
D. Dominique Rey, bispo de Fréjus-Toulon, publicou, já em 2007, o livro "Pode-se ser cristão e maçom?". Afirma que a posição da Igreja sobre a questão não mudou. A revista "Valeurs actuelles" entrevistou-o. Eis aqui alguns excertos desta entrevista:
Poderia resumir a posição da Igreja?
A posição da Igreja, desde que a questão se pôs pela primeira vez, é que não é possível pertencer a uma loja maçónica e ao mesmo tempo professar a fé católica.
A pertença à maçonaria é a adesão a um sistema de pensamento que se inscreve no relativismo, na negação do papel da graça de Deus na relação com o esforço do homem, num sistema que relativiza também o lugar da Igreja, e que pode ser definido como a exaltação de uma inteligência privada do amor. É uma nova forma de gnosticismo.
Para os maçons, a verdade é considerada insusceptível de ser conhecida; enquanto na fé católica ocupa o centro.
De facto, para os maçons, não há verdade absoluta. Tudo parte da inteligência do homem, da explicação de que o homem dá de si mesmo e do sentido das coisas.
A vida já não é recebida; é construída. É ao homem que compete transformar o mundo através do conhecimento íntimo das leis do universo (é a visão do arquitecto), é o homem que se salva pela sua inteligência, ele não precisa de Deus.
O recurso a Deus passa então a valer mais como uma emoção interior do que como uma graça; enquanto, para nós cristãos, é o principal alento para a nossa acção.
Que respostas pode a Igreja dar para o desafio posto pela maçonaria?
Eu julgo que a Maçonaria desafia a Igreja em quatro pontos.
- Primeiro, a necessidade de criar grupos de reflexão, de pôr em acção a pastoral da inteligência.
- Segunda coisa, a ritualização: a dessacralização que podemos encontrar num ou noutro espaço eclesial, numa comunidade ou noutra, faz que se tenham procurado simbólicas alheias, que se tenham utilizado outras reservas simbólicas
- A terceira coisa é a fraternidade: a experiência de uma comunhão entre pessoas, não apenas na ordem da experiência espiritual, interior, mas uma reflexão construída e compartilhada por todos.








