PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

igreja1 vitral1 igreja2 Auditorio vitral2 vitral4 igreja3 vitral3 Slide Cspq1 Slide cspq7 Slide igreja4 Slide cspq3 Slide cspq5 Slide pinturas Slide cspq8 Slide vitral5 Slide cspq6 Slide cspq2 Slide cspq4
catequese

Vigília de Oração e Rosário pela Paz

Jubileu da Espiritualidade Mariana [na presença da imagemJubileu2025M de Nossa Senhora de Fátima]

Queridos irmãos e irmãs
Esta tarde, juntamente com Maria, a Mãe de Jesus, estamos reunidos em oração, tal como costumava fazer a Igreja primitiva de Jerusalém (cf. Act 1, 14). Todos juntos, perseverantes e concordes, não nos cansamos de interceder pela paz, dom de Deus que deve tornar-se nossa conquista e nosso compromisso.

Autêntica espiritualidade mariana
Neste Jubileu da espiritualidade mariana, o nosso olhar de cristãos busca na Virgem Maria a guia para a nossa peregrinação na esperança, contemplando as suas virtudes humanas e evangélicas, cuja imitação constitui a mais autêntica devoção mariana (cf. Lumen Gentium, 65.67). Como Ela, a primeira entre os fiéis, queremos ser o ventre que acolhe o Altíssimo, «tenda humilde do Verbo, movida apenas pelo sopro do Espírito» (S. João Paulo II, Angelus, 15 de agosto de 1988). Como Ela, a primeira discípula, suplicamos o dom de um coração que escuta e se torna fragmento de um universo que acolhe. Por meio d’Ela, Mulher dolorosa, forte, fiel, rogamos que nos conceda o dom da compaixão para com cada irmão e irmã que sofre e para com todas as criaturas.

Olhemos para a Mãe de Jesus e para aquele pequeno grupo de mulheres corajosas que estão junto à Cruz a fim de que também nós aprendamos a permanecer, do mesmo modo que elas, junto às infinitas cruzes do mundo, onde Cristo ainda está crucificado nos seus irmãos, para levar-lhes conforto, comunhão e ajuda. Reconhecemo-nos n’Ela, que é irmã da humanidade e dizemos-lhe, com as palavras de um poeta:
«Mãe, vós sois cada mulher que ama; Mãe, vós sois cada mãe que chora um filho morto, um filho traído. Esses filhos que nunca cessam de serem mortos» (D. M. Turoldo).
À vossa proteção recorremos, Virgem da Páscoa, junto com todos aqueles em quem continua a realizar-se a paixão do vosso Filho.

Fazei o que Ele vos disser
No Jubileu da espiritualidade mariana, a nossa esperança é iluminada pela luz suave e perseverante das palavras de Maria que o Evangelho nos transmite. E, entre todas, são preciosas as últimas pronunciadas nas bodas de Caná, quando, indicando Jesus, Ela diz aos serventes: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Depois disso, não voltará a falar. Portanto, estas palavras, que são quase um testamento, devem ser muito estimadas pelos filhos, como qualquer testamento de uma mãe.

Tudo o que Ele vos disser. Ela tem a certeza de que o Filho falará, pois a sua Palavra não terminou e ainda cria, gera, opera, enche o mundo de primaveras e as ânforas da festa de vinho. Maria, como um sinal que indica o caminho, orienta para além de si mesma, mostra que o ponto de chegada é o Senhor Jesus e a sua Palavra, o centro para o qual tudo converge, o eixo em torno do qual giram o tempo e a eternidade.

Obedeçais a sua Palavra, recomenda. Realizai o Evangelho, transformai-o em gesto e corpo, sangue e carne, esforço e sorriso. Realizai o Evangelho, e a vida se transformará, de vazia em plena, de apagada em acesa.

Fazei tudo o que Ele vos disser: todo o Evangelho, a palavra exigente, a carícia consoladora, a repreensão e o abraço. O que compreendeis e também o que não compreendeis. Maria exorta-nos a ser como os profetas: a não deixar que nenhuma das suas palavras se perca em vão (cf. 1 Sm 3, 19).

E entre as palavras de Jesus que queremos que não caiam no esquecimento, uma ressoa de modo particular hoje, nesta vigília de oração pela paz: aquela que dirigiu a Pedro no horto das oliveiras: «Mete a espada na bainha» (cf. Jo 18, 11). Desarma as mãos, mas sobretudo o coração. Como já tive a oportunidade de recordar noutras ocasiões, a paz é desarmada e desarmante. Não é dissuasão, mas fraternidade; não é ultimato, mas diálogo. Não virá como fruto de vitórias sobre o inimigo, mas como resultado da disseminação da justiça e do perdão corajoso.

Mete a espada na bainha é uma palavra dirigida aos poderosos do mundo, aos que conduzem o destino dos povos: tenhais a audácia de se desarmar! Ao mesmo tempo, é dirigida a cada um de nós, para nos tornar cada vez mais conscientes de que não podemos matar por nenhuma ideia, fé ou política. O primeiro a ser desarmado é o coração, porque se não há paz em nós, não daremos paz.

Entre vós não seja assim
Ouçamos ainda o Senhor Jesus: os grandes deste mundo constroem impérios com poder e dinheiro (cf. Mt 20, 25; Mc 10, 42), «convosco, não deve ser assim» (Lc 22, 26). Deus não faz desse modo: o Mestre não tem tronos, mas cinge-se com uma toalha e ajoelha-se aos pés de cada um. O seu império é aquele pequeno espaço suficiente para lavar os pés dos seus amigos e cuidar deles.

É também o convite a adotar uma perspetiva diferente, a fim de observar o mundo desde baixo, com os olhos de quem sofre, e não com a ótica dos grandes; considerar a história sob o prisma dos pequenos, e não com o dos poderosos; interpretar os acontecimentos da história a partir do ponto de vista da viúva, do órfão, do estrangeiro, da criança ferida, do exilado, do fugitivo. Com o olhar de quem naufraga, do pobre Lázaro, jogado à porta do rico epulão. Caso contrário, nada nunca mudará, e não surgirá um tempo novo, um reino de justiça e paz.

Assim faz também a Virgem Maria no cântico do Magnificat, quando fixa o seu olhar nas fraturas que marcam a humanidade, onde ocorre a distorção do mundo no contraste entre humildes e poderosos, entre pobres e ricos, entre saciados e famintos. E escolhe os pequenos, permanece ao lado dos últimos da história, para nos ensinar a imaginar e, com Ela, sonhar novos céus e uma nova terra.

Felizes sois vós
Fazei tudo o que Ele vos disser. E nós comprometemo-nos a fazer nossa carne e paixão, história e ação, a grande palavra do Senhor: «Felizes os pacificadores» (cf. Mt 5, 9).
Felizes sois vós: Deus dá alegria àqueles que produzem amor no mundo, alegria àqueles que, em vez de vencer o inimigo, preferem a paz com ele.

Coragem, sigam em frente, vós que criais as condições para um futuro de paz, na justiça e no perdão; sede mansos e determinados, não desanimeis. A paz é um caminho e Deus caminha convosco. O Senhor cria e difunde a paz através dos seus amigos pacificados no coração, que se tornam, por sua vez, pacificadores, instrumentos da sua paz.
Reunimo-nos esta tarde em oração em torno de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, como os primeiros discípulos no cenáculo. A ela, mulher profundamente pacificada, rainha da paz, nos dirigimos:

Rezai connosco, Mulher fiel, ventre sagrado do Verbo. Ensinai-nos a ouvir o clamor dos pobres e da mãe Terra, atentos aos apelos do Espírito no segredo do coração, na vida dos irmãos, nos acontecimentos da história, no gemido e no júbilo da criação. Santa Maria, mãe dos viventes, mulher forte, dolorosa, fiel, Virgem esposa junto à Cruz onde se consuma o amor e brota a vida, sede Vós a guia do nosso compromisso em servir.
Ensinai-nos a permanecer convosco junto às infinitas cruzes onde o vosso Filho ainda está crucificado, onde a vida está mais ameaçada; a viver e testemunhar o amor cristão acolhendo em cada homem um irmão; a renunciar ao egoísmo opaco para seguir Cristo, verdadeira luz do homem.

Virgem da paz, porta de esperança segura, Aceitai a oração dos vossos filhos!

Papa Leão, 11 de outubro de 2025

 

Cateq 2018

Calendario Cateq

horariomissas



Patriarcado