PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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JcNazare

A liturgia da Palavra deste Domingo mostra-nos que Deus chama continuamente pessoas para serem testemunhas do seu projecto de salvação.

Não interessa se elas são ou não frágeis e limitadas; a força de Deus manifesta-se, por isso Ele escolhe e envia: um profeta desterrado – Ezequiel; um carpinteiro, o filho de Maria – Jesus; e um que O perseguiu e que reconhece profundamente as suas fraquezas – Paulo.

A primeira leitura apresenta-nos um extracto do relato da vocação de Ezequiel. A vocação profética é aí apresentada como uma iniciativa de Javé, que chama um homem "normal", com os seus limites e fraquezas para ser, no meio do seu Povo que estava exilado na Babilónia, a voz de Deus.

Na segunda leitura, Paulo assegura aos cristãos de Corinto (recorrendo ao seu exemplo pessoal) que Deus actua e revela o seu poder no mundo através de instrumentos frágeis e limitados. Na acção do apóstolo manifesta-se ao mundo e aos homens a força e a vida de Deus.

O Evangelho, ao mostrar como Jesus foi recebido pelos seus conterrâneos em Nazaré, reafirma uma ideia que aparece também nas outras duas leituras deste domingo: Deus manifesta-Se aos homens na fraqueza e na fragilidade. Quando os homens se recusam a entender esta realidade, facilmente perdem a oportunidade de descobrir o Deus que vem ao seu encontro e de acolher os desafios que Ele lhes apresenta.


LEITURA I – Ez 2,2-5
Leitura da Profecia de Ezequiel

Naqueles dias,
o Espírito entrou em mim e fez-me levantar.
Ouvi então Alguém que me dizia:
«Filho do homem,
Eu te envio aos filhos de Israel,
a um povo rebelde que se revoltou contra Mim.
Eles e seus pais ofenderam-Me até ao dia de hoje.
É a esses filhos de cabeça dura e coração obstinado
que te envio, para lhes dizeres:
'Eis o que diz o Senhor'.
Podem escutar-te ou não
– porque são uma casa de rebeldes –,
mas saberão que há um profeta no meio deles».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 122 (123)
Refrão: Os nossos olhos estão postos no Senhor,
            até que Se compadeça de nós.

Levanto os olhos para Vós,
para Vós que habitais no Céu,
como os olhos do servo
se fixam nas mãos do seu senhor.

Como os olhos da serva
se fixam nas mãos da sua senhora,
assim os nossos olhos se voltam para o Senhor nosso Deus,
até que tenha piedade de nós.

Piedade, Senhor, tende piedade de nós,
porque estamos saturados de desprezo.
A nossa alma está saturada do sarcasmo dos arrogantes
e do desprezo dos soberbos.


LEITURA II – 2Cor 12,7-10
Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo aos Coríntios

Irmãos:
Para que a grandeza das revelações não me ensoberbeça,
foi-me deixado um espinho na carne,
– um anjo de Satanás que me esbofeteia –
para que não me orgulhe.
Por três vezes roguei ao Senhor que o apartasse de mim.
Mas Ele disse-me: «Basta-te a minha graça,
porque é na fraqueza que se manifesta todo o meu poder».
Por isso, de boa vontade me gloriarei das minhas fraquezas,
para que habite em mim o poder de Cristo.
Alegro-me nas minhas fraquezas,
nas afrontas, nas adversidades,
nas perseguições e nas angústias sofridas por amor de Cristo,
porque, quando sou fraco, então é que sou forte.


EVANGELHO – Mc 6,1-6
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo,
Jesus dirigiu-Se à sua terra
e os discípulos acompanharam-n'O.
Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga.
Os numerosos ouvintes estavam admirados e diziam:
«De onde Lhe vem tudo isto?
Que sabedoria é esta que Lhe foi dada
e os prodigiosos milagres feitos por suas mãos?
Não é ele o carpinteiro, Filho de Maria,
e irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão?
E não estão as suas irmãs aqui entre nós?»
E ficavam perplexos a seu respeito.
Jesus disse-lhes:
«Um profeta só é desprezado na sua terra,
entre os seus parentes e em sua casa».
E não podia ali fazer qualquer milagre;
apenas curou alguns doentes, impondo-lhes as mãos.
Estava admirado com a falta de fé daquela gente.
E percorria as aldeias dos arredores, ensinando.


Ressonâncias

Jesus está na sinagoga de Nazaré. O povo admira-se com a sua sabedoria e os seus milagres e, perplexo, pergunta-se: "Quem é este homem? Não é ele o carpinteiro, o filho de Maria?"
Este Jesus não podia, para eles, ser o Messias esperado. Aguardavam um guerreiro poderoso como David; sábio como Salomão – não um humilde carpinteiro! Conheciam bem o filho de Maria. Claro que não poderia ser Ele o enviado do Pai...

Para as gentes de Nazaré, Deus é demasiado grande para abaixar-se e falar através de um homem tão simples! Demasiado humano este Messias, demasiado banal o seu viver, demasiado frágil e pobre para um Deus! Não conseguem reconhecer em Jesus o Messias esperado e, por isso, rejeitam-n'O por ser um homem comum do povo.
Jesus, decepcionado com a incompreensão dos seus (até os próprios parentes o repudiam!), conclui: "Um profeta só é desprezado na sua terra, entre os seus parentes e em sua casa."

Quem é profeta? Todo cristão é pelo baptismo chamado a ser profeta de Deus. Não se espera dele que faça milagres ou preveja o futuro, mas que transmita a Palavra do Senhor. Deus não tem boca e precisa de alguém para ser a sua "Voz". Para isso, deve escutar a Sua mensagem e deixar que ela penetre até o íntimo do coração e só depois anunciá-la com entusiasmo e fidelidade.

Como desempenhar a missão de profeta? Ele deve estar em comunhão com Deus e atento à realidade humana. Intervém, em nome de Deus, para denunciar, para avisar, para corrigir.
A denúncia profética implica, muitas vezes, a perseguição, o sofrimento, a marginalização e, em muitos casos, até a própria morte...
Normalmente, Deus não se manifesta na força, no poder, nas qualidades que os homens admiram tanto. Ele vem ao nosso encontro na fraqueza, na simplicidade, nas pessoas mais humildes e modestas.
As nossas limitações humanas não podem servir de desculpa para não realizar a missão que Deus nos confia. Se Ele nos pede um serviço, também nos dará a força para superar os nossos limites e cumprir o que Ele nos propõe.

Jesus não fez milagres em Nazaré porque não acreditaram n'Ele. Hoje será diferente? Afirma-se: "Santos de casa não fazem milagres". Mas perguntamo-nos: porque será? A culpa será dele ou nossa? Notamos que há pessoas, ignoradas ou rejeitadas na própria casa/terra, mas fora daquele espaço fazem prodígios? Porque será? E tu, escutas a voz profética dos teus irmãos?

A Liturgia de hoje apresenta-nos três bonitos exemplos: Ezequiel, Paulo e Jesus. Diante das dificuldades, nenhum deles desistiu. Lutaram e venceram. Nós também podemo-nos sentir na mesma situação. O testemunho, que Deus nos chama a dar, realiza-se – não raras vezes – no meio de incompreensões e oposições. Frequentemente, sentimo-nos desanimados e frustrados porque não somos entendidos nem acolhidos. Temos a sensação de que estamos a perde tempo. A atitude de Jesus convida-nos a nunca desanimar nem desistir. Deus tem os seus projectos e sabe bem como transformar um fracasso em êxito.

Qual a nossa atitude? Aceitamos nós ser a "Voz" de Deus na comunidade, na família, no trabalho, mesmo diante das contrariedades e adversidades? Valorizamos as pessoas que actuam com dedicação na nossa comunidade, acolhendo-as como a "Voz" de Deus? Abramo-nos aos outros e dar-nos-emos conta que os "santos de casa" também podem fazer milagres!...


Sem Fronteiras

Um grupo de jovens partilhou a sua reflexão sobre a frase evangélica: "Ninguém é profeta na sua terra pois só é desprezado aí, entre os seus parentes e em sua casa..." Eis aqui o resultado deste trabalho:

— Esta frase vem confirmar que o profeta não deve casar porque senão seria desprezado lá em casa, comprometendo a sua acção.
— Porque o profeta não tem terra, não tem família, não é de ninguém: é só de Deus. Como deve viver despojado, o profeta não tem raízes fixas.
— Isto é para evitar a tentação de muitas pessoas que para os de fora são mel mas para os de dentro são fel.
— Porque ser profeta é ser peregrino, missionário ou enviado.
— Porque o conhecimento que os outros têm do profeta não pode sobrepôr-se ao conhecimento da palavra que ele proclama.
— Porque os da sua terra poderiam achar que têm mais direito do que ele a ser profeta.
— Para que ninguém possa concluir que a sua mensagem é uma questão de bairrismo.
— Para que uma terra possa ajudar outra e vice-versa, pois nenhuma é auto-suficiente.
— Para que seja mais livre e não esteja condicionado pelos laços familiares.
— Porque é preciso alargar fronteiras.
— Para lembrar que um profeta vem de fora: vem do Céu.

Pe. José David Quintal Vieira, scj


 Ninguém é profeta na sua terra

Contigo, Pai, suporta-se melhor a incompreensão,
porque Tu fortaleces a nossa segurança,
curas-nos do desejo de aceitação
e fazes com que nos abandonemos à Tua missão.

Liberta-nos da ilusão de agradarmos a toda a gente,
da necessidade de aprovação de quem nos é próximo,
do desejo de aplauso de quem está longe,
e da tirania do prestígio pessoal.

Porque seguir-Te é ir contra a corrente
neste mundo sem Deus em que vivemos,
numa época de fatalismo e de desencanto
que apenas Tu podes revolucionar e de novo fazer sonhar.

E quando não nos entendem ou nos crêem loucos,
quando sentimos o temor dos inseguros,
e começamos a pensar se estarão certos...
seguir-Te renova-nos a esperança.

Tu, que tens um sonho de felicidade
para cada um de nós,
anima-nos a contá-lo, a promovê-lo, a contagiá-lo,
sugerindo-nos a forma certa de realizá-lo.

Impõe sobre nós as Tuas mãos que curam
para nos limpares dos desencantos,
dos medos e das nossas contínuas dúvidas,
e sermos como Tu, envolvendo os outros no Teu amor.

Amen.

 

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