
Prestar atenção porquê?
Porque amiúde andamos distraídos.
Ou, pior, olhamos indiferentes, sem ver.
Ou pior ainda:
olhamos invejosos,
com aquele olhar vesgo que mata e petrifica.
A atenção e o espanto perante a natureza,
há muito tempo que a ciência moderna os matou.
Prestar atenção,
observar o mundo como quem o vê pela primeira vez,
em silêncio e em jejum,
como que saído das mãos de Deus,
é cultivar um sadio e franciscano reencantamento do mundo. [...]
Prestar atenção
é também "ler com verdade dentro de si mesmo",
descobrir-se antecedido
numa relação de doação de próprio ser.
E a essência do ser é comunhão,
afirmava o trapista Thomas Merton. [...]
Para a experiência cristã,
a hora que vai chegar é sempre "agora":
"Mas vai chegar a hora, e é agora..." (Jo 4, 23).
É "agora" para a Samaritana de Sicar,
junto ao poço de Jacob,
e é igualmente "agora" para o Samaritano
que não passou adiante
e foi o próximo do homem
que descia de Jerusalém para Jericó,
e é sempre "agora" para cada um de nós.
O único tempo que temos é agora.
Entre o já e o ainda-não pascais,
a Quaresma é também, agora,
o pretexto litúrgico e pastoral
para todos os dias prestarmos "atenção uns aos outros"
e nos "estimularmos ao amor e às boas obras".








