PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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Solenidade da Epifania do Senhor

Magos15O tempo de Natal é uma caminhada à procura de Jesus. Com a festa da Epifania, que hoje celebramos, concluimos esse tempo, recordando a procura e o encontro de Jesus pelos Magos, que representam todos os povos e nações. (A palavra Epifania significa manifestação de Deus aos homens.)

A Liturgia deste Domingo leva-nos à manifestação de Jesus. Ele é uma "Luz", que se acende na noite do mundo e ilumina os caminhos dos homens, conduzindo-os ao encontro da Salvação.

A primeira leitura anuncia a chegada da Luz salvadora do Senhor, que transfigurará Jerusalém e atrairá a ela povos de todo o mundo. Esta Jerusalém nova representa a Igreja, comunidade dos que aderiram a Jesus e acolheram a Luz salvadora que ele veio trazer.

A segunda leitura apresenta o projecto salvador de Deus, como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos, a comunidade de Jesus.

No Evangelho vemos a concretização da promessa da primeira leitura. Guiados pela luz da Estrela, procuram com esperança o Messias e reconhecem n'Ele a "Salvação de Deus" e aceitam-no como "Senhor".


Primeira Leitura (Is 60,1-6)
Leitura do Livro de Isaías

Levanta-te e resplandece, Jerusalém,
porque chegou a tua luz
e brilha sobre ti a glória do Senhor.
Vê como a noite cobre a terra
e a escuridão os povos.
Mas sobre ti levanta-Se o Senhor
e a sua glória te ilumina.
As nações caminharão à tua luz
e os reis ao esplendor da tua aurora.
Olha ao redor e vê:
todos se reúnem e vêm ao teu encontro;
os teus filhos vão chegar de longe
e as tuas filhas são trazidas nos braços.
Quando o vires ficarás radiante,
palpitará e dilatar-se-á o teu coração,
pois a ti afluirão os tesouros do mar,
a ti virão ter as riquezas das nações.
Invadir-te-á uma multidão de camelos,
de dromedários de Madiã e Efá.
Virão todos os de Sabá,
trazendo ouro e incenso
e proclamando as glórias do Senhor.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 71 (72)
Refrão: Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.

Ó Deus, concedei ao rei o poder de julgar
e a vossa justiça ao filho do rei.
Ele governará o vosso povo com justiça
e os vossos pobres com equidade.

Florescerá a justiça nos seus dias
e uma grande paz até ao fim dos tempos.
Ele dominará de um ao outro mar,
do grande rio até aos confins da terra.

Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes,
os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas.
Prostrar-se-ão diante dele todos os reis,
todos os povos o hão-de servir.

Socorrerá o pobre que pede auxílio
e o miserável que não tem amparo.
Terá compaixão dos fracos e dos pobres
e defenderá a vida dos oprimidos.


Segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6)
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Efésios

Irmãos:
Certamente já ouvistes falar
da graça que Deus me confiou a vosso favor:
por uma revelação,
foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo.
Nas gerações passadas,
ele não foi dado a conhecer aos filhos dos homens
como agora foi revelado pelo Espírito Santo
aos seus santos apóstolos e profetas:
os gentios recebem a mesma herança que os judeus,
pertencem ao mesmo corpo
e participam da mesma promessa,
em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.


EVANGELHO (Mt 2,1-12)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia,
nos dias do rei Herodes,
quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente.
«Onde está – perguntaram eles –
o rei dos judeus que acaba de nascer?
Nós vimos a sua estrela no Oriente
e viemos adorá-l'O».
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes ficou perturbado
e, com ele, toda a cidade de Jerusalém.
Reuniu todos os príncipes dos sacerdotes e escribas do povo
e perguntou-lhes onde devia nascer o Messias.
Eles responderam: «Em Belém da Judeia,
porque assim está escrito pelo profeta:
'Tu, Belém, terra de Jusá,
não és de modo nenhum a menor
entre as principais cidades de Judá,
pois de ti sairá um chefe,
que será o Pastor de Israel, meu povo'».
Então Herodes mandou chamar secretamente os Magos
e pediu-lhes informações precisas
sobre o tempo em que lhes tinha aparecido a estrela.
Depois enviou-os a Belém e disse-lhes:
«Ide informar-vos cuidadosamente acerca do Menino;
e, quando O encontrardes, avisai-me,
para que também eu vá adorá-l'O».
Ouvido o rei, puseram-se a caminho.
E eis que a estrela que tinham visto no Oriente
seguia à sua frente
e parou sobre o lugar onde estava o Menino.
Ao ver a estrela, sentiram grande alegria.
Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe,
e, prostrando-se diante d'Ele, adoraram-n'O.
Depois, abrindo os seus tesouros,
ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
E, avisados em sonhos
para não voltarem à presença de Herodes,
regressaram à sua terra por outro caminho.


RessonânciasNatal018

Esta narrativa não é uma reportagem jornalística, mas uma catequese sobre Jesus e a sua Missão. A Estrela não é um astro no céu, mas a pessoa de Jesus. Ele é a "Luz" anunciada pelos profetas. Os Magos representam os povos estrangeiros que vão ao encontro de Jesus e se deixam guiar pela sua mensagem de paz e de amor. São imagem da Igreja, formada de todos os povos que aderem a Jesus e O reconhecem como o seu "Senhor".

A intenção de S. Mateus era apresentar Jesus como o novo Moisés, o ungido de Deus, recusado pelos judeus e aceite pelos pagãos, que formarão o novo Israel, o novo povo de Deus: a Igreja.

Atitudes diante desta estrela: adoração, indiferença e rejeição.
– Adoração: os Magos viram a "estrela", deixaram tudo e puseram-se a caminho para descobrir Jesus e adorá-l'O: "Vimos e viemos". Os Magos representam todos os povos não judeus, agora associados à História da Salvação.
– Indiferença: os Sacerdotes conheciam-n'O bem nas Escrituras. Sabiam até o lugar onde Ele deveria nascer, mas não perceberam o sinal da sua chegada, nem se preocuparam de ir ao seu encontro. Estavam muito seguros da sua sabedoria, por isso não acolheram a alegria de encontrar e adorar o Salvador.
– Rejeição: Herodes tentou até apagar essa Luz. Ele simboliza os grandes deste mundo que temem a Sua chegada. Poderia roubar-lhe o trono.

Todos viram a mesma realidade: um menino recém-nascido, mas as opções foram e são diferentes.
Com quem nos assemelhamos? Com os Magos, atentos aos sinais, capazes de ler os acontecimentos de nossa vida e a história do mundo à luz de Deus? Com os Sacerdotes, orgulhosos do seu saber, mas acomodados? Com Herodes, que procura matar o menino?

Há um caminho a seguir n procura de Deus.
O itinerário seguido pelos magos reflecte o processo que os pagãos percorreram para encontrar Jesus: Estão atentos aos sinais (a estrela); percebem que Jesus traz a Salvação; põem-se a caminho para O encontrar perguntam aos judeus, que conhecem as Sagradas Escrituras, o que fazer; encontram Jesus e o adoram-n'O; oferecem-Lhe "os seus tesouros" e "voltam por outro caminho".
Neste relato, descobrimos as etapas do nosso caminho à procura de Jesus: a sensibilidade em distinguir os sinais de Deus e a generosidade em aceitar o convite.

"Os magos viram a estrela e vieram adorá-l'O". Natal732Eles não perderam a esperança na incompreensão dos contemporâneos, nem diante das dificuldades da longa caminhada, da ignorância e maldade de Herodes, ou do ambiente rústico em que encontraram o Menino, o Rei dos judeus.
Se olharmos o mundo e os homens com os olhos da fé tudo será uma manifestação e presença de Deus, uma perene Epifania.

Os magos não se apresentaram de mãos vazias. Ofereceram as suas riquezas: ouro, incenso e mirra.
O que temos nós hoje para lhe dar?

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Obrigado, Senhor Jesus, porque vieste também para nós! Obrigado porque nos arrancaste do poder das trevas, porque nos fizeste encontrar o Deus vivo e verdadeiro! 

Hoje, também nós vemos a luz e somos convidados a seguir a estrela do Menino; hoje, também nós somos convidados a adorá-lo, presenteando-o com os nossos melhores dons: o ouro das nossas boas obras, a mirra do nosso coração, o incenso do nosso amor!

Hoje, também somos convidados a admirar o exemplo dos sábios do Oriente, que vendo no céu o sinal do Rei nascido, não temeram deixar tudo e, humildemente, seguir a luz!
Como Abraão, o pai de todos os crentes, deixou a sua terra e partiu à ordem de Deus, sem saber para onde ia, assim também, aqueles que hoje são as nossas primícias para Cristo, partem, obedecendo ao apelo do Senhor, sem saber para onde vão!

Partamos nós também! Partamos da nossa vida cómoda, partamos da nossa fé tíbia, partamos do nosso cristianismo burguês, que deseja ser compreendido, aceite, e aplaudido pelo mundo... ou não veremos a luz do Menino!
Partamos, pois, e encontraremos Aquele que é a Luz do mundo!


"Regressaram à sua terra por outro caminho." (Mt 2, 12)

Quem procura?

De procuras e encontros (e também alguns desencontros!) se vai escrevendo a nossa história. Revelamo-nos tanto em tudo o que procuramos. Por isso também gosto muito de olhar para os magos que chegam ao presépio como representantes da procura humana que se agita dentro de nós. Procuramos mais felicidade, mais realização, mais conhecimento, mais amor. Não se trata de uma mera insatisfação porque nos maravilhamos com o que alcançamos, mas é como se um dinamismo maior do que nós nos habitasse. O problema é quando se transforma a procura na ânsia desmesurada de "ser deus" e não agradecemos nem saboreamos o que já alcançámos!

Quantas vezes procuramos fora de nós aquilo que está tão íntimo e próximo! Santo Agostinho di-lo nas suas Confissões: "Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! E eis que estavas dentro de mim e eu fora, e aí te procurava, e eu, sem beleza, precipitava-me nessas coisas belas que tu fizeste. Tu estavas comigo e eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti aquelas coisas que não seriam, se em ti não fossem. Chamaste, e clamaste, e rompeste a minha surdez; brilhaste, cintilaste, e afastaste a minha cegueira; exalaste o teu perfume, e eu respirei e suspiro por ti; saboreei-te, e tenho fome e sede; tocaste-me, e inflamei-me no desejo da tua paz." Procuramos longe o que está perto, como também diz Sophia de Mello Breyner Andressen, num poema sobre a estrela que guiou os magos.: "Quanto deserto / Atravessei para encontrar aquilo / Que morava entre os homens e tão perto". No meio de todas as procuras não podemos esquecer a do nosso universo interior, aquela que faz descobrir riquezas incontáveis no íntimo de cada pessoa.

Mas o que verdadeiramente me espanta Natal742é que Deus também nos procure. Mais do que o "motor imóvel" de Aristóteles revela-se como Pai a lançar-se nos braços do filho pródigo, como Filho a pisar os nossos caminhos de terra e flores, como Espírito que sopra e semeia incêndios de amor. É d'Ele que aprendemos a alegria de procurar uns com os outros, de potenciar os dons diversos e tão interdependentes, de fazer a festa do encontro. É com Ele que vencemos o medo (até o medo de errar e de nos perdemos), que celebramos o esforço e promovemos a iniciativa, que recusamos as teias de aranha e a tentação fácil de condenar. É n'Ele que cada dia pode encher-se de descobertas e o que é pequeno e frágil ter uma beleza imensa. Que outro e novo caminho trazemos do Natal acabado de celebrar? Como se pode traduzir numa procura maior o encontro com Jesus Emanuel, o Deus-connosco? Queremos mesmo procurar?

Vítor Gonçalves, in Voz da Verdade, 08.01.2012

Em Dia de Reis

Natal é a certeza de um Deus-Menino,
acampado no meio de nós.

Solidário com as nossas alegrias e tristezas,
as nossas esperanças, dificuldades e frustrações...

E agora, outra vez os Reis,Magos1
os representantes da procura e do sonho
que nos habita e agiganta o coração.

Para compreender a festa de Reis:
- É preciso pés novos,
para partir em demanda de outros horizontes,
abandonando rotinas e dogmas e sofás.

- É preciso olhos novos,
para descobrir, na terra e nos céus,
as estrelas e os sinais
que nos guiam no encontro com Deus na história.

- É preciso um coração novo,
para se encantar com um Menino,
e prostrar-se diante dele em humilde adoração,
perante a rejeição dos senhores do Tempo e do Templo
e a indiferença dos "sábios" da corte.

- É necessário mãos novas,
que se abram em partilha e gratidão,
com presentes generosos e solidários...

- É preciso uma vontade nova,
decididos a regressar ao seu interior
e ao coração dos irmãos por outro caminho:
o caminho da Fraternidade, do Perdão e da Festa.


Ser Estrela

Os Magos chegaram a Belém guiados por uma estrela. estrelaÉ que as pessoas são como estrelas ou como cometas.
Os cometas passam, as estrelas permanecem. Há gente cometa que passa pela vida apenas por instantes, gente que não prende ninguém e a ninguém se prende, gente sem amigos que passa pela vida sem iluminar, sem guiar ou marcar presença.

O importante é ser estrela, estar junto, ser luz, ser calor, ser vida. Um amigo é uma estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias mas a marca fica no coração. Há necessidade de criar um mundo de estrelas. Todos os dias poder contar com elas e poder sentir a sua luz e calor.

Ser estrela neste mundo passageiro de pessoas cometas é um desafio e uma recompensa.Recompensa por ter sido luz para muitos amigos, ter sido calor para muitos corações, ter nascido e ter vivido e não apenas existido.
Na nossa constelação cada estrela tem o seu brilho próprio onde o importante não é brilhar mais, mas brilhar sempre.Há um autor desconhecido que escreveu: "Para que a sua estrela brilhe, não é preciso apagar a minha."

Pe. José David Quintal Vieira, scj
 

«Ao iniciar este ano, descubramos de novo a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De fato, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo.»

Homilia do papa Francisco na Solenidade da Epifania

No Evangelho (Mt 2, 1-12), os Magos começam por manifestar a intenção que os move: «Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo» (2, 2). Adorar é o objetivo do seu percurso, a meta do seu caminho. De facto, chegados a Belém, quando «viram o Menino com Maria, sua mãe, prostrando-se, adoraram-No» (2, 11). Se perdermos o sentido da adoração, falta-nos o sentido de marcha da vida cristã, que é um caminho rumo ao Senhor, e não a nós. O risco existe, como nos adverte o Evangelho, quando, a par dos Magos, mostra personagens incapazes de adorar.

O primeiro deles é o rei Herodes, que usa o verbo «adorar», mas de maneira falaciosa. Com efeito, pede aos Magos que o informem do local onde encontrarem o Menino, «para – diz ele – ir também eu adorá-Lo» (2, 8). Na realidade, Herodes adorava apenas a si mesmo e por isso, com uma mentira, o que ele queria era livrar-se do Menino. Que nos ensina isto? Que o homem, quando não adora a Deus, é levado a adorar-se a si mesmo; e a própria vida cristã, sem adorar o Senhor, pode tornar-se uma forma educada de se louvar a si mesmo e a sua habilidade. É um risco sério: servir-se de Deus, em vez de servir a Deus. Quantas vezes trocamos os interesses do Evangelho pelos nossos; quantas vezes revestimos de religiosidade aquilo que a nós nos convém; quantas vezes confundimos o poder segundo Deus, que é servir os outros, com o poder segundo o mundo, que é servir-se a si mesmo!

Além de Herodes, há outras pessoas no Evangelho que não conseguem adorar: são os chefes dos sacerdotes e os escribas do povo. Com extrema precisão, indicam a Herodes o local onde havia de nascer o Messias: em Belém da Judeia (cf. 2, 5). Conhecem as profecias e citam-nas de forma exata. Sabem aonde ir, mas não vão. Disto, também podemos tirar uma lição: na vida cristã, não basta saber. Sem sair de si mesmo, sem ir ao encontro de Deus, sem O adorar, não O conhecemos. De pouco ou nada servem a teologia e a ação pastoral, senão se dobram os joelhos; senão se faz como os Magos, que não se limitaram a ser sábios organizadores duma viagem, mas caminharam e adoraram. Quando se adora, apercebemo-nos de que a fé não se reduz a um belo conjunto de doutrinas, mas é a relação com uma Pessoa viva, que devemos amar. É permanecendo face a face com Jesus que conhecemos o seu rosto. Quando O adoramos, descobrimos que a vida cristã é uma história de amor com Deus, onde não basta ter boas ideias sobre Ele, mas é preciso colocá-Lo em primeiro lugar, como faz um namorado com a pessoa amada. Assim deve ser a Igreja: uma adoradora enamorada de Jesus, seu esposo.

Ao principiar este ano, descubramos de novo a adoração como exigência da fé. Se soubermos ajoelhar diante de Jesus, venceremos a tentação de olhar apenas aos nossos interesses. De facto, adorar é fazer o êxodo da maior escravidão: a escravidão de si mesmo. Adorar é colocar o Senhor no centro, para deixarmos de estar centrados em nós mesmos. É predispor as coisas na sua justa ordem, reservando o primeiro lugar para Deus. Adorar é antepor os planos de Deus ao meu tempo, aos meus direitos, aos meus espaços. É aceitar o ensinamento da Escritura: «Ao Senhor, teu Deus, adorarás» (Mt 4, 10). «Teu Deus»: adorar é sentir que nos pertencemos mutuamente, eu e Deus. É tratá-Lo por «Tu» na intimidade, é depor a seus pés a nossa vida, permitindo-Lhe entrar nela. É fazer descer sobre o mundo a sua consolação. Adorar é descobrir que, para rezar, basta dizer «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28) e deixar-me invadir pela sua ternura.

Adorar é ir ter com Jesus, não com uma lista de pedidos, mas com o único pedido de estar com Ele. É descobrir que a alegria e a paz crescem com o louvor e a ação de graças. Quando adoramos, permitimos a Jesus que nos cure e transforme; adorando, damos ao Senhor a possibilidade de nos transformar com o seu amor, iluminar as nossas trevas, dar-nos força na fraqueza e coragem nas provações. Adorar é ir ao essencial: é o caminho para se desintoxicar de tantas coisas inúteis, de dependências que anestesiam o coração e estonteiam a mente. De facto, adorando, aprende-se a rejeitar o que não deve ser adorado: o deus dinheiro, o deus consumo, o deus prazer, o deus sucesso, o nosso eu arvorado em deus. Adorar é fazer-se pequenino na presença do Altíssimo, descobrir diante d’Ele que a grandeza da vida não consiste em ter, mas em amar. Adorar é descobrir-nos como irmãos e irmãs face ao mistério do amor que ultrapassa todas as distâncias: é beber o bem na fonte, é encontrar no Deus próximo a coragem de nos aproximarmos dos outros. Adorar é ficar calado diante do Verbo divino, para aprender a dizer palavras que não magoem, mas consolem.

Adorar é um gesto de amor que muda a vida. É fazer como os Magos: levar ao Senhor o ouro, para Lhe dizer que nada é mais precioso do que Ele; oferecer-Lhe o incenso, para Lhe dizer que só com Ele se eleva para o alto a nossa vida; apresentar-Lhe a mirra – com ela se ungiam os corpos feridos e dilacerados – como promessa a Jesus de que socorreremos o próximo marginalizado e sofredor, porque nele está o Senhor.

Amados irmãos e irmãs, hoje cada um de nós pode interrogar-se: «Sou um cristão adorador?» A pergunta impõe-se-nos, pois muitos cristãos que rezam, não sabem adorar. Encontremos momentos para a adoração ao longo do nosso dia e criemos espaço para a adoração nas nossas comunidades. Cabe a nós, como Igreja, colocar em prática as palavras que acabamos de rezar no Salmo: «Adorar-Vos-ão, Senhor, todos os povos da terra». Adorando, descobriremos também nós, como os Magos, a direção certa do nosso caminho. E sentiremos, como os Magos, uma «imensa alegria» (Mt 2, 10).

Basílica de S. Pedro, 06-01-2020

 

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