PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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Catequese1 AnoMissionario

"Tu és a poesia!", mensagem do Papa para o cardeal Tolentino Mendonça

Tolentino1Portugal e a Igreja tem um novo cardeal: D. Tolentino Mendonça.

O cardeal D. José Tolentino Mendonça disse hoje no Vaticano que o Papa sublinhou a sua faceta de poeta, quando o saudou, antes do consistório de criação cardinalícia que decorreu na Basílica de São Pedro.

Foi interessante, quando ele se abeirou de mim, eu disse-lhe baixinho: ‘Santo Padre, o que é que me fez?’ E ele riu-se e disse: olha, a ti eu digo aquilo que um poeta disse, ‘tu és a poesia’. Foram palavras que eu guardo no meu coração, no fundo para dizer uma coisa essencial, que a Igreja conta com uma determinada sensibilidade, uma atenção a um determinado campo humano, que é o campo da cultura, das artes, da estética”, referiu aos jornalistas, após a cerimónia que decorreu no Vaticano.

O arquivista e bibliotecário da Santa Sé declarou que o Papa “considera que esse campo é também importante para a missão da Igreja e para aquilo que ela hoje é chamada a ser no mundo”.

D. José Tolentino Mendonça riu-se quando foi questionado seTolentino3 o barrete pontifício pesava mais do que o solidéu de bispo.
“Nestes momentos, nós nem nos lembramos dessas coisas, mas ao solidéu já estava habituado, o barrete é a primeira vez que o uso, de maneira que, se calhar, neste momento sinto mais o peso do barrete do que do solidéu”, admitiu.
"A vida vai-nos dando mais do que pesos. A vida de um cardeal é pesada? É, mas a vida de um pai de família também é, a vida de um operário, a vida de um desempregado, a vida do homem sobre a terra, a vida de um refugiado, de alguém que constrói a sociedade. A vida é difícil para todos, também será para um cardeal, mas também é bela e é nisso que eu penso: Partilho a humanidade dos meus irmãos e faço com eles um caminho crente, um caminho de fé”.

O novo cardeal chegou à Sala Régia do Palácio Apostólica com uma cruz pastoral de prata, que pediu aos três bispos da Diocese do Funchal (D. Nuno Brás e os seus predecessores, D. António Carrilho e D. Teodoro de Faria) que abençoassem. “Trago-a hoje em sinal da história que me trouxe aqui”, explicou.

Questionado sobre o que sentiu, aquando da imposição do barrete cardinalício, D. José Tolentino sublinhou a dimensão da fé: “Senti tudo: senti o abraço de Deus, senti a responsabilidade de cada passo, e senti que há uma coisa maior do que eu”. “Em determinados momentos, acho que todos, crentes, laicos, padres, cardeais, país de família, sentimos que a vida é maior. Foram passos conscientes, não foram uns passos quaisquer”, concluiu.

Ecclesia, 5 de Outubro 2919

Carta aos diocesanos de Lisboa - 2019/20

M Clemente19Caríssimos diocesanos
Como tem acontecido, volto a escrever-vos no começo do novo ano pastoral. Creio que ajudará a precisar o que faremos em conjunto, além das múltiplas iniciativas pessoais e comunitárias.

1. Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias!
Entramos na última etapa da receção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa. Mantendo o objetivo de “fazer da Igreja uma rede de relações fraternas” (CSL, 60), para reforçar todos os dinamismos e instâncias de participação e corresponsabilidade eclesial, insistimos agora em “sair com Cristo ao encontro de todas as periferias” – onde, aliás, Ele nos espera (cf. CSL, 53)!

Para não dispersar, retomo o que vos escrevi em julho na apresentação do Programa e Calendário Diocesano 2019/2020: A insistência na ação caritativa há de levar-nos a trabalhar mais e melhor em conjunto para servir quem precisa. Detetar em cada meio aqueles que, estando mais periféricos, mais precisam de ser centralizados na nossa atenção e cuidado é o que procuraremos fazer, atendendo à especificidade sociocultural de cada lugar. O Departamento da Pastoral Sociocaritativa elaborou uma “proposta de objetivos” de que sublinho três momentos: O Dia da Solicitude (18 de outubro), o Congresso da Pastoral Social (15-16 de maio) e a Semana Vicarial da Caridade, na data a escolher por cada Vigararia. Sobre cada um deles, o Departamento dará indicações e estará disponível. O Dia da Solicitude, em outubro, será um momento de partilha das ações programadas por cada comunidade e instituição sociocaritativa em ordem ao cumprimento deste programa. O Congresso da Pastoral Social, em maio, será o momento de avaliar o que se conseguiu realizar e apurar critérios para o fazer, porventura, melhor no futuro. A Semana Vicarial da Caridade é da organização de cada Vigararia. Trata-se de juntar na ocasião mais propícia as diferentes instituições e iniciativas sociocaritativas da Vigararia numa ação comum em que todos cooperem; dedicar nessa mesma semana algum tempo para a formação dos agentes pastorais desta área; proporcionar-lhes também um tempo de recoleção espiritual motivadora.

Ao mesmo tempo, avançaremos para o grande horizonte que o Papa Francisco nos abriu: a Jornada Mundial da Juventude. O reforço sociocaritativo que entretanto fizermos será a sua melhor garantia! Tanto mais quanto o tema indicado pelo Papa Francisco para a JMJ 2022 se refere precisamente à Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel, isto é, à evangelização caritativa: “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39). Entretanto, no próximo Domingo de Ramos, 5 de abril de 2020, receberei, em Roma, os símbolos da Jornada Mundial da Juventude (Cruz e Ícone de Nossa Senhora) que peregrinarão depois pelas Dioceses, preparando-nos também assim para o grande acontecimento.

Relembro ainda que no próximo Domingo 20 de outubro, Dia Mundial das Missões, culminaremos, em Fátima, o Ano Missionário, que certamente aumentou em muitas comunidades esta dimensão essencial do Evangelho, recebido para partilhar com todos e em toda a parte. Na mesma celebração, às 11 da manhã, também agradeceremos a Deus os 175 anos do Apostolado da Oração – Rede Mundial da Oração do Papa, que tanto tem contribuído para alimentar e irradiar a nossa vida em Cristo. Espero encontrar-vos lá em bom número!

2. “Nova evangelização” é colocar os pobres no centro do caminho da Igreja
Esta é também a maior insistência do magistério do Papa Francisco, em plena coincidência com a do próprio Jesus Cristo. Na exortação inicial e programática do seu pontificado, enunciou-nos assim o tema da “nova evangelização”, tão caro a São João Paulo II: «Por isso, desejo uma Igreja pobre para os pobres. […] A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles» (Papa Francisco, Exortação apostólica Evangelii gaudium [EG], 24 de novembro de 2013, 198).

Como sabemos, a pobreza evangélica, primeira das bem-aventuranças, é mais do que a privação de bens materiais e só a atinge quem não ponha neles o seu coração, embora tudo faça para que não falte o essencial a ninguém. Requer da nossa parte a certeza de que só Deus basta, manifestando-se nos outros em quem nos espera, sobretudo nos que mais precisam do nosso cuidado. Em suma, trata-se de cuidar realmente de todos e cada um em tudo quanto à vida se refere, da conceção à morte natural, não desistindo de o repetir e praticar.

O Papa Francisco junta uma advertência forte, que devemos levar muito em conta: «Qualquer comunidade da Igreja, na medida em que pretender subsistir tranquila sem se ocupar criativamente nem cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclusão de todos, correrá também o risco da sua dissolução» (EG, 207).
Ligando “nova evangelização” e cuidado dos outros, sobretudo dos mais necessitados de procura e integração, o Papa convocou o Jubileu da Misericórdia. Celebrado há três anos já, estas suas palavras não perdem atualidade: «No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio, que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. […] Nas nossas paróquias, nas comunidades, nas associações e nos movimentos – em suma, onde houver cristãos -, qualquer pessoa deve poder encontrar um oásis de misericórdia» (Papa Francisco, Bula Misericordiae vultus, de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 11 de abril de 2015, nº 12). Foi em Cristo pobre que Deus esteve connosco, na periferia daquele grande Império. Reconhecê-Lo e servi-Lo nos muitos pobres de todas as pobrezas atuais é refazer a Igreja no seu Centro vivo!

A atenção aos outros tem em conta o contexto sociocultural em que vivem e são formados. O Evangelho de Cristo deve iluminá-lo e não o deixará empobrecer. Recomendo que nas comunidades e meios educativos se leiam e divulguem alguns pronunciamentos da Santa Sé e do Episcopado Português de especial oportunidade. Refiro-me ao recente documento da Congregação para a Educação Católica, “Homem e mulher os criou” – Para uma via de diálogo sobre a questão do Gender na educação, à Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a ideologia de género e à Nota Pastoral sobre a eutanásia, também da CEP (além das edições impressas, tudo está disponível no “site” da Conferência Episcopal Portuguesa e da Agência Ecclesia).

3. Como o Bom Samaritano
A parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10, 29-37) é fonte permanente de inspiração e ação. Se o imitarmos – lembrando que o Bom Samaritano da humanidade inteira é o próprio Cristo – irradiaremos uma autêntica “cultura” ou modo evangélico de sentir e agir, como o Papa também indica: «Somos chamados a fazer nascer uma cultura de misericórdia, com base na redescoberta do encontro com os outros: uma cultura na qual ninguém olhe para o outro com indiferença, nem vire a cara quando vê o sofrimento dos irmãos» (Papa Francisco, Carta apostólica Misericordia et misera, no termo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 20 de novembro de 2016, n.º 20).

Significativamente, o Papa Bento XVI ligara também à parábola do Bom Samaritano um trecho fundamental da encíclica Deus caritas est. Fundamental porque nos dá o critério qualificativo da “caridade cristã”, como importa ter bem presente em tudo o que de pessoal, comunitário ou institucional possamos e devamos realizar. Peço a vossa especial atenção para o seguinte trecho: «Quais são os elementos constitutivos que formam a essência da caridade cristã e eclesial?
a) Segundo o modelo oferecido pela parábola do bom Samaritano, a caridade cristã é simplesmente, em primeiro lugar, a resposta àquilo que, numa determinada situação, constitui a necessidade imediata: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para se curarem, os presos visitados, etc. […]
b) A atividade caritativa cristã deve ser independente de partidos e ideologias. […] O programa do cristão – o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus – é “um coração que vê”. Este coração vê onde há necessidade de amor e age de acordo com isso. […]
c) Além disso, a caridade não deve ser um meio em função daquilo que hoje é indicado como proselitismo. O amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins. […] É dever das organizações caritativas da Igreja reforçar de tal modo esta consciência nos seus membros que estes, através do seu agir – como também do seu falar, do seu silêncio, do seu exemplo –, se tornem testemunhas credíveis de Cristo» (Papa Bento XVI, Encíclica Deus caritas est, sobre o amor cristão, 25 de dezembro de 2005, n.º 31).

Imediata, independente e gratuita, assim se carateriza a caridade cristã. Proponho que também esta encíclica do Papa emérito seja retomada e estudada nas comunidades ao longo do presente ano pastoral. Pelo tratamento sistemático que faz das caraterísticas e dos modos da ação sociocaritativa, pessoal ou institucional, será muito útil para a concretização do nosso programa anual, em perfeita consonância com a insistência evangélica do Papa Francisco. Desejo-vos a todos, caríssimos diocesanos, as maiores felicidades no ano pastoral que hoje começa. Nossa Senhora da Visitação nos acompanhará em direção a todas as periferias que nos esperam. – Para as centralizarmos também, como centrais continuam no seu coração materno!

Convosco, em oração e muita estima,

+ Manuel, Cardeal-Patriarca
Lisboa, 1 de setembro de 2019

Papa Bento XVI explica a Eucaristia às crianças

ppbxvi081112Encontro do Papa Bento XVI com mais de cem mil crianças da primeira Comunhão. Apresentamos algumas das perguntas das crianças fizeram e as respostas do Papa Bento XVI.

André: Querido Papa, que recordação tens do dia da tua Primeira Comunhão?
Recordo-me bem do dia da minha Primeira Comunhão. Era um lindo domingo de Março de 1936, portanto, há 69 anos. Era um dia de sol, a igreja muito bonita, a música, eram muitas coisas bonitas das quais me lembro. Éramos cerca de trinta crianças, meninos e meninas, da nossa pequena cidade com não mais de 500 habitantes. Mas, no centro das minhas recordações alegres e bonitas está o pensamento o mesmo já foi dito pelo vosso porta-voz que compreendi que Jesus tinha entrado no meu coração, tinha feito visita justamente a mim. E com Jesus, Deus mesmo está comigo. Isto é um dom de amor que realmente vale mais do que tudo que pode ser dado pela vida; e assim estava realmente cheio de uma grande alegria porque Jesus tinha vindo até mim. E entendi que então começava uma nova etapa da minha vida, tinha 9 anos, e que então era importante permanecer fiel a este encontro, a esta Comunhão. Prometi ao Senhor, por quanto podia: "Gostaria de estar sempre contigo" e pedi-lhe: "Mas, sobretudo permanece comigo". E assim fui em frente na minha vida. Graças a Deus, o Senhor tomou-me sempre pela mão, guiou-me também nas situações difíceis. E dessa forma, a alegria da Primeira Comunhão foi o início de um caminho realizado juntos. Espero que, também para todos vós, a Primeira Comunhão que recebestes neste Ano da Eucaristia seja o início de uma amizade com Jesus para toda a vida. Início de um caminho juntos, porque caminhando com Jesus vamos bem e a vida se torna boa.

André: A minha catequista, ao preparar-me para o dia da minha Primeira Comunhão, disse-me que Jesus está presente na Eucaristia. Mas como? Eu não O vejo!
Sim, não o vemos, mas existem tantas coisas que não vemos e que existem e são essenciais. Por exemplo, não vemos a nossa razão, contudo temos a razão. Não vemos a nossa inteligência e temo-la. Não vemos, numa palavra, a nossa alma e todavia ela existe e vemos os seus efeitos, pois podemos falar, pensar, decidir, etc... Assim também não vemos, por exemplo, a corrente eléctrica, mas sabemos que existe, vemos este microfone como funciona; vemos as luzes. Numa palavra, precisamente, as coisas mais profundas, que sustentam realmente a vida e o mundo, não as vemos, mas podemos ver, sentir os efeitos. A electricidade, a corrente não as vemos, mas a luz sim. E assim por diante. Desse modo, também o Senhor ressuscitado não o vemos com os nossos olhos, mas vemos que onde está Jesus, os homens mudam, tornam-se melhores. Cria-se uma maior capacidade de paz, de reconciliação, etc... Portanto, não vemos o próprio Senhor, mas vemos os efeitos: assim podemos entender que Jesus está presente. Como disse, precisamente as coisas invisíveis são as mais profundas e importantes. Vamos, então, ao encontro deste Senhor invisível, mas forte, que nos ajuda a viver bem.

Júlia: Santidade, dizem-nos que é importante ir à Missa aos domingos. Nós iríamos com gosto mas, frequentemente, os nossos pais não nos acompanham porque aos domingos dormem, o pai e a mãe de um amigo meu trabalham numa loja e nós, geralmente, vamos fora da cidade visitar os avós. Podes dizer-lhes uma palavra para que entendam que é importante ir à Missa juntos, todos os domingos?
Claro que sim, naturalmente, com grande amor, com grande respeito pelos pais que, certamente, têm muitas coisas a fazer. Contudo, com o respeito e o amor de uma filha, pode-se dizer: querida mãe, querido pai, seria tão importante para todos nós, também para ti, encontrarmo-nos com Jesus. Isto enriquece-nos, traz um elemento importante para a nossa vida. Juntos encontramos um pouco de tempo, podemos encontrar uma possibilidade. Talvez até onde mora a avó há uma possibilidade. Numa palavra diria, com grande amor e respeito pelos pais, diria-lhes: "Entendei que isto não é importante só para mim, não o dizem somente os catequistas, é importante para todos nós; e será uma luz do domingo para toda a nossa família".

Alexandre: Para que serve ir à Santa Missa e receber a Comunhão para a vida de todos os dias?
Serve para encontrar o centro da vida. Nós vivemos entre tantas coisas. E as pessoas que não vão à igreja não sabem que lhes falta precisamente Jesus. Sentem, contudo, que falta algo na sua vida. Se Deus permanece ausente na minha vida, se Jesus não faz parte da minha vida, falta-me um guia, falta-me uma amizade essencial, falta-me também uma alegria que é importante para a vida. A força também de crescer como homem, de superar os meus vícios e de amadurecer humanamente. Portanto, não vemos imediatamente o efeito de estar com Jesus quando vamos à Comunhão; vê-se com o tempo. Assim como, no decorrer das semanas, dos anos, se sente cada vez mais a ausência de Deus, a ausência de Jesus. É uma lacuna fundamental e destrutiva. Poderia falar agora facilmente dos países onde o ateísmo governou por anos; como as almas foram destruídas, e também a terra; e assim podemos ver que é importante, aliás, diria, fundamental, nutrir-se de Jesus na comunhão. É Ele que nos dá a luz, nos oferece a guia para a nossa vida, uma guia da qual temos necessidade.

Ana: Caro Papa, poderias explicar-nos o que Jesus queria dizer quando disse ao povo que o seguia: "Eu sou o pão da vida"?
Então deveríamos talvez, antes de tudo, esclarecer o que é o pão. Hoje nós temos uma cozinha requintada e rica de diversíssimos pratos, mas nas situações mais simples o pão é o fundamento da nutrição e se Jesus se chama o pão da vida, o pão é, digamos, a sigla, uma abreviação para todo o nutrimento. E como temos necessidade de nos nutrir corporalmente para viver, assim como o espírito, a alma em nós, a vontade, tem necessidade de se nutrir. Nós, como pessoas humanas, não temos somente um corpo, mas também uma alma; somos seres pensantes com uma vontade, uma inteligência, e devemos nutrir também o espírito, a alma, para que possa amadurecer, para que possa alcançar realmente a sua plenitude. E, por conseguinte, se Jesus diz eu sou o pão da vida, quer dizer que Jesus próprio é este nutrimento da nossa alma, do homem interior do qual temos necessidade, porque também a alma deve nutrir-se. E não bastam as coisas técnicas, embora sejam muito importantes. Temos necessidade precisamente desta amizade de Deus, que nos ajuda a tomar decisões justas. Temos necessidade de amadurecer humanamente. Por outras palavras, Jesus nutre-nos a fim de que nos tornemos realmente pessoas maduras e a nossa vida se torne boa.

Adriano: Santo Padre, disseram-nos que hoje faremos a Adoração Eucarística. O que é? Como se faz? Poderias explicar-nos isto? Obrigado.
Então, o que é a adoração, como se faz, veremos imediamente, porque tudo está bem preparado: faremos algumas orações, cânticos, a genuflexão e estamos assim diante de Jesus. Mas, naturalmente, a tua pergunta exige uma resposta mais profunda: não só como fazer, mas o que é a adoração. Eu diria: adoração é reconhecer que Jesus é meu Senhor, que Jesus me mostra o caminho a tomar, me faz entender que vivo bem somente se conheço a estrada indicada por Ele, somente se sigo a via que Ele me mostra. Portanto, adorar é dizer: "Jesus, eu sou teu e sigo-te na minha vida, nunca gostaria de perder esta amizade, esta comunhão contigo". Poderia também dizer que a adoração na sua essência é um abraço com Jesus, no qual eu digo: "Eu sou teu e peço-te que estejas também tu sempre comigo".

Lívia: Santo Padre, antes do dia da minha Primeira Comunhão confessei-me. Depois, confessei-me outras vezes. Mas, gostaria de te perguntar: devo confessar-me cada vez que recebo a Comunhão? Mesmo quando cometo os mesmos pecados? Porque eu sei que são sempre os mesmos.
Diria duas coisas: a primeira, naturalmente, é que não te deves confessar sempre antes da Comunhão, se não cometeste pecados graves que necessitam ser confessados. Portanto, não é preciso confessar-te antes de cada Comunhão eucarística. Este é o primeiro ponto. É necessário somente no caso em que cometes um pecado realmente grave, que ofendes profundamente Jesus, de forma que a amizade é destruída e deves começar novamente. Apenas neste caso, quando se está em pecado "mortal", isto é, grave, é necessário confessar-se antes da Comunhão. Este é o primeiro ponto. O segundo: embora, como disse, não é necessário confessar-se antes de cada Comunhão, é muito útil confessar-se com uma certa regularidade. É verdade, geralmente, os nossos pecados são sempre os mesmos, mas fazemos limpeza das nossas habitações, dos nossos quartos, pelo menos uma vez por semana, embora a sujidade é sempre a mesma. Para viver na limpeza, para recomeçar; se não, talvez a sujeira não possa ser vista, mas se acumula. O mesmo vale para a alma, por mim mesmo, se não me confesso a alma permanece descuidada e, no fim, fico satisfeito comigo mesmo e não compreendo que me devo esforçar para ser melhor, que devo ir em frente. E esta limpeza da alma, que Jesus nos dá no Sacramento da Confissão, ajuda-nos a ter uma consciência mais ágil, mais aberta e também de amadurecer espiritualmente e como pessoa humana. Portanto, duas coisas: confessar é necessário somente em caso de pecado grave, mas é muito útil confessar regularmente para cultivar a pureza, a beleza da alma e ir aos poucos amadurecendo na vida.

No fim do Encontro o Santo Padre dirigiu estas palavras:
Queridos meninos e meninas, irmãos e irmãs, no fim deste belo encontro, só mais uma palavra: obrigado. Obrigado por esta festa de fé. Obrigado por este encontro entre nós e com Jesus. E obrigado, é claro, a quantos fizeram com que esta festa fosse possível: os catequistas, os sacerdotes, as religiosas, a todos vós.

Repito no final, as palavras do início de todas as liturgias e digo-vos: "A paz esteja convosco", isto é, o Senhor esteja convosco e, assim, a vida seja boa. Bom domingo, boa noite e até à próxima com o Senhor. Muito obrigado!

Roma, 15 de Outubro de 2005

Mensagem do Sr. Cardeal-Patriarca para a Quaresma de 2019

Manuel Clemente19“Uma Santa Quaresma com horizonte pascal”
A Quaresma que iniciamos, neste ano de 2019, é como sempre tempo de graça e conversão. Já a conversão é, em si mesma, obra da graça divina, que não deixa de nos atrair para Deus, vida das nossas vidas.

É bom termos isto presente, para percebermos tudo o mais e nos percebermos a nós próprios, sempre e nas atuais circunstâncias, pessoais, sociais e eclesiais.

São grandes as contradições que sentimos, entre o que devia ser e o que o contradiz, a todos os níveis. Devastadores conflitos por esse mundo além, que tanto demoram em resolver, com populações em fuga e tão pouco acolhidas, clamam por um envolvimento muito mais forte e consequente da comunidade internacional e da ajuda humanitária. O desrespeito pelo ambiente e as agressões ecológicas põem em causa o futuro - e já o presente - de populações inteiras e da humanidade em geral. O recente encontro promovido em Roma pelo Papa Francisco sobre “a proteção dos menores na Igreja” enfrentou um grave problema que exige solução radical, reprimindo os abusos, apoiando as vítimas e prevenindo tais casos. As trágicas notícias de violência doméstica, especialmente sobre mulheres, manifestam outra chaga intolerável. A corrupção abala a confiança indispensável à vida social e institucional. A proteção ativa de cada vida humana, da conceção à morte natural, continua à espera duma corresponsabilidade coletiva muito mais capaz, pois se trata da primeira alínea do nosso bem comum…

Um elenco assim, ou ainda mais extenso, poderia paralisar-nos pela vastidão e peso dos problemas que refere. Poderia retrair-nos no que nos toca imediatamente e alhear-nos do mais, que sendo de todos é nosso também.

E assim poderia acontecer, de facto, entre o atordoamento mediático e a desistência de compreender e atuar. Mas não poderá suceder de direito, porque a justiça nos impele a proporcionar a cada um o que lhe é devido – e a justiça divina se revela no comportamento de Cristo em relação ao bem de todos.

A Quaresma orienta-se exatamente nesse sentido, para nos identificarmos com Jesus Cristo no que Ele tem de mais essencial e ativo, ou seja, a filiação divina, raiz profunda da fraternidade universal.

Filiação divina significa viver de Deus para Deus, como Jesus com o Pai, no Espírito que os une. Esse mesmo Espírito que nos é concedido no Batismo, para assim vivermos e convivermos também.

Trata-se, portanto, de algo interior, fundamental e bastante. Aí mesmo, onde a solução se encontra numa intimidade divina que nos sustentará em absoluto e animará sempre e em qualquer circunstância que seja, mesmo a mais difícil. Aí mesmo, sem aparentar por fora o que de verdade não fossemos. Por toda a Quaresma ressoa o apelo de Cristo para sermos autênticos filhos de Deus e só assim nos definirmos e consequentemente demonstrarmos.

As práticas quaresmais – a esmola, a oração e o jejum – têm em Jesus e nos seus discípulos essa dimensão precisa. Resolvem-nos com Deus para nos resolverem na vida. Ouvimos no Evangelho, três vezes seguidas: «Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo… Quando rezares, ora a teu Pai em segredo… Quando jejuares, que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

Ao ouvirmos o profeta Joel: «Diz agora o Senhor: Convertei-vos a Mim de todo o coração…» E depois São Paulo: «Nós vos pedimos em nome de Cristo, reconciliai-vos com Deus!» - é a isso mesmo que se referem, como ponto primeiro de tudo o mais que possa e deva acontecer. Uma atitude basicamente “religiosa”, digamos, que religando-nos a Deus nos religue a tudo e a todos, onde afinal o mesmo Deus nos espera também. Daí que a oração autêntica se concretizará em caridade, saciando-nos no essencial que nunca acabará, o verdadeiro amor, outro nome da convivência perfeita. Dito de maneira mais corrente, a Quaresma há de levar-nos da distração à conversão.

O Papa Francisco dirige-nos a sua Mensagem Quaresmal também em torno duma filiação divina tão verdadeira em nós como libertadora para a criação inteira, partindo dum luminoso passo da Epístola de São Paulo aos Romanos: «A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus (Rm 8, 19).

Recomendo muito a leitura atenta, pessoal e comunitária, da Mensagem papal nesta Quaresma que iniciamos. Tem uma sequência lógica e muito clara, assim enunciada: 1) A redenção da criação, ou seja, a ligação íntima da nossa libertação com a da criação inteira. 2) A força destruidora do pecado, ou seja, a trágica consequência da rotura com Deus, que se torna rotura com tudo. 3) A força sanadora do arrependimento e do perdão, isto é, a real possibilidade duma conversão libertadora, verdadeiramente pascal.

A Mensagem insere-se na repetida insistência do Papa Francisco numa “ecologia integral” que supere de vez o egoísmo que desarmoniza a totalidade em que devemos viver. Bem pelo contrário, quando alguém vive realmente como filho de Deus, «beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção».

De “redenção”, fala o Papa, pois o cativeiro espiritual de quem vive apenas para si aprisiona a natureza nesse mesmo egoísmo, sufocando-a também. Por isso acentua, com dramático realismo: «Quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz».

E finalmente – urgentemente – abre-se a Páscoa, como inadiável horizonte. A Quaresma exercita-a já, para a festejarmos depois. O ritmo das estações do ano acaba por ser monótono, quando não supera os repetidos ciclos com que o paganismo se entretém. A primeira lua cheia da Primavera, que marcará como sempre a Páscoa deste ano, há de trazer-nos bem mais do que isso, se nos encontrar melhores, numa filiação divina que nos libertará também, porque o louvor de Deus e o bem dos outros nos preencherão a vida.

É o significado e o fruto do exercício quaresmal que retomamos: «A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola», escreve ainda o Papa.

Não encontraria melhores palavras para vos desejar a todos uma Santa Quaresma, com horizonte verdadeiramente pascal!

Lisboa, 6 de março de 2019
† MANUEL, Cardeal-Patriarca


A nossa renúncia Quaresmal de 2018, destinada à construção duma escola em Cattin (Bangui), na República Centro-Africana, das Irmãs Oblatas do Coração de Jesus, juntou 236.344,94 €. A desta Quaresma corresponderá ao apelo da Cáritas da Venezuela, que nos pede um sinal de proximidade e comunhão com os mais pobres do seu país, nas dramáticas circunstâncias em que vivem.

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2019

Franc060«A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19)

Queridos irmãos e irmãs!
Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspetiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.

1. A redenção da criação
A celebração do Tríduo Pascal da paixão, morte e ressurreição de Cristo, ponto culminante do Ano Litúrgico, sempre nos chama a viver um itinerário de preparação, cientes de que tornar-nos semelhantes a Cristo (cf. Rm 8, 29) é um dom inestimável da misericórdia de Deus.

Se o homem vive como filho de Deus, se vive como pessoa redimida, que se deixa guiar pelo Espírito Santo (cf. Rm 8, 14), e sabe reconhecer e praticar a lei de Deus, a começar pela lei gravada no seu coração e na natureza, beneficia também a criação, cooperando para a sua redenção. Por isso, a criação – diz São Paulo – deseja de modo intensíssimo que se manifestem os filhos de Deus, isto é, que a vida daqueles que gozam da graça do mistério pascal de Jesus se cubra plenamente dos seus frutos, destinados a alcançar o seu completo amadurecimento na redenção do próprio corpo humano. Quando a caridade de Cristo transfigura a vida dos santos – espírito, alma e corpo –, estes prestam louvor a Deus e, com a oração, a contemplação e a arte, envolvem nisto também as criaturas, como demonstra admiravelmente o «Cântico do irmão sol», de São Francisco de Assis (cf. Encíclica Laudato si’, 87). Neste mundo, porém, a harmonia gerada pela redenção continua ainda – e sempre estará – ameaçada pela força negativa do pecado e da morte.

2. A força destruidora do pecado
Com efeito, quando não vivemos como filhos de Deus, muitas vezes adotamos comportamentos destruidores do próximo e das outras criaturas – mas também de nós próprios –, considerando, de forma mais ou menos consciente, que podemos usá-los como bem nos apraz. Então sobrepõe-se a intemperança, levando a um estilo de vida que viola os limites que a nossa condição humana e a natureza nos pedem para respeitar, seguindo aqueles desejos incontrolados que, no livro da Sabedoria, se atribuem aos ímpios, ou seja, a quantos não têm Deus como ponto de referência das suas ações, nem uma esperança para o futuro (cf. 2, 1-11). Se não estivermos voltados continuamente para a Páscoa, para o horizonte da Ressurreição, é claro que acaba por se impor a lógica do tudo e imediatamente, do possuir cada vez mais.

Como sabemos, a causa de todo o mal é o pecado, que, desde a sua aparição no meio dos homens, interrompeu a comunhão com Deus, com os outros e com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo. Rompendo-se a comunhão com Deus, acabou por fracassar também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, onde estão chamados a viver, a ponto de o jardim se transformar num deserto (cf. Gn 3, 17-18). Trata-se daquele pecado que leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros.

Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco. O pecado – que habita no coração do homem (cf. Mc 7, 20-23), manifestando-se como avidez, ambição desmedida de bem-estar, desinteresse pelo bem dos outros e muitas vezes também do próprio – leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado por ela.

3. A força sanadora do arrependimento e do perdão
Por isso, a criação tem urgente necessidade que se revelem os filhos de Deus, aqueles que se tornaram «nova criação»: «Se alguém está em Cristo, é uma nova criação. O que era antigo passou; eis que surgiram coisas novas» (2 Cor 5, 17). Com efeito, com a sua manifestação, a própria criação pode também «fazer páscoa»: abrir-se para o novo céu e a nova terra (cf. Ap 21, 1). E o caminho rumo à Páscoa chama-nos precisamente a restaurar a nossa fisionomia e o nosso coração de cristãos, através do arrependimento, a conversão e o perdão, para podermos viver toda a riqueza da graça do mistério pascal.

Esta «impaciência», esta expetativa da criação ver-se-á satisfeita quando se manifestarem os filhos de Deus, isto é, quando os cristãos e todos os homens entrarem decididamente neste «parto» que é a conversão. Juntamente connosco, toda a criação é chamada a sair «da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). A Quaresma é sinal sacramental desta conversão. Ela chama os cristãos a encarnarem, de forma mais intensa e concreta, o mistério pascal na sua vida pessoal, familiar e social, particularmente através do jejum, da oração e da esmola.

Jejuar, isto é, aprender a modificar a nossa atitude para com os outros e as criaturas: passar da tentação de «devorar» tudo para satisfazer a nossa voracidade, à capacidade de sofrer por amor, que pode preencher o vazio do nosso coração. Orar, para saber renunciar à idolatria e à autossuficiência do nosso eu, e nos declararmos necessitados do Senhor e da sua misericórdia. Dar esmola, para sair da insensatez de viver e acumular tudo para nós mesmos, com a ilusão de assegurarmos um futuro que não nos pertence. E, assim, reencontrar a alegria do projeto que Deus colocou na criação e no nosso coração: o projeto de amar a Deus, aos nossos irmãos e ao mundo inteiro, encontrando neste amor a verdadeira felicidade.

Queridos irmãos e irmãs, a «quaresma» do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser aquele jardim da comunhão com Deus que era antes do pecado das origens (cf. Mc 1,12-13; Is 51,3). Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que «será libertada da escravidão da corrupção, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus» (Rm 8, 21). Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Peçamos a Deus que nos ajude a realizar um caminho de verdadeira conversão. Abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximo dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais. Assim, acolhendo na nossa vida concreta a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, atrairemos também sobre a criação a sua força transformadora.

Papa Francisco
Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de outubro de 2018

 

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