PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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XXVI Domingo do Tempo Comum - Ano A

Vinha7
Vinha7
A liturgia da Palavra deste Domingo deixa claro que Deus chama todos os homens a empenhar-se na construção de mundo novo de justiça e de paz que Ele sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos assumir duas atitudes: ou dizer "sim" e colaborar com Ele, ou escolher caminhos de egoísmo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso que Deus nos pede.
Na primeira leitura, o profeta Ezequiel convida os israelitas exilados na Babilónia a viverem com coerência o Sim dado ao Senhor e à Aliança.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de Cristo: despoja-se da condição divina, assume a condição humana. Os cristãos são chamados por Deus a seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projectos.

O Evangelho diz como se concretiza o compromisso do crente com Deus. O "sim" que Deus nos pede não é uma declaração teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que "dá boa impressão", que finge respeitar as regras e que tem um comportamento irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que cumpre na realidade da vida a vontade de Deus.


Primeira Leitura (Ez 18,25-28)
Leitura da Profecia de Ezequiel

Eis o que diz o Senhor:
«Vós dizeis: 'A maneira de proceder do Senhor não é justa'.
Escutai, casa de Israel:
Será a minha maneira de proceder que não é justa?
Não será antes o vosso modo de proceder que é injusto?
Quando o justo se afastar da justiça,
praticar o mal o vier a morrer,
morrerá por causa do mal cometido.
Quando o pecador se afastar do mal que tiver realizado,
praticar o direito e a justiça,
salvará a sua vida.
Se abris os seus olhos e renunciar às faltas que tiver cometido,
há-de viver e não morrerá».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 24 (25)

Refrão: Lembrai-Vos, Senhor, da vossa misericórdia.

Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos,
ensinai-me as vossas veredas.
Guiai-me na vossa verdade e ensinai-me,
porque Vós sois Deus, meu Salvador:
em vós espero sempre.

Lembrai-Vos, Senhor, das vossas misericórdias
e das vossas graças que são eternas.
Não recordeis as minhas faltas
e os pecados da minha juventude.
Lembrai-Vos de mim segundo a vossa clemência,
por causa da vossa bondade, Senhor.

O Senhor é bom e recto,
ensina o caminho aos pecadores.
Orienta os humildes na justiça
e dá-lhes a conhecer os seus caminhos.


Segunda Leitura (Filip 2,1-11)
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos:
Se há em Cristo alguma consolação,
algum conforto na caridade,
se existe alguma consolação nos dons do Espírito Santo,
alguns sentimentos de ternura e misericórdia,
então, completai a minha alegria,
tendo entre vós os mesmos sentimentos e a mesma caridade,
numa só alma e num só coração.
Não façais nada por rivalidade nem por vanglória;
mas, com humildade,
considerai os outros superiores a vós mesmos,
sem olhar cada um aos seus próprios interesses,
mas aos interesses dos outros.
Tende em vós os mesmos sentimentos
que havia em Cristo Jesus.
Ele, que era de condição divina,
não Se valeu da sua igualdade com Deus,
mas aniquilou-Se a Si próprio.
Assumindo a condição de servo,
tornou-Se semelhante aos homens.
Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,
obedecendo até à morte, e morte de cruz.
Por isso, Deus O exaltou
e Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes,
para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem,
no céu, na terra e nos abismos,
e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor,
para glória de Deus Pai.


Evangelho (Mt 21,28-32)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes
e aos anciãos do povo:
«Que vos parece?
Um homem tinha dois filhos.
Foi ter com o primeiro e disse-lhe:
'Filho, vai hoje trabalhar na vinha'.
Mas ele respondeu-lhe: 'Não quero'.
Depois, porém, arrependeu-se e foi.
O homem dirigiu-se ao segundo filho
e falou-lhe do mesmo modo.
Ele respondeu: 'Eu vou, Senhor'.
Mas de facto não foi.
Qual dos dois fez a vontade ao pai?»
Eles responderam-Lhe: «O primeiro».
Jesus disse-lhes:
«Em verdade vos digo:
Os publicanos e as mulheres de má vida
irão diante de vós para o reino de Deus.
João Baptista veio até vós,
ensinando-vos o caminho da justiça,
e não acreditastes nele;
mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram.
E vós, que bem o vistes,
não vos arrependestes, acreditando nele».


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Com esta Parábola, Jesus apresenta-nos duas atitudes diferentes. Um pai que convida os dois filhos a trabalharem na vinha: o primeiro que não manifesta vontade e prontamente diz "não", mas depois reconsidera e vai; o segundo responde "sim", mas posteriormente resolve não ir. E a parábola questiona: "Qual dos dois fez a vontade do Pai?"

Os dois filhos representam dois grupos do tempo de Jesus: os "pecadores inveterados" e os "justos estabelecidos". Os judeus seriam os "justos estabelecidos", fiéis praticantes da Lei, que há séculos tinham pronunciado o seu "sim" a Deus pela Aliança e que agora rejeitavam Cristo, o enviado do Pai e ficando fora do Reino. Os "pecadores inveterados" seriam os cobradores de impostos e as prostitutas, que por muito tempo disseram "não" à vontade de Deus expressa na Lei, mas que agora exprimiam o seu "sim" aos apelos de Jesus - seguindo a suas propostas - e entravam no Reino. É interessante notar que esta parábola, narrada por S. Mateus, um cobrador de impostos, antes considerado também um pecador público e agora um discípulo ardoroso do Senhor.

Também nos nossos dias, Deus continua a ter dois filhos: alguns, no Baptismo, dizem "Sim", mas depois, na vida concreta, transformam o "Sim" em muitos "Não"; outros nunca deram um "Sim" explícito a Deus, mas, no dia-a-dia, amam os irmãos, sacrificam-se por eles e praticam obras de caridade. Estes, ainda que não baptizados, são verdadeiros Filhos de Deus: Nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros como eu vos amei..."

Hoje, muitos dos que se dizem católicos, afirmam: Cristo Sim, Igreja Não. Não é possível sermos cristãos prescindindo da Igreja. Somos cristãos pela graça de Deus e essa graça nós recebemo-la na Igreja, fundada por Jesus, como sacramento universal de salvação, organizada e unida na comunhão da caridade sob a animação pastoral dos apóstolos e dos sucessores.

É inútil dizer Sim Deus no dia do Baptismo, se durante a vida não são revogadas as promessas. A nossa vida deve ser um "Sim" permanente ao Senhor.

A que grupo pertencemos? A que filho nos assemelhamos? Ao primeiro ou ao segundo? Ou não seria melhor que fôssemos como o terceiro filho, do qual a parábola não fala: aquele que diz "Sim" e vai mesmo!

Todos são chamados a trabalhar na vinha do Pai. Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno.

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Oh feliz culpa!

Um dos pontos mais desconcertantes e, ao mesmo tempo, mais deliciosos, dos ensinamentos de Jesus é que Deus está mais perto dos pecadores do que dos santos... e que os publicanos e as mulheres de má vida irão diante dos bons para o Reino Celeste.

Anthony de Mello explicava assim esta verdade:perdao

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Deus segura cada pessoa por um cordel invisível. Cada vez que nós pecamos, cortamos esse fio mas Deus volta a emendar tudo com um nó cego. Como o barbante fica mais curto, por causa deste nó, nós ficamos também um pouco mais perto de Deus.
E assim cada pecado faz um corte e a cada corte corresponde um nó e cada nó leva-nos até mais perto de Deus.

Pecar é fazer uma ruptura, é cortar as relações com Deus, connosco mesmos, com os outros ou com as coisas. É dizer uma coisa e fazer outra, é ser quem não se é.
Arrepender-se é apresentar a Deus as pontas do barbante para que Ele possa atá-las de novo. Perdoando, Deus reata uma relação e manifesta a sua misericórdia. Se eu não pecasse, ou não reconhecesse o meu pecado, Deus não teria ocasião de mostrar que é misericordioso.

E no fim de tudo podemos dizer como Santo Agostinho: «Oh feliz culpa... que nos aproximou mais de Deus.»

Pe. José David Quintal Vieira, scj

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