PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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XV Domingo do Tempo Comum - A

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A Liturgia desse Domingo convida-nos a reflectir sobre a importância da Palavra de Deus e exorta-nos a ser "terra boa" que acolhe a Palavra e produz frutos abundantes na vida.

A Primeira leitura garante-nos que a Palavra de Deus é verdadeiramente fecunda e criadora de vida. É sempre eficaz, embora não actue sempre de acordo com os nossos interesses e critérios.

Na Segunda leitura, Paulo atesta-nos que o tempo da sementeira é sempre difícil, sofre-se com a dor e a espera, mas não se trata de um grito de morte, mas sim do início de uma nova vida que está a chegar. Podemos, no entanto, dizer que a Palavra de Deus é que fornece os critérios para que o homem possa viver "segundo o Espírito" e para que ele possa construir o "novo céu e a nova terra" com que sonhamos.

O Evangelho propõe-nos, em primeiro lugar, uma reflexão sobre a forma como acolhemos a Palavra e exorta-nos a ser uma "boa terra", disponível para escutar as propostas de Jesus, para as acolher e para deixar que elas dêem abundantes frutos na nossa vida de cada dia. Garante-nos também que o "Reino" proposto por Jesus será uma realidade imparável, onde se manifestará em todo o seu esplendor e fecundidade a vida de Deus.


Primeira Leitura (Is 55,10-11)
Leitura do Livro de Isaías

Eis o que diz o Senhor:
"Assim como a chuva e a neve que descem do céu
não voltam para lá sem terem regado a terra,
sem a terem fecundado e feito produzir,
para que dê a semente ao semeador e o pão para comer,
assim a palavra que sai da minha boca
não volta sem ter produzido o seu efeito,
sem ter cumprido a minha vontade,
sem ter realizado a sua missão".


Salmo Responsorial – Salmo 64 (65)
Refrão: A semente caiu em boa terra e deu muito fruto.

Visitastes a terra e a regastes,
enchendo-a de fertilidade.
As fontes do céu transbordam em água
e fazeis brotar o trigo.

Assim preparais a terra;
regais os seus sulcos e aplanais as leivas,
Vós a inundais de chuva
e abençoais as sementes.

Coroastes o ano com os vossos benefícios,
por onde passastes brotou a abundância.
Vicejam as pastagens do deserto
e os outeiros vestem-se de festa.

Os prados cobrem-se de rebanhos
e os vales enchem-se de trigo.
Tudo canta e grita de alegria.


Segunda Leitura (Rom 8,18-23)
Leitura da Epístola do apóstolo S. Paulo aos Romanos

Irmãos:
Eu penso que os sofrimentos do tempo presente
não têm comparação com a glória
que se há-de manifestar em nós.
Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente
a revelação dos filhos de Deus.
Elas estão sujeitas à vã situação do mundo,
não por sua vontade,
mas por vontade d'Aquele que as submeteu,
com a esperança de que as mesmas criaturas
sejam também libertadas da corrupção que escraviza,
para receberem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.
Sabemos que toda a criatura geme ainda agora
e sofre as dores da maternidade.
E não só ela, mas também nós,
que possuímos as primícias do Espírito,
gememos interiormente,
esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo.


Evangelho (Mt 13,1-23)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus

Naquele dia,
Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar.
Reuniu-se à sua volta tão grande multidão
que teve de subir para um barco e sentar-Se,
enquanto a multidão ficava na margem.
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
"Saiu o semeador a semear.
Quando semeava,
caíram algumas sementes ao longo do caminho:
vieram as aves e comeram-nas.
Outras caíram em sítios pedregosos,
onde não havia muita terra,
e logo nasceram porque a terra era pouco profunda;
mas depois de nascer o sol, queimaram-se e secaram,
por não terem raiz.
Outras caíram entre espinhos
e os espinhos cresceram e afogaram-nas.
Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça".
Os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe:
"Porque lhes falas em parábolas?"
Jesus respondeu-lhes:
"Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos Céus,
mas a eles não.
Pois àquele que tem dar-se-á e terá em abundância;
mas àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado.
É por isso que lhes falo em parábolas,
porque vêem sem ver e ouvem sem ouvir nem entender.
Neles se cumpre a profecia de Isaías que diz:
'Ouvindo ouvireis, mas sem compreender;
olhando olhareis, mas não vereis.
Porque o coração deste povo tornou-se duro:
endureceram os seus ouvidos e fecharam os seus olhos,
para não acontecer
que, vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos
e compreendendo com o coração,
se convertam e Eu os cure'.
Quanto a vós, felizes os vossos olhos porque vêem
e os vossos ouvidos porque ouvem!
Em verdade vos digo: muitos profetas e justos
desejaram ver o que vós vedes e não viram
e ouvir o que vós ouvis e não ouviram.
Vós, portanto, escutai o que significa a parábola do semeador:
Quando um homem ouve a palavra do reino
e não a compreende,
vem o Maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração.
Este é o que recebeu a semente ao longo do caminho.
Aquele que recebeu a semente em sítios pedregosos
é o que ouve a palavra e a acolhe de momento,
mas não tem raiz em si mesmo, porque é inconstante,Semeador3b

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e, ao chegar a tribulação ou a perseguição por causa da palavra,
sucumbe logo.
Aquele que recebeu a semente entre espinhos
é o que ouve a palavra,
mas os cuidados deste mundo e a sedução da riqueza
sufocam a palavra, que assim não dá fruto.
E aquele que recebeu a palavra em boa terra
é o que ouve a palavra e a compreende.
Esse dá fruto,
produz ora cem, ora sessenta, ora trinta por um".


Ressonâncias...

A Parábola propõe-nos três perguntas:
1. Que terreno somos nós? Muitas vezes questionamos o pregador da Palavra de Deus: "Foi comprido, foi repetitivo, foi aborrecido..." E como questionar também a nossa atitude de ouvintes? O acolhimento do Evangelho não depende nem da Semente, nem do Semeador, mas da qualidade da terra.
2. Que semeadores somos nós? Cuidamos do nosso terreno, retiramos as pedras e os espinhos que atrapalham? Procuramos cuidar da semente que vamos semear, cultivando-nos e actualizando-nos? (Na catequese, liturgia, canto, escola, família...)
3. Vale ou não a pena semear? A parábola de Jesus é uma parábola de esperança. Jesus é o Semeador, e nós – com Ele – também o somos. Ele semeia em todos os terrenos, mesmo aqueles que parecem inférteis. Algumas sementes acabam germinar... O importante é semear o grão da esperança.

Semear o sorriso para que resplandeça ao redor de nós. Semear as nossas energias para enfrentar as batalhas da vida. Semear a nossa coragem para reerguer a coragem do outro. Semear o nosso entusiasmo, a nossa fé, o nosso amor...
Apesar dos obstáculos, a semente não perde a sua força. Deus lança a semente em todas direcções, sem recusar os pecadores endurecidos, os superficiais, ou aqueles que vivem obcecados com as preocupações do mundo.

O Evangelho de hoje garante-nos, que apesar do aparente fracasso, o sucesso do "Reino" está sempre garantido; e o resultado final será algo de surpreendente e de maravilhoso. Deus garante-nos: "A palavra de Deus não voltará sem produzir o seu fruto."


Semeando...

Contou um Rabino que havia dois irmãos que sempre viveram na cidade e nunca tinham visto nem um campo nem uma pastagem. Um dia foram dar um passeio pelo campo. À medida que caminhavam viram um agricultor a arar.
– Que coisa mais estranha. Este sujeito passa o dia andando para cá e para lá rasgando a terra. Porque haveria de destruir este belo chão?semead07

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Mais tarde passaram de novo no mesmo lugar e viram-no a semear o terreno arado.
– Esta aldeia não é para mim, disse um dos irmãos. As pessoas aqui comportam-se de modo irracional. Vou para casa.

Mas o outro ficou e depois de algumas semanas viu uma maravilhosa diferença: a terra cobriu-se de plantinhas verdes. Escreveu ao irmão para que voltasse. Aquele veio e ficou admirado. Com o passar dos dias a terra transformou-se num campo dourado de trigo maduro. Compreenderam então o comportamento do agricultor.... Ao semear um saco de trigo, ele tinha colhido um campo inteiro.

É assim que Deus trabalha, concluiu o rabino. Nós, mortais, só vemos o começo do seu plano. Não podemos entender o plano total e o fim último da sua criação. Temos que confiar na sua sabedoria.
Este semeador é Deus que cumpre a sua missão e semeia com generosidade. Ele dá as mesmas oportunidades a todos. A semente é igual para todos, sempre útil para alguém, mais não seja para os pardais. Tem sempre capacidade de germinar desde que lhe dêem essa oportunidade.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

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