PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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Carta aos que procuram Deuscarta1

A vida eterna
A morte habita na nossa existência quotidiana. Bate continuamente à porta da vida. Todos temos de lidar com ela e com os seus sinais inquietantes. Hoje talvez ela esteja presente na nossa vida de uma forma ainda mais abundante do que antes, graças às comunicações e aos meios de informação da aldeia global. Contudo, reduzimo-la a espectáculo ou a facto privado, procurando até interpretá-la como sinal de uma debilidade que, cedo ou tarde, prevemos conseguir eliminar ou ao menos reduzir.

Sobretudo, exorcizamos o seu pensamento. Não se deve falar da morte. Quem o faz, quebra uma convenção. Quase nos convencemos que falar da morte traz desgraças: é melhor ficar calado, deixar correr ou, no máximo, ficar à distância. As informações que dizem respeito a factos relacionados com a morte vão doseadas com notícias ligeiras e pouco importantes.

A experiência cristã mais autêntica, contudo, pede que estejamos atentos à morte, para sermos senhores da vida, segundo o horizonte global que a fé nos oferece. Só da perspectiva da morte podemos, efectivamente, compreender a nossa vida: aquela que construímos hoje com esforço e aquela que se abre de par em par sobre a nossa existência, como dom imprevisível que vence a própria morte e que emerge em plenitude de vida para além da própria vida.

A esperança última e a esperança penúltima
A esperança é a "boa notícia" que o Evangelho nos dá. Recordou-o o Papa Bento XVI na Encíclica Spe Salvi: "O Evangelho não é apenas a comunicação de realidades que se podem saber, mas uma comunicação que gera factos e muda a vida. A porta tenebrosa do tempo, do futuro, foi aberta de par em par. Quem tem esperança, vive diversamente; foi-lhe dada uma vida nova" (n. 2).

A perspectiva que ilumina a vida, inclusive no duro confronto com a morte, é precisamente a esperança que se manifesta pela ressurreição de Cristo. Não se trata apenas de uma expectativa que nasce quando somos obrigados a medir-nos com um limite que parece intransponível, ou quando percebemos a necessidade de abrir de par em par as portas do presente em direcção a horizontes mais tranquilizadores. Na experiência cristã, a esperança é uma dimensão irrenunciável, alicerçada no próprio encontro com o Senhor Jesus: é ele, ressuscitado da morte, que ilumina o presente e que abre o nosso olhar para um futuro seguro e belo.

O acto de morrer, lido com os olhos da esperança no encontro com Jesus ressuscitado, abre-nos a horizontes que vão para além do limite da própria morte: como Cristo passou da morte à vida, assim também a morte, que Cristo experimentou, é revelada como passagem a uma nova condição da existência, caminho pascal em direcção a um futuro aberto por ele, vencedor da morte. O Novo Testamento concebe esta vida, inaugurada com a morte, como um "estar com Cristo", que selará o nosso seguimento de Jesus, vivido em vida por caminhos misteriosos, não evidentes aos olhos dos homens.

A fé cristã reconhece na Páscoa o acontecimento com o qual o Deus da vida venceu o poder da morte: "Cristo, ressuscitado de entre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele" (Rom 6,9). Será Cristo a introduzir-nos na vida sem ocaso: o seu olhar tornará a pessoa transparente para si mesma, fazendo-a assumir plena consciência da forma como se situou na história no que diz respeito ao amor. O Cristo juiz não é, portanto, o árbitro despótico e cego pela ira que aparece em algumas representações infelizes, mas o rosto da misericórdia de Deus, que trespassa a consciência pessoal e lhe dá a coragem da verdade sobre si própria. No encontro com o Crucificado ressuscitado encontramos, assim, a experiência mais autêntica da vida, o seu verdadeiro selo.

O destino final
Aparece espontaneamente a pergunta sobre o que acontecerá a cada um de nós após a morte. Ela põe um ponto final na aventura da vida ou abre a porta para a transformação da nossa existência, imprevisível à luz dos instrumentos da nossa capacidade reflexiva? Os cristãos, quando se interrogam sobre o resultado da vida depois da morte, referem-se a três possibilidades diversas: o inferno, o paraíso, o purgatório. Hoje parece-nos estranho utilizar estas expressões, que soam a superadas. Contudo, devemos descobri-las no seu significado autêntico, para encher de esperança e de responsabilidade a nossa existência.

O destino final do homem e da história coincide com a caridade infinita, que é também a sua origem: Deus "quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1 Tim 2,4). "Porque estou certo que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura nem a profundidade, nem alguma outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rom 8,38-39). Daqui resulta que o inferno será apenas para quem tiver escolhido, de modo livre e consciente, edificar a sua vida longe de Deus.

O inferno é a tristeza de não poder mais amar, é a nostalgia infinita de não mais poder viver a gratidão, sem a qual o próprio dom é perdido. A possibilidade do inferno é a mesma da nossa liberdade: um Deus que ama e respeita a nossa liberdade não pode salvar-nos sem alguma participação da nossa vontade. Caso contrário, o seu amor seria uma imposição e uma mentira!

Na perspectiva da paixão e morte de Jesus encontramos uma luz até sobre a questão do purgatório: ele corresponde à possibilidade de uma purificação na morte e para além da morte, que nos permite completar em nós aquilo que falta para a nossa plena assimilação a Cristo e à vida divina que ele nos ofereceu. Rezar pelos defuntos quer dizer ajudá-los neste caminho que o amor do Deus da misericórdia oferece a quem não lhe fechou completamente o coração em vida, mas ainda não atingiu a condição de perfeição que lhe permita entrar na beleza do amor infinito da Trindade.

Finalmente, a Páscoa de Jesus ajuda-nos a compreender algo sobre a realidade do paraíso: o termo significa "jardim", e encontra o seu modelo bíblico no Éden do início. A imagem, utilizada pelos profetas, é retomada por Jesus: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23,43). Aquele que procurou viver a própria vida no amor, participa no acontecimento eterno do amor das três pessoas divinas, deixando-se amar pelo Pai no acolhimento do Filho, unido a ele pelo Espírito Santo.

O paraíso é, portanto, uma imagem para dizer o cumprimento da nossa existência como relação plena com Deus e com todas as pessoas que amámos e que nos amaram. Santo Agostinho exprime-o desta forma: "Lá ninguém será nosso inimigo, lá nunca perderemos um amigo" (Discurso 256). Na verdade, o anúncio cristão do paraíso é boa notícia: ajuda-nos a viver com esperança e responsabilidade a nossa vida, para que não sejamos seres vivos em cujo horizonte está a morte, mas seres mortais em cujo horizonte está a vida. A última palavra não será a da morte, mas a da vida: o Deus da vida no fim triunfará e introduzirá os redimidos no esplendor da sua glória sem fim.

(Conferência Episcopal Italiana, in Carta aos que procuram Deus, n.º 16)

 

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