PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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XXV Domingo do Tempo Comum - Ano A

Vinha6aSejamos sinceros. Cá bem no íntimo do nosso ser protestamos contra a absoluta gratuidade do amor com que Deus nos ama; Ele "fura" o nosso conceito de justiça... Muitas vezes não o dizemos, é certo, mas sentimo-nos vítimas da "injustiça" que Deus nos faz. Pois bem, as leituras deste Domingo apresentam-nos o deus de Jesus Cristo, que, no seu agir, vai muito além daquilo a que nós chamamos justiça. É um Deus muito mais do que justo. É bom. É absoluta gratuidade! É misericordioso.

A primeira leitura pede aos crentes que se voltem para Deus. "Voltar para Deus" é um movimento que exige uma transformação radical do homem, de forma a que os seus pensamentos e acções reflictam a lógica, as perspectivas e os valores de Deus que não pensa como nós, que não julga segundo as aparências, mas segundo o coração.

A segunda leitura apresenta-nos o exemplo de S. Paulo que abraçou, de forma exemplar, a lógica de Deus. Renunciou aos interesses pessoais e colocou no centro da sua existência Jesus Cristo.

O Evangelho diz-nos que o Senhor chama à salvação todos os homens. A salvação é mais obra de Deus do que merecimento do homem. Deus é um Pai, cheio de bondade, que ama todos os seus filhos por igual e sobre todos derrama o seu amor. Ele dá-nos muito mais do que merecemos... A Deus interessa mais a forma como se acolhe o seu convite. Pede-nos, no entanto, a transformação da nossa mentalidade, de forma a que a nossa relação com Ele não seja marcada pelo interesse, mas pelo amor e pela gratuidade.


Primeira Leitura (Is 55,6-9)
Leitura do Livro de Isaías

Procurai o Senhor, enquanto se pode encontrar,
invocai-O, enquanto está perto.
Deixe o ímpio o seu caminho
e o homem perverso os seus pensamentos.
Converta-se ao Senhor, que terá compaixão dele,
ao nosso Deus, que é generoso em perdoar.
Porque os meus pensamentos não são os vossos,
nem os vossos caminhos são os meus – oráculo do Senhor –.
Tanto quanto o céu está acima da terra,
assim os meus caminhos estão acima dos vossos
e acima dos vossos estão os meus pensamentos.


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 144 (145)
Refrão: O Senhor está perto de quantos O invocam.

Quero bendizer-Vos, dia após dia,
e louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e digno de todo o louvor,
insondável é a sua grandeza.

O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
O Senhor é bom para com todos
e a sua misericórdia se estende a todas as criaturas.

O Senhor e justo em todos os seus caminhos
e perfeito em todas as suas obras.
O Senhor está perto de quantos O invocam,
de quantos O invocam em verdade.


Segunda Leitura (Fil 1,20-24.27)
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Filipenses

Irmãos:
Cristo será glorificado no meu corpo,
quer eu viva quer eu morra.
Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro.
Mas, se viver neste corpo mortal é útil para o meu trabalho,
não sei o que escolher.
Sinto-me constrangido por este dilema:
desejaria partir e estar com Cristo, que seria muito melhor;
mas é mais necessário para vós
que eu permaneça neste corpo mortal.
Procurai somente viver de maneira digna do Evangelho de Cristo.


Evangelho (Mt 20,1-16)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário,
que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha.
Ajustou com eles um denário por dia
e mandou-os para a sua vinha.
Saiu a meio da manhã,
viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes:
'Ide vós também para a minha vinha
e dar-vos-ei o que for justo'.
E eles foram.
Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde,
e fez o mesmo.
Saindo ao cair da tarde,
encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes:
'Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?'
Eles responderam-lhe: 'Ninguém nos contratou'.
Ele disse-lhes: 'Ide vós também para a minha vinha'.
Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz:
«Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário,
a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros'.
Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um.
Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais,
mas receberam também um denário cada um.
Depois de o terem recebido,
começaram a murmurar contra o proprietário, dizendo:
'Estes últimos trabalharam só uma hora
e deste-lhes a mesma paga que a nós,
que suportámos o peso do dia e o calor'.
Mas o proprietário respondeu a um deles:
'Amigo, em nada te prejudico.
Não foi um denário que ajustaste comigo?
Leva o que é teu e segue o teu caminho.
Eu quero dar a este último tanto como a ti.
Não me será permitido fazer o que eu quero do que é meu?
Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?'
Assim, os últimos serão os primeiros
e os primeiros serão os últimos».


RessonânciasVinha8a

Tentemos compreender esta parábola. Para Jesus, que era tão criticado porque acolhia os publicanos e os pecadores, os primeiros a serem chamados para trabalhar na vinha seriam os judeus, povo escolhido e herdeiro das promessas do Antigo Testamento; os últimos, os pecadores que, convidados também por Ele, são, da mesma forma, chamados a acolher a misericórdia de Deus. O Reino de Deus é afinal para todos; aqui não há excluídos. Para Deus todos são chamados, a todos Ele oferece a salvação e convida para trabalhar na sua vinha. "Não há judeu ou grego, escravo ou homem livre", cristãos da primeira ou da última hora; não há graus de antiguidade, de raça, de classe social, de merecimento; todos são filhos muito amados do mesmo Pai. A única coisa realmente decisiva é que os convidados aceitem ou não trabalhar na sua vinha

Cristo continua ainda hoje a fazer o mesmo convite: "Ide vós também para a minha vinha." Muitos ouvem este convite logo no início da sua existência; outros escutam este apelo no vigor da juventude; outros apenas na idade adulta ou até já na terceira idade. Deus não pensa como nós, Ele não olha o tempo, mas a atitude pronta e generosa da nossa resposta. Não remunera pela eficiência, mas pela necessidade. Mede muito mais pelo amor, do que pelo produto do mesmo.

Diante da recompensa gratuita e universal de Deus, qual será a nossa atitude? Alegramo-nos com o amor de Deus que acolhe a todos? ou deixamo-nos levar por sentimentos de inveja ou de ciúme? ou consideramo-nos merecedores de direitos e de privilégios em relação aos demais?

Como explicar esta aparente injustiça de Deus? Humanamente é difícil entender, só entenderemos numa visão de fé. Quem trabalha para o Reino de Deus, deve fazê-lo por amor. E quando alguém faz por amor não se interessa pela recompensa, pelos elogios, pelo pagamento. A fidelidade ao Senhor já é uma recompensa; sem dúvida, Deus dá-nos muito mais do que merecemos.

Deus não quer ninguém desocupado. Por isso, Cristo continua a fazer o mesmo convite: "Ide vós também para a minha vinha!..." Qual será a nossa resposta a este chamamento de Deus? Qual será o nosso lugar na vinha do Senhor?

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A parábola dos trabalhadores enviados para a vinha,vinha55 em horas diferentes do dia, sempre gerou grande dificuldade entre os leitores do Evangelho.
Será aceitável a maneira de actuar do proprietário, que dá o mesmo pagamento para quem trabalhou uma hora e para quem trabalhou um dia inteiro? Não estará ele a violar o princípio da justa recompensa? Estranho o comportamento deste patrão!...

Convém notar que a dificuldade nasce aqui de um equívoco. Considera-se o problema da recompensa em abstracto e em geral, ou em referência à recompensa eterna no céu? Visto assim, realmente haveria uma contradição com o princípio segundo o qual Deus «dá a cada um segundo suas obras» (Rm 2, 6). Mas Jesus refere-se aqui a uma situação concreta, um caso bem preciso: o único denário que é dado a todos é o Reino dos Céus que Jesus trouxe à terra; é a possibilidade de entrar para fazer parte da salvação messiânica. A parábola começa por afirmar: «O reino dos Céus pode comparar-se a um proprietário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha». E, porque Ele quer salvar todos os homens, chama todos e chama a todas as horas, cabendo a cada um aceitar ou não a mesma interpelação. Estaremos nós distraídos?

É ainda de realçar um aspecto que talvez seja marginal na parábola, mas que é gritante na nossa sociedade: o problema do desemprego. À pergunta do proprietário: « Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?», os trabalhadores respondem: «Porque ninguém nos contratou». Esta resposta poderia ser dada hoje por milhões de desempregados.

Jesus não era insensível a este problema. Se Ele descreve tão bem a cena é porque muitas vezes o seu olhar pousara compassivamente sobre aqueles grupos de homens sentados no chão, ou apoiados numa porta, com um pé na parede, à espera de serem contratados. Esse proprietário sabe que os operários da última hora têm as mesmas necessidades que os outros; também eles têm filhos para alimentar, como os da primeira hora. Dando a todos o mesmo pagamento, o proprietário mostra levar em conta não só o mérito, mas também a necessidade.

A parábola dos operários da vinha convida-nos, assim, a encontrar um equilíbrio mais justo entre estas duas exigências: do mérito e da necessidade.

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O Deus que nos procura

Um grupo de mineiros, num túnel, emparedados mineirospor um desmoronamento, tentava abrir uma saída, após longas horas, batia na parede e notava o pequeno progresso e se perguntava se não seria em vão o seu esforço. Houve um momento em que pararam exaustos e ergueram silenciosamente as cabeças, apuraram os ouvidos e escutaram ao longe outras pancadas que lentamente venciam a mesma resistência e se dirigiam ao seu encontro. Era a equipa de salvamento. E descobriram nova coragem para recomeçar o trabalho. E sempre que não podiam mais, detinham-me um momento para tornar a ouvir e a crer.

Ninguém pode vir a mim se o Pai o não atrair, repete Jesus. A Parábola dos vinhateiros contratados nas mais diversas horas vem lembrar-nos precisamente a mesma realidade: Não somos só nós que procuramos a Deus mas é sobretudo Deus quem nos procura. Ele é Alguém acessível, pois sai inúmeras ao encontro dos homens. É Alguém que quis precisar de nós pois sabe que nós não somos ninguém sem Ele. Quer ter uma relação pessoal contratando pessoalmente cada trabalhador. É bom, justo, generoso e livre.

De vez em quando temos necessidade de recordar que o nosso Deus é assim para reforçarmos a nossa procura. Sabendo que Ele está próximo, a melhor maneira de se encontrar com Ele é ficar onde se está, isto é, não se transviar porque mais cedo ou mais tarde ele virá ter connosco.

Pe. José David Quintal Vieira, scj

 

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