PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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Vinha11a
Vinha11a

A liturgia da Palavra deste Domingo utiliza a imagem da "vinha do Senhor" para falar do Povo que aceita o desafio do amor de Deus e que se coloca ao serviço de Deus. Desse Povo, Deus exige frutos de amor, de paz, de justiça, de bondade e de misericórdia.

Na primeira leitura, encontramos o "Cântico da Vinha", um lindo poema composto pelo profeta Isaías, talvez a partir de uma canção de vindima. Através do profeta, Deus (o amigo) julga o seu povo (a vinha), cantando um hino, em que descreve o amor de Deus e a resposta do Povo. Um agricultor escolheu o terreno mais adequado, escolheu cepas da melhor qualidade, tomou todos os cuidados necessários. O sonho dele era a colheita dos frutos do seu trabalho. Mas a decepção foi grande, só deu agraços: "que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito?". O seu amor transformou-se em decepção: derrubou o muro de protecção, permitiu que os transeuntes a pisassem livremente e que as silvas as dominasse. Os frutos, que o Senhor esperava, eram a fidelidade à Aliança, a justiça social, o amor ao pobre e à viúva. E, ao invés, o que recolheu? uvas amargas: pecado, infidelidade, opressão, mentira; uma religião ritualista sem conversão do coração. Daí o castigo de Deus: a invasão dos assírios e depois dos babilónios...

Na segunda leitura, Paulo exorta os cristãos que fazem parte da "vinha do Senhor" a viverem na alegria e na serenidade, respeitando o que é verdadeiro, nobre, justo e digno. São esses os frutos que Deus espera da sua "vinha".

No Evangelho, Jesus retoma a imagem da "vinha". Critica fortemente os líderes judaicos que se apropriaram em benefício próprio da "vinha do Senhor" e que se recusaram sempre a oferecer a Deus os frutos que Lhe eram devidos. Jesus anuncia que a "vinha" vai ser-lhes retirada e vai ser confiada a trabalhadores que produzam e que entreguem a Deus os frutos que Ele espera.


Primeira Leitura (Is 5,1-7)
Leitura do Livro de Isaías

Vou cantar, em nome do meu amigo,
um cântico de amor à sua vinha.
O meu amigo possuía uma vinha numa fértil colina.
Lavrou-a e limpou-a das pedras,
plantou-a de cepas escolhidas.
No meio dela ergueu uma torre e escavou um lagar.
Esperava que viesse a dar uvas,
Mas ela só produziu agraços.
E agora, habitantes de Jerusalém, e vós, homens de Judá,
sede juízes entre mim e a minha vinha:
Que mais podia fazer à minha vinha que não tivesse feito?
Quando eu esperava que viesse a dar uvas,
porque é que apenas produziu agraços?
Agora vos direi o que vou fazer à minha vinha:
vou tirar-lhe a vedação e será devastada;
vou demolir-lhe o muro e será espezinhada.
Farei dela um terreno deserto:
não voltará a ser podada nem cavada,
e nela crescerão silvas e espinheiros;
e hei-de mandar às nuvens
que sobre ela não deixem cair chuva.
A vinha do Senhor do Universo é a casa de Israel,
e os homens de Judá são a plantação escolhida.
Ele esperava rectidão e só há sangue derramado;
esperava justiça e só há gritos de horror.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 79 (80)
Refrão: A vinha do Senhor é a casa de Israel.

Arrancastes uma videira do Egipto,
expulsastes as nações para a transplantar.
Estendia até ao mar as suas vergônteas
e até ao rio os seus rebentos.

Porque lhe destruístes a vedação,
de modo que a vindime quem quer que passe pelo caminho?
Devastou-a o javali da selva
e serviu de pasto aos animais do campo.

Deus dos Exércitos, vinde de novo,
olhai dos céus e vede, visitai esta vinha.
Protegei a cepa que a vossa mão direita plantou,
o rebento que fortalecestes para Vós.

Não mais nos apartaremos de Vós:
fazei-nos viver e invocaremos o vosso nome.
Senhor, Deus dos Exércitos, fazei-nos voltar,
iluminai o vosso rosto e seremos salvos.


Segunda Leitura (Filip 4,6-9)
Leitura da Epístola do apóstolo S. Paulo aos Filipenses

Irmãos:
Não vos inquieteis com coisa alguma.
Mas, em todas as circunstâncias,
apresentai os vossos pedidos diante de Deus,
com orações, súplicas e acções de graças.
E a paz de Deus, que está acima de toda a inteligência,
guardará os vossos corações
e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.
Quanto ao resto, irmãos,
tudo o que é verdadeiro e nobre,
tudo o que é justo e puro,
tudo o que é amável e de boa reputação,
tudo o que é virtude e digno de louvor
é o que deveis ter no pensamento.
O que aprendestes, recebestes, ouvistes e vistes em mim
é o que deveis praticar.
E o Deus da paz estará convosco.


EVANGELHO (Mt 21,33-43)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo:
«Ouvi outra parábola:
Havia um proprietário que plantou uma vinha,
cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar
e levantou uma torre;
depois, arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe.
Quando chegou a época das colheitas,
mandou os seus servos aos vinhateiros para receber os frutos.
Os vinhateiros, porém, lançando mão dos servos,
espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram-no.
Tornou ele a mandar outros servos,
em maior número que os primeiros.
E eles trataram-nos do mesmo modo.
Por fim, mandou-lhes o seu próprio filho, dizendo:
'Respeitarão o meu filho'.
Mas os vinhateiros, ao verem o filho, disseram entre si:
'Este é o herdeiro;
matemo-lo e ficaremos com a sua herança'.
E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e mataram-no.
Quando vier o dono da vinha, que fará àqueles vinhateiros?».
Eles responderam:
«Mandará matar sem piedade esses malvados
e arrendará a vinha a outros vinhateiros,
que lhe entreguem os frutos a seu tempo».
Disse-lhes Jesus: «Nunca lestes na Escritura:
'A pedra que os construtores rejeitaram
tornou-se a pedra angular;
tudo isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos'?
Por isso vos digo:
Ser-vos-á tirado o reino de Deus
e dado a um povo que produza os seus frutos».


Ressonâncias...

O que é que esta parábola nos pode hoje ainda dizer?
Um senhor planta uma vinha com todo o cuidado e a confia a uns vinhateiros, bem conhecedores da profissão. Chega o tempo da vindima, manda ir buscar a colheita e vem a surpresa: não entregam os frutos e maltratam os enviados; não respeitam nem sequer o filho do dono e matam-no. A "vinha" não é destruída, mas os trabalhadores são substituídos...

A parábola ilustra a recusa de Israel em aceitar o projecto de salvação que Deus oferece aos homens através de Jesus Cristo. O dono é o Senhor, que manifestou muito amor pela sua vinha; os vinhateiros são os chefes de Israel; os enviados são os profetas... o próprio Cristo, o filho de Deus.
Resultado: Jesus anuncia que a "vinha" vai ser retirada e será confiada a trabalhadores que produzam e entreguem a Deus os frutos que ele espera. Reacção do Povo: tentam prender Jesus, pois percebem que a Parábola se refere a eles...
Somos trabalhadores da sua vinha e devemos produzir frutos, para não frustrar as esperanças do Senhor na hora da colheita.

Os homens do tempo de Isaías e também de Jesus eram muito piedosos, zelosos nas práticas religiosas, no culto, nos sacrifícios no templo, no respeito do sábado... Mas não foi da falta disso que Deus se queixou. Isaías resume muito bem a queixa de Deus nas palavras do dono da vinha: "Ele esperava rectidão e só há sangue derramado; esperava justiça e só há gritos de horror de gente que foi explorada e maltratada."

Será que isso acontecia só no passado? E hoje? Produzimos justiça, amor, paz, serenidade? ou reduzimos tudo apenas a práticas religiosas?
Os guardas da vinha quiseram transformar-se em "Senhores". Este perigo não estará ainda hoje presente nas nossas comunidades?

Deus nunca desiste da sua obra de amor e salvação. Uma verdade consoladora, mas também um alerta: diante do fracasso com alguns, Deus não desiste e recomeça com outros. Será que Deus está satisfeito com os frutos que produzimos? Caso contrário "o reino também nos será tirado e entregue a outros que produzam frutos".

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Virtudes gémeas

Um dia o Senhor Todo-Poderoso convidou para uma festa no Paraíso, todas as Virtudes. Cheias de alegria, rodearam o trono de Deus, louvando o Senhor, como se se encontrassem na sua própria casa: todas as virtudes se conheciam, excepto duas. Uma disse à outra:
– Estou contente por te conhecer. Nunca te vi antes. Deves ser uma virtude bastante nova.
– Também eu estou satisfeita por te cumprimentar pela primeira vez. Tu é que deves ser novata nesta família.

Deus, a quem nada escapa, mostrou um rosto pensativo e declarou:
– Como é que vós as duas, as mais belas virtudes, não se conheciam ainda? Daqui para a frente deveis andar sempre de mãos dadas, para que ninguém fique privado da alegria da vossa companhia.

Sabeis de que virtudes se tratava? Uma era a Beneficência e a outra o Reconhecimento!
O eco do profeta Isaías ainda se faz ouvir hoje: "Que mais Deus podia fazer à sua vinha que não tenha feito? E quando esperava que viesse a dar uvas, apenas produziu agraços."
E Jesus concluiu: "Ser-vos-á tirado o reino de Deus e dado a um povo que produza os seus frutos."

Quem não agradece não sabe receber. O bem que é feito tem de ser reconhecido pois Beneficência e Reconhecimento são irmãs gémeas.

Pe. José David Quintal Vieira

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