PARÓQUIA S. MIGUEL DE QUEIJAS

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XXIII Domingo do Tempo Comum - A

JCperd20A liturgia deste Domingo sugere-nos uma reflexão sobre a nossa responsabilidade face aos irmãos. Afirma, claramente, que ninguém pode ficar indiferente diante daquilo que ameaça a vida e a felicidade de um irmão e que todos somos responsáveis uns pelos outros.

A primeira leitura fala-nos do profeta como uma "sentinela" do Senhor no meio do Povo para perscrutar atentamente a realidade e alertar os perigos que a ameaçam. Como profundo conhecedor de Deus e das realidades dos homens, o profeta não pode ficar indiferente diante dos perigos que ameaçam a comunidade.

Na segunda leitura, Paulo ensina que o AMOR é a plenitude da Lei e o caminho para corrigir o irmão que erra. O verdadeiro amor não deixa as pessoas como são, com os seus defeitos. Por isso, faz parte do amor corrigir com humildade o irmão, que está errado. A correcção fraterna é fácil quando animada pela caridade e muito difícil quando a comunhão fraterna não existe.

O Evangelho sugere o modo de proceder com o irmão que errou.


Primeira Leitura (Ez 33,7-9)
Leitura da Profecia de Ezequiel

Eis o que diz o Senhor:
«Filho do homem,
coloquei-te como sentinela na casa de Israel.
Quando ouvires a palavra da minha boca,
deves avisá-los da minha parte.
Sempre que Eu disser ao ímpio: 'Ímpio, hás-de morrer',
e tu não falares ao ímpio para o afastar do seu caminho,
o ímpio morrerá por causa da sua iniquidade,
mas Eu pedir-te-ei contas da sua morte.
Se tu, porém, avisares o ímpio,
para que se converta do seu caminho,
e ele não se converter,
morrerá nos seus pecados,
mas tu salvarás a tua vida».


SALMO RESPONSORIAL – Salmo 94 (95)
Refrão: Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações.

Vinde, exultemos de alegria no Senhor,
aclamemos a Deus, nosso Salvador.
Vamos à sua presença e dêmos graças,
ao som de cânticos aclamemos o Senhor.

Vinde, prostremo-nos em terra,
adoremos o Senhor que nos criou.
Pois Ele é o nosso Deus
e nós o seu povo, as ovelhas do seu rebanho.

Quem dera ouvísseis hoje a sua voz:
«Não endureçais os vossos corações,
como em Meriba, no dia de Massa no deserto,
onde vossos pais Me tentaram e provocaram,
apesar de terem visto as minhas obras».


Segunda Leitura (Rom 13,8-10)
Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos:
Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros,
pois, quem ama o próximo, cumpre a lei.
De facto, os mandamentos que dizem:
«Não cometerás adultério, não matarás,
não furtarás, não cobiçarás»,
e todos os outros mandamentos,
resumem-se nestas palavras:
«Amarás ao próximo como a ti mesmo».
A caridade não faz mal ao próximo.
A caridade é o pleno cumprimento da lei.


Evangelho (Mt 18,15-20)
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,
disse Jesus aos seus discípulos:
«Se o teu irmão te ofender,
vai ter com ele e repreende-o a sós.
Se te escutar, terás ganho o teu irmão.
Se não te escutar, toma contigo mais uma ou duas pessoas,
para que toda a questão fique resolvida
pela palavra de duas ou três testemunhas.
Mas se ele não lhes der ouvidos, comunica o caso à Igreja;
e se também não der ouvidos à Igreja,
considera-o como um pagão ou um publicano.

Em verdade vos digo:
Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu;
e tudo o que desligardes na terra será desligado no Céu.

Digo-vos ainda:
Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa,
ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus.
Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome,
Eu estou no meio deles».


Ressonâncias

Iniciamos neste Evangelho o "Discurso Eclesial", em que Jesus apresenta uma catequese sobre Correcção Fraterna. Como corrigir o irmão que errou e provocou conflitos na Comunidade? O Evangelho propõe um caminho em quatro etapas:

1. Um encontro pessoal a sós com esse irmão. Muitas vezes costumamos espalhar o erro ao quatro ventos. O AMOR é mais importante do que a VERDADE. A verdade nua e crua, muitas vezes destrói a convivência entre as pessoas, pode destruir uma pessoa, arruinar uma família e destruir um casamento. Convém dizer sempre toda a verdade? A verdade que não produz amor, mas provoca perturbações, gera discórdias, ódios e rancor, não deve ser dita. Falando, "Vai ajudar?" (calando, quantos dissabores evitaríamos!) Convém saber quando devemos calar, quando devemos falar e como falar.

2. Se ele não ouvir, pedir a ajuda de outrasg13 pessoas, que tenham sensibilidade e sabedoria.

3. Se essa tentativa também falhar, levar o assunto à Comunidade para recordar ao infractor as exigências do caminho cristão. Mas a intervenção deve ser guiada pelo amor.

4. Se persistir no erro, será considerado um gentio, um pagão. Não é a Igreja que exclui o infractor, é ele que recusa a proposta do Reino e se coloca à margem da Comunidade.

E o Evangelho acrescenta uma Exortação à Oração em comum: «Se dois de vós se unirem na terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» Isso quer recordar-nos que, mesmo quando a correcção não for possível por outros meios, ainda poderá ser possível pela oração, feita em comum, em nome de Jesus.

– Pode Deus contar contigo como uma Sentinela fiel? Diante das diferenças, dos erros e das falhas dos teus irmãos, és tu tolerante?, tentas ajudá-los com misericórdia e com caridade?
– Aceitas com humildade as correcções justas que os outros te fazem, ou acha que isso é uma intromissão?
– As acções erradas devem ser condenadas. Os que as cometeram devem ser vistos como irmãos, a quem se ama, acolhe e a quem se dá sempre outra oportunidade para voltar.

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Corrigir-se!

1.Necessidade da correcção fraterna.
O pecado nunca é um facto isolado pois nenhum homem é uma ilha. Cada um é parte dum continente. Quando uma ave poisa num ramo é perturbado o equilíbrio de toda a planta. Quando uma pedra cai no lago comunica o movimento a toda a água.

2. Como corrigir.
a) Com serenidade para não aumentar o mal; a sós;Perd3 na intimidade e num relacionamento pessoal.
Conta-se que um dia Platão teve que corrigir um aluno impertinente. Sentando-se, pediu ajuda a um amigo dizendo-lhe:« Eu não posso corrigi-lo agora porque não me encontro suficientemente calmo.»

b) Em espírito de comunhão e oração. É por isso que Jesus, no Evangelho deste Domingo, conclui que onde dois ou três se reunirem em seu nome, estaria no meio deles. Isto porque a comunidade reúne-se para fazer oração mas afinal é a oração que constrói a comunidade.

Um dia, uma mãe lamentava-se ao pároco que o seu filho, em crise espiritual, andava transviado pelas más companhias. Dizia com tristeza:
– Eu falo muitas vezes de Deus ao meu filho mas não serve de nada.

Então o santo pároco, consolando-a respondeu:
– Coragem! Se quer obter melhores resultados, mais do que falar de Deus ao seu filho, fale do seu filho a Deus.

E assim fez.. Quanto mais rezava mais calma e compreensiva ficava de modo que o seu filho, assim acolhido, não precisou mais de procurar satisfações longe de casa e corrigiu-se. E a mãe chegou à conclusão que para corrigir é preciso corrigir-se.

Pe. José David Quintal Vieira, scj
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Erros fecundos

Crescemos numa saudável convivência com os nossos erros. Dos mais simples aos mais notáveis dos homens e mulheres não há quem não erre, sucedendo até, como dizia o P. António Vieira, que "nos grandes são mais avultados os erros, porque erram com grandeza e ignoram com presunção". Educar para o perfeccionismo cultivando o medo de falhar é criar almas escrupulosas e mentes atrofiadas. Aquelas capazes de ver "o argueiro no olho do irmão" e não a "trave" no seu próprio olho, especializadas na letra da lei e não no seu espírito. Mas o contrário também é pernicioso: a desresponsabilização pessoal e social, o erro instituído em costume, o deixar de viver como se pensa passando a pensar como se vive.perdao2

Não estou aqui a fazer um elogio do erro mas, como dizia alguém, brincando, "a vida ficou bem mais interessante com aquela falta de Adão e Eva no paraíso". Claro que não estava a referir-se à profundidade teológica do pecado original nem a querer ofender Santo Agostinho e logo juntou: "não se canta na noite de Páscoa, "ó ditosa culpa que nos mereceu tão grande Redentor"? A possibilidade de errar e de reconhecer o erro não nos diminui; é a persistência no erro, a pretensão de sermos deuses, de viver auto-suficientes que impedem a comunhão com Deus e com os outros, e esse é o maior erro da vida!

Jesus não andou à procura dos pecadores para os acusar. Era conhecido por comer com eles e sentia-se bem com a sua autenticidade. Acolhia e libertava valorizando mais o futuro do que o passado. Custava-lhe o fingimento e a sobranceria dos que se julgavam justos e impecáveis. O amor não lida bem com a aparência, prefere a transparência, ainda que seja como uma janela a precisar de limpeza. Assim não desiste de salvar e de oferecer um amor incondicional. Porque acredita nas extraordinárias capacidades de cada um de nós. Não andaremos longe de Jesus quando nos habituamos a excluir, a querer perfeito sem oferecer e fazer caminho, a congelar o que existe sem arriscar o novo por medo de errar?

É comprometedora a proposta que hoje nos é feita no evangelho para lidar com os erros dos irmãos. Do diálogo a sós, passando por pelo encontro com dois ou três amigos, confiando na comunidade, nunca se propõe desistir do outro. Curiosamente, mesmo depois de tentar tudo, a ideia de tratar o irmão como um pagão ou um publicano não significa excomunhão: não são eles os grandes destinatários do amor de Deus, aqueles que, surpreendentemente, acolhem Jesus com alegria? Felizes os que descobrem nos erros ocasiões para viver um amor maior, sementes de uma verdade que só encontra quem está disposto a caminhar!

Pe. Vítor Gonçalves

 

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