PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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VI Domingo da Páscoa B

permanecei
permanecei
A liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a contemplar o amor de Deus, manifestado na pessoa, nos gestos e nas palavras de Jesus e dia a dia tornado presente na vida dos homens por acção dos discípulos de Jesus.

Na primeira leitura Pedro na casa de Cornélio anuncia Jesus e a sua acção salvífica. Cornélio e toda a sua família acolhem o anúncio e são baptizados. A Salvação, oferecida por Deus através de Jesus Cristo e levada ao mundo pelos discípulos, não é um património dos judeus ou dos cristãos oriundos do judaísmo, mas é um dom destinado a todos os que tem um coração aberto às propostas de Deus.

A segunda leitura apresenta uma das mais profundas e completas definições de Deus: "Deus é amor". A vinda de Jesus ao encontro dos homens e a sua morte na cruz revelam a grandeza do amor de Deus pelos homens. Ser "filho de Deus" e "conhecer a Deus" é deixar-se envolver por este dinamismo de amor e amar os irmãos.

No Evangelho, Jesus define as coordenadas do "caminho" que os seus discípulos devem percorrer, ao longo da sua marcha pela história. Eles são os "amigos" a quem Jesus revelou o amor do Pai; a sua missão é testemunhar o amor de Deus no meio dos homens. Através desse testemunho, concretiza-se o projecto salvador de Deus e nasce o Homem Novo.


LEITURA I – Act 10,25-26.34-35.44-48
Leitura dos Actos dos Apóstolos

Naqueles dias,
Pedro chegou a casa de Cornélio.
Este veio-lhe ao encontro
e prostrou-se a seus pés.
Mas Pedro levantou-o, dizendo:
«Levanta-te, que eu também sou um simples homem».
Pedro disse-lhe ainda:
«Na verdade, eu reconheço
que Deus não faz acepção de pessoas,
mas, em qualquer nação,
aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável».
Ainda Pedro falava,
quando o Espírito desceu
sobre todos os que estavam a ouvir a palavra.
E todos os fiéis convertidos do judaísmo,
que tinham vindo com Pedro,
ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo
se difundia também sobre os gentios,
pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus.
Pedro então declarou:
«Poderá alguém recusar a água do Baptismo
aos que receberam o Espírito Santo, como nós?»
E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo.
Então, pediram-lhe que ficasse alguns dias com eles.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 97 (98)
Refrão: O Senhor manifestou a salvação a todos os povos.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.


LEITURA II – 1 Jo 4,7-10
Leitura da Primeira Epístola de São João

Caríssimos:
Amemo-nos uns aos outros,
porque o amor vem de Deus
e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.
Quem não ama não conhece a Deus,
porque Deus é amor.
Assim se manifestou o amor de Deus para connosco:
Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito,
para que vivamos por Ele.
Nisto consiste o amor:
não fomos nós que amámos a Deus,
mas foi Ele que nos amou
e enviou o seu Filho
como vítima de expiação pelos nossos pecados.


EVANGELHO – Jo 15,9-17
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,
Disse Jesus aos seus discípulos:
«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei.
Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor,
Assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai
e permaneço no seu amor.
Disse-vos estas coisas,
para que a minha alegria esteja em vós
e a vossa alegria seja completa.
É este o meu mandamento:
que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei.
Ninguém tem maior amor
do que aquele que dá a vida pelos amigos.
Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando.
Já não vos chamo servos,
porque o servo não sabe o que faz o seu senhor;
mas chamo-vos amigos,
porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai.
Não fostes vós que Me escolhestes;
fui eu que vos escolhi e destinei,
para que vades e deis fruto
e o vosso fruto permaneça.
E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome,
Ele vo-lo concederá.
O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».


Ressonâncias

O texto deste Evangelho faz parte do discurso da despedida na última Ceia. É o último discurso de Jesus aos discípulos, antes de ser preso. São as últimas recomendações aos seus "amigos", antes de partir. Deus tinha dado aos hebreus, através de Moisés, 10 mandamentos no Sinai. Mas os rabinos criaram 613 mandamentos e milhares de prescrições e proibições, todas gravemente vinculadoras, que tornavam praticamente impossível a sua observância. Jesus resume toda a lei do Antigo Testamento em dois mandamentos: amor a Deus e ao próximo. E, no fim da sua vida terrena - durante a Última Ceia -, depois de ter lavado os pés aos discípulos, fala de um só mandamento: "Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Por isso todos saberão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros." (Jo 13, 34-35)

O Evangelho de hoje não é apenas um discurso para os apóstolos reunidos no cenáculo para a última ceia, mas um discurso que o Ressuscitado dirige hoje do céu para todos os discípulos. É um resumo, uma síntese de muitas coisas em poucas palavras. Mas se quisermos resumir num pensamento central, poderíamos dizer que todas se reduzem ao AMOR.

Os discípulos são "amigos" de Jesus: "Já não vos chamo servos, mas amigos." Amigo é muito mais de que um servo, um colaborador, é um confidente, com o qual existe uma comunhão de vida, de planos e ideais. Um Deus com sentimentos humanos nobres e profundos.

A iniciativa é de Jesus: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi". O Amor partiu dele, não de nós. Desse amor, nasce a vitalidade e a amplidão da sua Missão. Baseada nisso, a resposta dos discípulos torna-se fecunda em frutos duradouros. Consequentemente, a oração deles ao Pai também será ouvida, porque feita em nome de Cristo.

A Igreja é a "comunidade de amigos", que acolhem o convite de Jesus e colaboram na missão de testemunhar ao mundo o Amor do Pai, com alegria e entusiasmo. O melhor testemunho em Deus em quem acreditamos e da Boa nova que anunciamos é nossa comunhão.

Os "amigos de Jesus" devem amar como Ele amou. A prova concreta que amamos é a observância dos Mandamentos: "Quem me ama, guarda os meus mandamentos. [...] Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei". Amar como Ele, é tornar em nós visível o amor de Deus; amar como Ele, é amar também os "amigos" de Jesus; Seremos "amigos de Jesus", quando formos testemunhas desse mundo novo que Deus quer oferecer aos homens e que Jesus anunciou através dos seus gestos e palavras. Aqui reside a "identidade" dos discípulos de Jesus.

O Amor é a base e o fundamento do cristão; sem amor não há cristão.

O amor fundado em Cristo supera as divergências, anula as distâncias, elimina o egoísmo, as rivalidades, as discórdias. Esse amor dá aquela fecundidade apostólica, que Jesus espera dos seus discípulos. Só quem vive no amor pode levar ao mundo o fruto precioso do Amor.

As nossas comunidades são, realmente, cartazes vivos que anunciam o amor, ou são espaços de conflito, de divisão, de luta pelos próprios interesses, de realização de projectos egoístas?

Concluamos com uma verdade muito consoladora: Deus é amor e nós somos amados por Ele! Por isso convida-nos a permanecermos no seu amor "amando-nos uns aos outros como Ele nos amou!"; pois, "onde existe o amor e a caridade, aí habita Deus!"


Tal pai tal filho...

Um miúdo foi ao barbeiro e, ao ser interrogado como queria que lhe cortassem o cabelo, respondeu prontamente:
– Careca, como o meu pai.

E todos os presentes disseram em coro:
– Tal pai tal filho...

Este garoto revia-se no pai e não tinha dificuldade em fazer dele o seu melhor amigo e o modelo a imitar.

Quem ama, copia os gestos da pessoa amada, assume os seus critérios de vida, imita-lhe as expressões. O amor leva sempre à identificação com o outro. Cada um é aquilo que ama. Se ama a terra será terra também, mas se ama a Deus torna-se divino. É por isso que Jesus Cristo diz no Evangelho de hoje:
– Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei...É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei.

Em primeiro lugar Ele assume a dinâmico do amor do Pai, identificando-se com Ele. Depois convida os seus discípulos a fazerem o mesmo.

Segundo a nossa lógica humana, Jesus devia dizer: Eu amei-vos, agora deveis amar-Me na mesma medida. Mas a lógica de Deus é diferente: eu amei-vos, agora fazei o mesmo aos outros. Só assim provareis que me tendes amor, se vos amardes tal como vos amei.

Pe. José David Quintal Vieira, scj


Obrigado, Senhor Jesus,
porque gratuitamente nos aceitas como Teus amigos
que conhecem os Teus segredos e cumprem os Teus mandamentos com alegria,
superando a relação senhor/escravo.

Tu nos escolheste e nos destinaste para que demos fruto duradouro
e para que a tua alegria esteja connosco e chegue à plenitude.

O caminho para esta felicidade completa é AMAR como Tu nos amas,
porque somente devolvendo aos outros o amor com que Tu nos amas,
dando vida e alegria, estas se possuem e se aumentam.
Dá-nos, Senhor, uma boa dose de amor e de alegria no Espírito.

Precisamos com urgência delas para permanecermos unidos a Jesus
e darmos fruto abundante de fé, paz e alegria.
Amen.

horariomissas