-aventurados que também “partiram”, mesmo quando a doença lhes imobilizou o corpo, mas não o coração. Como Cristo pregado na cruz, que daí mesmo partiu para o Pai e nos salvou a todos com a vida que entregou. Foi com Cristo abandonado na cruz que se quis identificar a bem-aventurada Chiara Badano, jovem focolarina, quando aos 16 anos a doença a surpreendeu. Faleceria dois anos depois, em 1990, irradiando sempre uma alegria luminosa que confirmou o nome de “Luce”, que Chiara Lubich lhe dera.

No ano seguinte, 1991, nasceu o bem-aventurado Carlo Acutis, que veio a morrer de leucemia em Monza aos quinze anos. A sua curta vida foi preenchida com grande devoção mariana e eucarística, que a habilidade com o computador lhe permitiu difundir, mesmo durante a doença. Assim mesmo fez do seu sofrimento uma oferta e partiu feliz.

No tempo de cada um, os Patronos da JMJ Lisboa 2023 demonstraram que a vida de Cristo preenche e salva a juventude de sempre. Com eles contamos, com eles partimos!

D. Manuel Clemente, Cardeal-patriarca de Lisboa


As Jornadas Mundiais da Juventude

Lisboa foi a cidade escolhida pelo Papa Francisco para a próxima edição internacional da Jornada Mundial da Juventude, que vai decorrer entre os dias 1 e 6 de agosto de 2023.

As JMJ nasceram por iniciativa do Papa São João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

Assim, em 1986, surgiu em Roma a primeira edição e, depois, a JMJ passou pelas seguintes cidades: Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

X Encontro Mundial das Famílias

Familias encontroPor ocasião do Dia Internacional da Família, domingo, 15 de maio, o Senhor Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, convoca todas as famílias para o X Encontro Mundial das Famílias que se realizará na Diocese de Lisboa no próximo mês de junho.


Caras famílias do Patriarcado de Lisboa
A todos saúdo com muita proximidade e estima, confiando na proteção da Sagrada Família de Nazaré para todos e cada um de vós.

Também para vos convocar para o X Encontro Mundial das Famílias, que se realizará em cada uma das dioceses de todo o mundo, em simultâneo com Roma, nos dias 22 a 26 de junho. Terá a sua abertura nas paróquias na quarta 22, um evento na Vigararia de Mafra na quinta 23, oração nas paróquias e nas famílias a 24, a possibilidade de participar no Congresso Teológico Pastoral "A vocação ao Amor e à Santidade dos jovens e das famílias" na paróquia de Santa Joana Princesa (Lisboa) das 10 às 19 horas, no sábado 25.

Convido-vos muito especialmente para a Festa da Família, grande encontro presencial diocesano, que decorrerá em Vialonga, Vigararia de Vila Franca de Xira, no Domingo 26 de junho, com o tema "Famílias a caminho da Jornada Mundial da Juventude". Sobre todas estas ações, podereis encontrar informação no Setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa.

Como sabeis, será na primeira semana de agosto de 2023 que Lisboa acolherá uma multidão de jovens do mundo inteiro, para viverem com o Papa Francisco essa ocasião única e marcante das suas vidas, como certamente será. Dedicada aos jovens, a JMJ mobiliza-nos a todos, mesmo aos que somos "jovens há mais tempo" e conservamos na memória os ideais dessa idade bonita, que agora partilhamos com quem vive dos 15 aos 30 anos. Partilha que acontece muito nas famílias, igrejas domésticas e local por excelência de intercâmbio de gerações. Também no que à transmissão da fé diz respeito, como já São Paulo disse ao seu jovem discípulo Timóteo: «Trago à memória a tua fé sem fingimento, que se encontrava já na tua avó Loide e na tua mãe Eunice e que, estou seguro, se encontra também em ti» (2 Tm 1, 5).

Representantes das paróquias e dos movimentos familiares católicos, por todos espero em Vialonga no Domingo 26 de Junho, que será muito preenchido de momentos de partilha, festa e celebração. Precisamos de nos ver e rever, para assim reforçarmos a certeza e a beleza da proposta familiar cristã, tão urgente hoje em dia e entre nós!

Terei todo o gosto em oferecer diplomas de Bênção aos casais que completam este ano 10, 25, 50, 60 ou mais anos de matrimónio. São magníficos marcos duma existência que acontece todos os dias. O modo de inscrição para tal também é indicado pelo Setor da Pastoral Familiar com a colaboração dos párocos.

Com oração e muita estima,
+ Manuel Clemente


Este Encontro, inicialmente previsto para 2021, será realizado de 22 a 26 de junho de 2022. Como afirmou o Papa Francisco, acontecerá de forma inédita e multicêntrica, com iniciativas globais nas dioceses do mundo inteiro, análogas às que, ao mesmo tempo, se farão em Roma. Apesar de Roma sediar o evento, cada diocese pode tornar-se o centro de um Encontro local para as suas famílias e comunidades. Tudo isso com o intuito de permitir a todos de sentir-se protagonistas, num momento em que ainda é difícil viajar por conta da pandemia.

O Vicariato de Roma e o Pontifício Conselho para os Leigos, a Família e a Vida propõem-nos sete catequeses e sete testemunhos em vídeo que contam histórias de feridas, renascimento, e fé, como um caminho espiritual de preparação para esta grande festa, que vos sugerimos percorrerem em família e em equipa. Estas catequeses estão disponíveis em https://www.romefamily2022.com/pt/catechesi/

Outros endereços úteis:
Vídeo de apresentação das orientações: https://www.youtube.com/watch?v=ge8MY8TKFE8
Sítio oficial do EMF: https://www.romefamily2022.com/pt/

Iniciativas e recursos para o Ano Família Amoris Laetitia: http://www.laityfamilylife.va/content/laityfamilylife/pt/amoris-laetitia/iniziative-e-risorse.html

 

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