PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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XVI Domingo do Tempo Comum - A

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A liturgia deste Domingo convida-nos a descobrir o Deus paciente e cheio de misericórdia, a quem não interessa a marginalização do pecador, mas a sua integração na comunidade do "Reino", convidando-nos a interiorizar essa "lógica" de Deus, deixando que ela marque o olhar que lançamos sobre o mundo e sobre os homens.

A primeira leitura fala-nos de um Deus que é indulgente e misericordioso para connosco. Agindo dessa forma, Deus convida os seus filhos a serem mais humanos, a terem um coração tão misericordioso e tão indulgente como o coração de Deus.

A segunda leitura sublinha a bondade e a misericórdia de Deus. Afirma que o Espírito Santo vem em auxílio da nossa fragilidade, guiando-nos no caminho para a vida plena.

O Evangelho garante a presença do "Reino de Deus" no nosso mundo. Esse "Reino" não é um clube exclusivo de "bons" e de "santos". Nele todos os homens encontram a possibilidade de crescer, de amadurecer as suas escolhas, de serem tocados pela graça, até ao momento final da opção definitiva.


Primeira Leitura (Sab 12,13.16-19)
Leitura do Livro da Sabedoria

Não há Deus, além de Vós,
que tenha cuidado de todas as coisas;
a ninguém tendes de mostrar que não julgais injustamente.
O vosso poder é o princípio da justiça
e o vosso domínio soberano
torna-Vos indulgente para com todos.
Mostrais a vossa força
aos que não acreditam na vossa omnipotência
e confundis a audácia daqueles que a conhecem.
Mas Vós, o Senhor da força, julgais com bondade
e governais-nos com muita indulgência,
porque sempre podeis usar da força quando quiserdes.
Agindo deste modo, ensinastes ao vosso povo
que o justo deve ser humano
e aos vossos filhos destes a esperança feliz
de que, após o pecado, dais lugar ao arrependimento.


Salmo Responsorial – Salmo 85 (86)
Refrão: Senhor, sois um Deus clemente e compassivo.

Vós, Senhor, sois bom e indulgente,
cheio de misericórdia para com todos os que Vos invocam.
Ouvi, Senhor, a minha oração,
atendei a voz da minha súplica.

Todos os povos que criastes virão adorar-vos, Senhor,
e glorificar o vosso nome,
porque Vós sois grande e operais maravilhas,
Vós sois o único Deus.

Senhor, sois um Deus bondoso e compassivo,
paciente e cheio de misericórdia e fidelidade.
Voltai para mim os vossos olhos
e tende piedade de mim.


Segunda Leitura (Rom 8,26-27)
Leitura da Epístola do apóstolo S. Paulo aos Romanos

Irmãos:
O Espírito Santo vem em auxilio da nossa fraqueza,
porque não sabemos que pedir nas nossas orações;
mas o próprio Espírito intercede por nós
com gemidos inefáveis.
E Aquele que vê no íntimo dos corações
conhece as aspirações do Espírito,
sabe que Ele intercede pelos santos
em conformidade com Deus.


Evangelho (Mt 13,24-43)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus

Naquele tempo,
Jesus disse às multidões mais esta parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um homem
que semeou boa semente no seu campo.
Enquanto todos dormiam, veio o inimigo,
semeou joio no meio do trigo e foi-se embora.
Quando o trigo cresceu e deu fruto,
apareceu também o joio.
Os servos do dono da casa foram dizer-lhe:
'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo?
Donde vem então o joio?
Ele respondeu-lhes: 'Foi um inimigo que fez isso'.
Disseram-lhe os servos:
'Queres que vamos arrancar o joio?'
'Não! – disse ele –
não suceda que, ao arrancardes o joio,
arranqueis também o trigo.
Deixai-os crescer ambos até à ceifa
e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros:
Apanhai primeiro o joio e atai-o em molhos para queimar;
e ao trigo, recolhei-o no meu celeiro'.»

Jesus disse-lhes outra parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um grão de mostarda
que um homem tomou e semeou no seu campo.
Sendo a menor de todas as sementes,
depois de crescer, é a maior de todas as hortaliças
e torna-se árvore, de modo que as aves do céu vêm abrigar-se nos seus ramos.»

Disse-lhes outra parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se ao fermento
que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha,
té ficar tudo levedado".
Tudo isto disse Jesus em parábolas,
e sem parábolas nada lhes dizia,
a fim de se cumprir o que fora anunciado pelo profeta,
que disse: "Abrirei a minha boca em parábolas,
proclamarei verdades ocultas desde a criação do mundo.»

Jesus deixou então as multidões e foi para casa.
Os discípulos aproximaram-se d'Ele e disseram-Lhe:
"Explica-nos a parábola do joio no campo".
Jesus respondeu:
«Aquele que semeia a boa semente é o Filho do homem
e o campo é o mundo.
A boa semente são os filhos do reino,
o joio são os filhos do Maligno
e o inimigo que o semeou é o Demónio.
A ceifa é o fim do mundo
e os ceifeiros são os Anjos.
Como o joio é apanhado e queimado no fogo,
assim será no fim do mundo:
o Filho do homem enviará os seus Anjos,
que tirarão do seu reino todos os escandalosos
e todos os que praticam a iniquidade,
e hão-de lançá-los na fornalha ardente;
aí haverá choro e ranger de dentes.
Então, os justos brilharão como o sol
no reino do seu Pai.
Quem tem ouvidos, oiça.»


Ressonâncias
trigo_joio
trigo_joio

A Parábola do trigo e do joio revela-nos duas atitudes: A impaciência dos homens: "Senhor, queres que arranquemos o joio?"; e a paciência de Deus: "Deixai crescer junto até a colheita..."
Deus não quer a destruição do pecador e a segregação dos maus. "Deus é paciente e misericordioso, lento para a ira e rico de misericórdia".

Na construção do Reino, é preciso ter Paciência e esperar a hora certa para a separação final na colheita.
A paciência de Deus com o joio convida-nos a rejeitar as atitudes de rigidez e de intolerância, de incompreensão e de vingança e a sermos tolerantes e compreensivos para com os nossos irmãos.

Joio e Trigo estão em todo o lado. Esquecemos que o mal e o bem se misturam no mundo, na vida e no nosso coração?!; Esquecemos que o Reino de Deus é um mundo de trigo e de joio, de guerra e de paz, de gozo e inquietação?!, Esquecemos que o joio de hoje poderá tornar-se amanhã trigo para Deus?!; Esquecemos que mesmo dentro de cada um nós há trigo, mas muitas vezes abunda também o joio?!

E então, ficar de braços cruzados passivamente? Não, as outras duas parábolas complementam a mensagem: devemos ser a semente da mostarda, pequena, insignificante, mas que cresce até acolher os pássaros nos seus ramos; devemos ser o fermento que leveda toda a massa da farinha e o mundo em que vivemos. Assim estaremos a transformar o joio em trigo.

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O Reino de Deus já está presente entre nós, mesmo misturado com o joio, mesmo pequeno como o grão de mostarda, ou um pouco de fermento...«Assim como o fermento comunica a sua força à massa da farinha, assim também vós transformareis o mundo inteiro. [...] O fermento faz levedar a massa quando é posto em contacto com a farinha; melhor ainda, quando é misturado completamente com ela.

O Senhor também não diz que a mulher colocou o fermento, mas que ela o misturou na farinha. [...] Somente Cristo dá tal força ao fermento; misturou com a multidão os que tinham fé n'Ele para que comunicássemos uns aos outros os nossos conhecimentos.

Que ninguém O recrimine pelo pequeno número dos seus discípulos, pois o poder da pregação é grande, e, quando a massa está frementada, ela torna-se, por sua vez, em fermento para todo o resto.»

(S. João Crisóstomo)


Especializa-teHelderCamara
HelderCamara

Especializa-te em tentar descobrir
em toda e qualquer criatura
o lado bom que ela possui
– ninguém é maldade concentrada.

Especializa-te em tentar descobrir
em toda e qualquer ideologia a alma de verdade
que ela carrega no seio
– a inteligência é incapaz de aderir ao erro total...

(Dom Hélder Câmara)

Ver mais longe

Já todos conhecem a história daquele judeu que depois de tanto combater o cristianismo, foi viver, durante algum tempo, no anonimato, numa comunidade cristã. Queria ver a vida real dos cristãos. Lá foi acompanhando as celebrações, ouvindo as pregações, seguindo o quotidiano daquela gente. Quanto mais reparava na falta de coerência, mais ficava pensativo. Anotou tantos aspectos negativos pois o trigo perdia-se no meio de tanto joio. Por fim tomou posição:
- Vivi com os cristãos e vi tanta miséria, muito fingimento. Mas se o cristianismo continua vivo, apesar de tudo isto, quer dizer que é uma obra de Deus. Agora acredito no seu valor.

Tal como num estabelecimento, há que distinguir o que está na montra e o que há no interior. A montra pode ter uma fraca apresentação: poeirenta, antiquada, desprezível ou descuidada. Só as pessoas muito decididas é que não se deixam desencorajar pelo que vêem na montra e ousam entrar para pedir, no interior, o que não viram exposto. E encontram sempre, numa gaveta, no fundo de um armário, num sótão cheio de pó.

A nossa vida cristã nem sempre é o que se pretende, ou o que se mostra, ou o que até aqui se tem vivido. Há muito joio. Se alguém ver apenas a mostra, isto é, ver-nos sair de uma missa dominical, ver-nos rezar, ver-nos viver em comum, fica logo desanimado. É preciso ter a coragem de pedir no interior o que não viu na montra.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

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