PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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XXXI Domingo do Tempo Comum - A

JC23
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A liturgia da Palavra deste Domingo convida-nos a uma reflexão sobre a seriedade, a verdade e a coerência do nosso compromisso com Deus e com o Reino, interpelando-nos acerca da verdade do nosso testemunho comprometido com os valores do Evangelho.

Na primeira leitura, o Profeta censura as autoridades religiosas pela decadência moral e religiosa em que o povo de Israel vivia. Eram encarregados de serem os guias espirituais do povo, mas ao invés preocupavam-se apenas com os próprios interesses. Jahvé anuncia que não pode tolerar esse comportamento e que vai desautorizá-los e desmascará-los tornando-se desprezíveis diante de todo o povo"

A segunda leitura apresenta-nos, em contraste com a primeira, o exemplo de Paulo, Silvano e Timóteo – os evangelizadores da comunidade cristã de Tessalónica. Do esforço missionário feito com amor e humildade, com simplicidade e gratuidade, nasceu uma comunidade viva e fervorosa, que acolheu o Evangelho como um dom de Deus, que se comprometeu com ele e que o testemunha com verdade, coerência e alegria.

O Evangelho apresenta-nos o grupo dos fariseus. Censura violentamente a sua pretensão à posse exclusiva da verdade, a sua incoerência e exibicionismo, a sua insensibilidade ao amor e à misericórdia. Mais do que informação histórica, é um convite aos crentes no sentido de não deixarem que atitudes semelhantes se introduzam na família cristã e destruam a fraternidade, fundamento da comunidade de modo a que não se transformem também em "fariseus".


Primeira Leitura (Mal 1,14b-2,2b.8-10)
Leitura da Profecia de Malaquias

Eu sou um grande Rei, diz o Senhor do Universo,
e o meu nome é temível entre as nações.
Agora, este aviso é para vós, sacerdotes:
Se não Me ouvirdes,
se não vos empenhardes em dar glória ao meu nome,
diz o Senhor do Universo,
mandarei sobre vós a maldição.
Vós desviastes-vos do caminho,
fizestes tropeçar muitos na lei
e destruístes a aliança de Levi,
diz o Senhor do Universo.
Por isso, como não seguis os meus caminhos
e fazeis acepção de pessoas perante a lei,
também Eu vos tornarei desprezíveis e abjectos
aos olhos de todo o povo.
Não temos todos nós um só Pai?
Não foi o mesmo Deus que nos criou?
Então porque somos desleais uns para com os outros,
profanando a aliança dos nossos pais?


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 130 (131)
Refrão: Guardai-me junto de Vós, na vossa paz, Senhor.

Senhor, não se eleva soberbo o meu coração,
nem se levantam altivos os meus olhos.
Não ambiciono riquezas,
nem coisas superiores a mim.

Antes fico sossegado e tranquilo,
como criança ao colo da mãe.
Espera, Israel, no Senhor,
agora e para sempre.


Segunda Leitura (1 Tes 2,7b-9.13)
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo São Paulo aos Tessalonicenses

Irmãos:
Fizemo-nos pequenos no meio de vós.
Como a mãe que acalenta os filhos que anda a criar,
assim nós também, pela viva afeição que vos dedicamos,
desejaríamos partilhar convosco,
não só o Evangelho de Deus, mas ainda própria vida,
tão caros vos tínheis tornado para nós.
Bem vos lembrais, irmãos, dos nossos trabalhos e canseiras.
Foi a trabalhar noite e dia,
para não sermos pesados a nenhum de vós,
que vos pregámos o Evangelho de Deus.
Por isso, também nós damos graças a Deus sem cessar,
porque, depois de terdes ouvido a palavra de Deus
por nós pregada,
vós a acolhestes, não como palavra humana,
mas como ela é realmente, palavra de Deus,
que permanece activa em vós, os crentes.


Evangelho (Mt 23,1-12)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
Jesus falou à multidão e aos discípulos, dizendo:
«Na cadeira de Moisés sentaram-se os escribas e os fariseus.
Fazei e observai tudo quanto vos disserem,
mas não imiteis as suas obras,
porque eles dizem e não fazem.
Atam fardos pesados e põem-nos aos ombros dos homens,
mas eles nem com o dedo os querem mover.
Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens:
alargam os filactérios e ampliam as borlas;
gostam do primeiro lugar nos banquetes
e dos primeiros assentos nas sinagogas,
das saudações nas praças públicas
e que os tratem por 'Mestres'.
Vós, porém, não vos deixeis tratar por 'Mestres',
porque um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos.
Na terra não chameis a ninguém vosso 'Pai',
porque um só é o vosso pai, o Pai celeste.
Nem vos deixeis tratar por 'Doutores',
porque um só é o vosso doutor, o Messias.
Aquele que for o maior entre vós será o vosso servo.
Quem se exalta será humilhado
e quem se humilha será exaltado».


Ressonâncias

Como são os Fariseus?Fariseus4

Fariseus4

– "Sentam-se na cadeira de Moisés", apesar dessa cadeira não lhes pertencer. Os verdadeiros responsáveis por transmitir a Palavra de Deus ao povo são os profetas, mas eles atribuem a si a autoridade de interpretar a Lei de Moisés, substituindo assim a mensagem profética pelas normas humanas.
– São incoerentes: "Não fazem o que dizem". Externamente apresentam-se como pessoas religiosas, bons praticantes, mas depois na vida concreta são bem diferentes.
– Carregam os homens com fardos pesados e insuportáveis. Criam uma religião cheia de leis e de obrigações, formando uma consciência de impureza e der pecado, que oprime as consciências e tira a liberdade e a alegria. É uma autêntica escravatura da Lei.
– Fazem da fé e da piedade um espectáculo de exibição. Tudo fazem para serem vistos e honrados por todos e em todos os lugares.
Será que existem ainda hoje nas nossas comunidades pessoas assim?

Nós, Cristãos como devemos viver, para não nos transformarmos também em "fariseus"?
– A comunidade cristã deveria ser verdadeira Fraternidade.fariseus2

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A Igreja é constituída por irmãos iguais ("vós sois todos irmãos"), que têm um Pai comum ("um só é o vosso Pai, aquele que está no céu") e que seguem o mesmo Cristo ("um só é o vosso Mestre, Cristo"). Nesse Reino, proposto aos homens por Deus e inaugurado por Jesus, só Deus ocupa um lugar de honra. Todos os membros são iguais em dignidade e entre si deveriam ser servidores uns dos outros (o gesto do lava-pés da Última Ceia).
– Na comunidade cristã, o importante não são os títulos e os lugares de honra, mas o serviço simples e humilde que se presta aos irmãos. Mas será possível avançar na fraternidade e no amor, quando nas nossas comunidades sobressai a ambição e o conflito?
– A Comunidade cristã deve ser serva da Verdade, não dona, caso contrário substituímos o Evangelho por normas puramente humanas que sobrecarregam as pessoas, abafam a alegria e o entusiasmo do cristão.
– A comunidade cristã deve ser autêntica, evitando a falsidade e a hipocrisia dos que se satisfazem apenas com as aparências ou a admiração dos outros. O verdadeiro cristão vive com sinceridade e alegria o seu compromisso com o Evangelho.

Quem seriam os fariseus de hoje? Será que fazemos tudo o que dizemos para os outros?

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Ser Grande

Num acampamento de amigos era necessário escolher alguém para a chefia do grupo. Seria o representante de todos, o coordenador das actividades, o responsável pela ordem, etc. Fizeram uma votação. escuteiro

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Quando o resultado foi anunciado, o mais votado começou por dizer:
— Eu não sou digno dessa escolha. Há outros que tem mais capacidades do que eu. Não sei se serei capaz de ser o chefe que esperais...

Então um colega sugeriu que se escolhesse outro para o seu lugar.
— Caramba – disse o primeiro – já não se pode fazer um acto de humildade?
E não abdicou do seu novo cargo.

Também nós gostamos de ser importantes.
Jesus Cristo lembra-nos que quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado. Ser bom é importante mas o importante é ser bom.

O homem grande é silenciosamente bom. É poderoso, mas sem exibir poder. Adora o que é sagrado, mas sem fanatismo. Carrega fardos pesados, com leveza e sem gemidos. Domina, mas sem insolência. É humilde, mas sem servilismo. Fala a grandes distâncias, mas sem gritar. Ama, sem se oferecer. Faz bem a todos, sem o fazer notar. Renuncia, sem fazer disso um culto. Abre novos caminhos, sem esmagar ninguém. Entra no coração do homem, sem arrombar a porta.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

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