2012 - o Ano da Fé

Estamos a celebrar, desde o dia 11 de Outubro, os 50 anos do início do Concílio Ecuménico Vaticano II. Somos convidados a recordar este grande acontecimento e a agradecer a Deus tão grande dom que concedeu à sua Igreja e a rejubilar pelos frutos do Concílio.
Convocação do Concílio Vaticano II
Constituição Apostólica do Papa João XXIIII
CONVOCAÇÃO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II
1. O divino Redentor Jesus Cristo que, antes de subir ao céu, dera aos Apóstolos o mandato de pregar o evangelho a todos os povos, para sustento e garantia de sua missão, fez-lhes a consoladora promessa: "Eis que estarei convosco todos os dias até o fim dos séculos" (Mt 28,20).
2. Esta divina presença, sempre viva e operante na Igreja, é sentida sobretudo nos períodos mais graves da humanidade. É então que a esposa de Cristo se mostra em todo o seu esplendor de mestra da verdade e ministradora de salvação; e é então que, também, exerce todo o poder da caridade, da oração, do sacrifício e do sofrimento: meios espirituais invencíveis, usados por seu divino Fundador que em hora solene de sua vida declarou: "Tende confiança: Eu venci o mundo" (Jo 16,33).
Averiguações dolorosas
3. A Igreja assiste, hoje, à grave crise da sociedade. Enquanto para a humanidade surge uma era nova, obrigações de uma gravidade e amplitude imensas pesam sobre a Igreja, como nas épocas mais trágicas da sua história. Trata-se, na verdade, de pôr em contacto com as energias vivificadoras e perenes do evangelho o mundo moderno: mundo que se exalta por suas conquistas no campo da técnica e da ciência, mas que carrega também as consequências de uma ordem temporal que alguns quiseram reorganizar prescindindo de Deus. Por isso, a sociedade moderna se caracteriza por um grande progresso material a que não corresponde igual progresso no campo moral. Daí, enfraquecer-se o anseio pelos valores do espírito e crescer o impulso para a procura quase exclusiva dos gozos terrenos, que o avanço da técnica põe, com tanta facilidade, ao alcance de todos; e mais ainda — um facto inteiramente novo e desconcertante — a existência do ateísmo militante, operando em plano mundial.
Motivos de confiança
4. Estas dolorosas averiguações conclamam ao dever da vigilância e despertam o senso da responsabilidade. Almas sem confiança vêem apenas trevas tomando conta da face da terra. Nós, porém, preferimos rearmar toda a nossa confiança em nosso Salvador, que não se afastou do mundo, por ele remido. Antes, mesmo, apropriando-nos da recomendação de Jesus, de saber distinguir "os sinais do tempo" (Mt 16,3), pareceu-nos vislumbrar, no meio de tanta treva, não poucos indícios que dão sólida esperança de tempos melhores para a Igreja e a humanidade. Pois mesmo as guerras sangrentas que se seguiram em nossos tempos, as ruínas espirituais causadas por tantas ideologias e os frutos de experiências tão amargas, não se processaram sem deixar úteis ensinamentos. E o progresso científico, que deu ao homem a possibilidade de criar instrumentos catastróficos para a sua destruição, fez com que se levantassem interrogações angustiosas: obrigou os seres humanos a se tornarem mais ponderados, mais conscientes dos próprios limites, mais desejosos de paz, atentos à importância dos valores do espírito; acelerou o processo de mais estreita colaboração e mútua integração entre os indivíduos, classes e nações, à qual, embora entre mil incertezas, parece já encaminhada a família humana. Tudo isto facilita, sem dúvida, o apostolado da Igreja, pois muitos que ontem não percebiam a importância de sua missão, hoje, ensinados pela experiência, estão mais dispostos a acolher suas advertências.
Hodierna vitalidade da Igreja
5. Se voltarmos a atenção para a Igreja, vemos que ela não permaneceu inerte espectadora em face destes acontecimentos, mas seguiu, passo a passo, a evolução dos povos, o progresso científico, as revoluções sociais; opôs-se, decididamente, às ideologias materialistas e negadoras da fé; viu, enfim, brotarem de seu seio e desprenderem-se imensas energias de apostolado, de oração, de acção em todos os campos, por parte, primeiramente, do clero sempre mais à altura de sua missão pela doutrina e virtude e, depois, por parte do laicado, que se tornou sempre mais consciente de suas responsabilidades no seio da Igreja e, de modo particular, de seu dever de colaborar com a hierarquia eclesiástica. A isto se acrescentam os imensos sofrimentos de cristandades inteiras, onde uma multidão de pastores, de sacerdotes e de leigos, pela invicta firmeza da própria fé, sofrem perseguições de todo género e revelam heroísmo certamente não inferior aos dos períodos mais gloriosos da Igreja. Assim, se o mundo aparece profundamente mudado, também a comunidade cristã está em grande parte transformada e renovada: isto é, socialmente fortalecida na unidade, intelectualmente revigorada, interiormente purificada, pronta, desta forma, a enfrentar todos os combates da fé.
O Concílio ecuménico Vaticano II
6. Diante deste duplo espectáculo: um mundo que revela um grave estado de indigência espiritual e a Igreja de Cristo, tão vibrante de vitalidade, nós, desde quando subimos ao supremo pontificado, não obstante nossa indignidade e por um desígnio da Providência, sentimos logo o urgente dever de conclamar os nossos filhos para dar à Igreja a possibilidade de contribuir mais eficazmente na solução dos problemas da idade moderna. Por este motivo, acolhendo como vinda do alto uma voz íntima de nosso espírito, julgamos estar maduro o tempo para oferecermos à Igreja católica e ao mundo o dom de um novo concílio ecuménico, em acréscimo e continuação à série dos vinte grandes concílios, realizados ao longo dos séculos, como uma verdadeira providência celestial para incremento da graça na alma dos fiéis e para o progresso cristão. A jubilosa repercussão que teve seu anúncio, seguida da participação orante de toda a Igreja e do fervor nos trabalhos de preparação, verdadeiramente encorajador, como também o vivo interesse ou, pelo menos, a atenção respeitosa por parte de não-católicos e até de não-cristãos demonstraram, da maneira mais eloquente, como não escapou a ninguém a importância histórica do acontecimento.
7. O próximo concílio reúne-se, felizmente, no momento em que a Igreja percebe, de modo mais vivo, o desejo de fortificar a sua fé e de espelhar-se na própria e maravilhosa unidade; como, também, percebe melhor o dever urgente de dar maior eficiência à sua robusta vitalidade, e de promover a santificação de seus membros, a difusão da verdade revelada, a consolidação de suas estruturas. Será esta uma demonstração da Igreja, sempre viva e sempre jovem, que sente o ritmo do tempo e que, em cada século, se orna de um novo esplendor, irradia novas luzes, realiza novas conquistas, permanecendo, contudo, sempre idêntica a si mesma, fiel à imagem divina impressa em sua face pelo esposo que a ama e protege, Jesus Cristo.
8. No instante, pois, de generosos e crescentes esforços que de várias partes são feitos com o fim de reconstituir aquela unidade visível de todos os cristãos e que corresponda aos desejos do divino Redentor, é muito natural que o próximo concílio ilustre mais abundantemente aqueles capítulos de doutrina, mostre aqueles exemplos de caridade fraterna que tornarão ainda mais vivo nos irmãos separados o desejo de auspicioso retorno à unidade e lhes prepararão o caminho para consegui-la.
9. Ao mundo, enfim, perplexo, confuso, ansioso sob a contínua ameaça de novos e assustadores conflitos, o próximo concílio é chamado a oferecer uma possibilidade de suscitar, em todos os homens de boa vontade, pensamentos e propósitos de paz: paz que pode e deve vir sobretudo das realidades espirituais e sobrenaturais da inteligência e da consciência humana, iluminadas e guiadas por Deus, criador e redentor da humanidade.
Programa de trabalho do concílio
10. Estes frutos do concílio, por nós tão esperados e sobre os quais tão frequentemente temos falado, supõem um vasto programa de trabalho, que ora se está preparando. Isto diz respeito aos programas doutrinais e práticos mais consentâneos com as exigências da perfeita conformidade à doutrina cristã, à edificação e ao serviço do corpo místico e da sua missão sobrenatural, isto é, o Livro sagrado, a veneranda Tradição, os sacramentos, a oração, a disciplina eclesiástica, as actividades caritativas e assistenciais, o apostolado dos leigos, os horizontes missionários.
11. Esta ordem sobrenatural deve reflectir, porém, toda a sua eficácia também sobre a outra, a temporal, que, infelizmente, vem a ser por tantas vezes a única que ocupa e preocupa o homem. Também neste campo, a Igreja demonstrou querer ser mãe e mestra, segundo a expressão do nosso longínquo e glorioso antecessor Inocêncio III, pronunciada por ocasião do concílio Lateranense IV Embora não tendo finalidade directamente terrestre, ela, contudo, não pode desinteressar-se, no seu caminho, dos problemas e dos trabalhos de cá de baixo. Sabe quanto aproveitam ao bem da alma aqueles meios que são aptos a tornar mais humana a vida de cada homem, que deve ser salvo; sabe que, vivificando a ordem temporal, com a luz de Cristo, revela também os homens a si mesmos, o próprio ser, a própria dignidade e a própria finalidade. Daí a presença viva da Igreja, estendida, hoje, de direito e de fato, às organizações internacionais, e daí a elaboração da sua doutrina social referente à família, à escola, ao trabalho, à sociedade civil, e a todos os problemas conexos, que elevam a um altíssimo prestígio o seu magistério, como a voz mais autorizada, intérprete e propugnadora da ordem moral, reivindicadora dos direitos e dos deveres de todos os seres humanos e de todas as comunidades políticas.
12. A influência benéfica das deliberações conciliares, como vivamente o esperamos, deverá impor-se a ponto de revestir de luz cristã e penetrar de fervorosa energia espiritual não só o íntimo das almas mas o conjunto das actividades humanas.
Convocação do Concílio
13. O primeiro anúncio do concílio por nós dado, no dia 25 de Janeiro de 1959, foi como a pequena semente que depusemos com ânimo e mãos trémulas. Sustentado pela ajuda celestial, nos limitamos ao complexo e delicado trabalho de preparação. Três anos já se passaram, nos quais, dia a dia, vimos desenvolver-se a pequena semente e tornar-se, com a bênção de Deus, uma grande árvore.
Ao rever o longo e cansativo caminho percorrido, eleva-se de nossa mente um hino de agradecimento ao Senhor, por ser-nos ele pródigo em auxílios, de tal modo que tudo se desenrolou convenientemente e harmonicamente.
14. Antes de determinar os assuntos a estudar, com vistas ao futuro concílio, quisemos, antes de mais nada, conhecer o sábio e ilustrado parecer do colégio cardinalício, do episcopado de todo o mundo, dos sagrados dicastérios da cúria romana, dos superiores das ordens e das congregações religiosas, das universidades e das faculdades eclesiásticas. No transcurso de um ano terminou-se este ingente trabalho de consultas, de cujo exame brotaram claros os pontos a serem submetidos a um profundo estudo.
15. Constituímos, então, os diversos organismos preparatórios, aos quais comamos a árdua tarefa de elaborar os esquemas doutrinários e disciplinares, de onde escolheremos aqueles que pretendemos submeter à assembleia conciliar.
16. Temos, finalmente, a alegria de comunicar que este imenso trabalho de estudo, ao qual deram sua contribuição valiosa os cardeais, bispos, prelados, teólogos, canonistas, técnicos de todas as partes do mundo, alcança já o seu termo.
17. Comando, pois, no auxílio do divino Redentor, princípio e fim de todas as coisas, de sua Mãe e de são José, a quem, desde o início, entregamos um tão grande acontecimento, parece-nos chegada a hora de convocar o concílio ecuménico Vaticano II.
18. Portanto, depois de ouvir o parecer de nossos irmãos os cardeais da santa Igreja romana, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos santos apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, anunciamos, indicamos e convocamos para o próximo ano de 1962, o ecuménico e geral concílio, que se celebrará na Basílica Vaticana, nos dias que serão fixados segundo a oportunidade que a boa Providência quiser nos oferecer.
19. Queremos em consequência, e ordenamos, que a este concílio ecuménico, por nós indicado, venham de toda parte todos os nossos dilectos filhos cardeais, os veneráveis irmãos patriarcas, primazes, arcebispos e bispos tanto residenciais como apenas titulares e ademais todos os que têm direito e dever de intervir no concílio.
Convite à oração
20. E agora pedimos a cada um dos féis e a todo o povo cristão o prosseguimento da participação e da oração mais viva que acompanhe, vivifique e adorne a preparação próxima ao grande acontecimento. Seja esta oração inspirada pela fé ardente e perseverante; seja acompanhada por aquela penitência cristã que a torna mais aceita e mais eficaz; seja valorizada pelo esforço de vida cristã, qual penhor antecipado da disposição decidida de cada fiel em aplicar os ensinamentos e as directrizes práticas que emanarem do próprio concílio.
21. Ao venerável clero, tanto secular como regular, esparso por todo o mundo; a todas as categorias de fiéis, dirigimos o nosso apelo. Mas, de modo especial, confiamos o seu êxito às preces das crianças, sabendo muito bem o quanto seja poderosa junto a Deus a voz da inocência; e aos enfermos e sofredores, porque seus sofrimentos e sua vida de imolação, em virtude da cruz de Cristo, se transformam e se erguem em prece, em redenção, em fonte de vida para a Igreja.
22. A este coro de orações convidamos também os cristãos das Igrejas separadas de Roma, pois também a eles o concílio trará frutos. Sabemos que muitos destes filhos estão ansiosos por um retorno à unidade e à paz, segundo o ensinamento e a prece de Cristo ao Pai. Sabemos, também, que o anúncio do concílio não só foi por eles acolhido com alegria, mas não poucos já prometeram oferecer suas orações para seu feliz êxito, e esperam enviar representantes de suas comunidades para seguirem de perto os trabalhos. Tudo isto é para nós motivo de grande conforto e de esperança, e, precisamente, para favorecer estes contactos, instituímos, com este fim, já há tempos, um secretariado.
23. Repita-se deste modo, na família cristã, o espectáculo dos apóstolos em Jerusalém, depois da ascensão de Jesus aos céus, quando a Igreja nascente se viu toda unida em comunhão de pensamento e de preces com Pedro e ao redor de Pedro, pastor dos cordeiros e das ovelhas. E digne-se o divino Espírito ouvir da maneira mais consoladora a oração que todos os dias sobe de todos os recantos da terra: "Renova em nossa época os prodígios, como em novo Pentecostes; e concede que a Igreja santa, reunida em unânime e instante oração junto a Maria, Mãe de Jesus, e guiada por Pedro, difunda o reino do divino Salvador, que é reino da verdade, de justiça, de amor e de paz. Assim seja" (cf. AAS 51 [1959], p. 832).
Dada em Roma, junto a São Pedro, aos 25 de Dezembro, festa do nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, de 1961, quarto do nosso Pontificado.
Dia Mundial da Paz: 1 Jan 2012
(01-01-2012)EDUCAR OS JOVENS PARA A JUSTIÇA E A PAZ
1. O início de um novo ano, dom de Deus à humanidade, induz-me a desejar a todos, com grande confiança e estima, de modo especial que este tempo, que se abre diante de nós, fique marcado concretamente pela justiça e a paz.
CEP - Mensagem aos jovens

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa
Caríssimos jovens, as melhores e mais amigas saudações dos vossos Bispos, reunidos em Fátima.
Todos nós, os que estivemos em Madrid, na XXVI Jornada Mundial da Juventude (JMJ), recordamos, com alegria, a "Grande Festa da Fé", vivida com o Papa Bento XVI e com tantos jovens,
A Catedral, sinal da unidade da Igreja Diocesana

Encerramento do Jubileu Sacerdotal do Cardeal-Patriarca
Homilia na Solenidade da Dedicação da Sé Patriarcal
1. Quisestes fazer coincidir o encerramento das celebrações do meu Jubileu com a Solenidade da Dedicação da nossa Catedral. Isso tocou-me profundamente pois em cinquenta anos de ministério sempre me senti profundamente ligado a esta Catedral, onde fui consagrado sacerdote. Aqui fui associado ao sacerdócio apostólico, daqui fui enviado em missão, sentimento renovado e aprofundado em cada missão que recebia, até ao dia em que a ela fui reenviado para presidir, na plenitude do sacerdócio apostólico, a esta Igreja que precisa de se alimentar continuamente da Palavra, dos Sacramentos, para ser um Povo unido na caridade. Ao longo da sua história a Igreja sempre teve consciência de que o amor é a sua vocação, a comunhão a sua força, a fé o seu alicerce. Para se solidificar nesta vocação, precisa de esclarecimento doutrinal, que deve ter sempre a forma de anúncio, e de símbolos. O símbolo, iluminado pela doutrina, abre mais amplamente para uma outra compreensão do mistério. A Catedral é um dos símbolos marcantes da caminhada da Igreja no tempo, símbolo rico de doutrina, pois nos abre para o mistério do templo como lugar onde Deus congrega o Seu Povo, sublinha a centralidade do sacerdócio apostólico no ministério do Bispo, que aí tem a sua cátedra para anunciar a Palavra; aí abre para toda a Igreja diocesana as fontes da graça sacramental; aí convoca a Igreja para a comunhão e para a caridade. A Catedral sugere a unidade do presbitério, do Bispo com os presbíteros, que têm de espelhar na sua unidade de comunhão, a unidade que querem construir em toda a Igreja diocesana.
2. O símbolo da Catedral lembra-nos que a Igreja é o templo do Senhor, lugar para onde Deus convoca o Seu Povo, a sua montanha santa, que hoje é a Igreja, o definitivo Monte Sião, anúncio da reunião definitiva de todos, em Deus, participando da unidade da comunhão trinitária. A Igreja é sempre essa reunião festiva para que Deus nos convoca: "Hei-de conduzi-los à minha montanha santa, hei-de enchê-los de alegria na minha casa de oração" (Is. 56,7). A Igreja, templo do Senhor, é sempre festa, essa alegria adorante daqueles que Deus chamou.
Jesus, no Evangelho que lemos, lembra-nos que Ele é o templo definitivo. Isso significa que é n'Ele, o Filho, que Deus nos convoca e reúne, unindo-nos a Ele, fazendo de toda a Igreja reunida na fé e na caridade, um só com Cristo. A história da arte das catedrais evoca bem essa centralidade de Jesus Cristo. A Catedral é símbolo evocativo dessa unidade da Igreja em Cristo. A Catedral tem de ser, em todas as suas expressões, anúncio de Jesus Cristo. Só n'Ele a Igreja diocesana é assembleia santa, Povo Sacerdotal.
3. Lugar do ministério do Bispo como Pastor da Igreja diocesana, ela simboliza uma das principais manifestações da construção da Igreja-comunhão, a unidade do presbitério. Com o Bispo, todos os sacerdotes participam do sacerdócio de Cristo, Cabeça da Igreja. São chamados a viver aquela unidade a Cristo; eles convocam em nome do Senhor, presidem à assembleia festiva onde acontece a salvação. São mais do que funcionários do templo; são, eles mesmos, o templo do Senhor. Na Catedral foram consagrados, daí são continuamente enviados para convocarem o Povo e alargarem as dimensões do templo do Senhor.
No ritmo pastoral da nossa Diocese temos valorizado alguns momentos que em se exprime visivelmente esta relação dos presbíteros com a Catedral: a celebração de Quinta-Feira Santa, este dia da Dedicação da Catedral, a Solenidade do Corpo de Deus, em que a procissão do Santíssimo Sacramento parte da Catedral e a ela regressa. No presbitério não há comunhão com o Bispo que não os leve à Catedral, ela que nos lembra sempre que todo o nosso ministério é construção do templo do Senhor.
4. Símbolo da unidade do presbitério, a Catedral sugere a união de todos os templos da Diocese, que dão visibilidade à Igreja como templo do Senhor, de modo particular as Igrejas Paroquiais, para onde o Senhor convoca o Seu Povo para celebrar a Páscoa de Jesus. Nelas preside um presbítero, em nome do Bispo. A Palavra que anuncia, os sacramentos a que preside, a caridade para onde encaminha a comunidade, têm de ser expressão de uma única Igreja, Corpo de Cristo. Se o presbitério estiver unido ao Bispo, as Igrejas Paroquiais estão necessariamente unidas à Catedral, são um prolongamento desta, porque todas constituem o único templo para onde o Senhor congrega o Seu Povo. Não há lugar para autonomias ou autarcias: a Liturgia como modo de celebrar, a proclamação da Palavra, sobretudo na Homilia, as prioridades pastorais decididas para toda a Diocese, serão possíveis nesta busca da unidade que, no fundo, é procurar sermos todos um só, com Cristo, o templo definitivo de Deus.
5. É por isso que, na Diocese, a Catedral é o lugar da evangelização e a fonte sacramental donde jorram, para toda a Diocese, rios de água viva. O Santo Padre Bento XVI, através do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, propõe a 12 Igrejas europeias, entre as quais a de Lisboa, uma experiência de Nova Evangelização a partir da Catedral, a realizar na Quaresma de 2012. Nós aceitamos esse desafio e um programa está já em preparação. Sugere como concretizações: catequeses do Bispo na Catedral orientadas para públicos específicos; celebração do Sacramento da Penitência; celebração da Eucaristia; proclamação completa do Evangelho de Marcos; uma concretização da caridade, através da partilha cristã, comum a todas essas Igrejas.
Muitas das sugestões feitas vêm ao encontro de práticas já consolidadas na nossa Diocese: as Catequeses Quaresmais feitas por mim, na Catedral, durante a Quaresma; a leitura seguida do Evangelho de São Marcos; a partilha com outras Igrejas através da "Renúncia Quaresmal". Esta experiência envolverá toda a Diocese se, para nós, sacerdotes e Povo de Deus, a Catedral for símbolo da unidade de uma Igreja que quer ser comunhão, na caridade.
6. Encerramos as celebrações do meu Jubileu Sacerdotal. Nos diversos momentos celebrativos, o presbitério, os diáconos, o Povo de Deus, ajudaram-me a sentir de novo a alegria do meu sacerdócio, a descobrir outra vez que a razão de ser dele é a Igreja e reconduziram-me ao amor por esta Catedral onde, há cinquenta anos, tudo começou. A presença dos Senhores Bispos nesta celebração, faz-nos perceber que uma Igreja comunhão só o será verdadeiramente se estiver em comunhão com as outras Igrejas e ao abrirmo-nos a essa dimensão universal sentimos a força interpelante e unificadora do Sucessor de Pedro, a quem Jesus pediu que confirmasse sempre a Sua Igreja na unidade da fé e da caridade.
Sé Patriarcal, 25 de Outubro de 2011
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca








